Porto Alegre, sexta-feira, 20 de setembro de 2019.
PREVISÃO DO TEMPO
PORTO ALEGRE AMANHÃ
AGORA
16°C
20°C
11°C
previsão do tempo
COTAÇÃO DO DÓLAR
em R$ Compra Venda Variação
Comercial 4,1620 4,1640 1,43%
Turismo/SP 4,0900 4,3300 1,40%
Paralelo/SP 4,1000 4,3400 1,40%
mais indicadores
Página Inicial | Opinião | Economia | Política | Geral / Internacional | Esportes | Cadernos | Colunas
ASSINE  |  ANUNCIE  
» Corrigir
Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.
Nome:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
» Indique esta matéria
[FECHAR]
Para enviar essa página a um amigo(a), preencha os campos abaixo:
De:
Email:
Amigo:
Email:
Mensagem:
Repita o código
neste campo
 
 
» Comente esta notícia
[FECHAR]  
  Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.  
  Nome:  
  Email:    
  Cidade:    
  Comentário:    
500 caracteres restantes
 
Autorizo a publicação deste comentário na edição impressa.
 
107916
Repita o código
neste campo
 
 
   
imprimir IMPRIMIR

Notícia da edição impressa de 13/06/2013

Obras devem destravar a Terceira Perimetral

Cinco passagens subterrâneas e viadutos vão resolver gargalos em cruzamentos e diminuir o número de sinaleiras

Rafael Vigna

MARCELO G. RIBEIRO/JC
Trecho da Plínio Brasil Milano com Carlos Gomes é um dos gargalos a serem resolvidos
Trecho da Plínio Brasil Milano com Carlos Gomes é um dos gargalos a serem resolvidos

A Terceira Perimetral foi a principal intervenção viária em Porto Alegre nas últimas décadas. Com 12,3 km de extensão, a via que atravessa 20 bairros da Capital já estava prevista pelo Plano Diretor de 1959, elaborado pelo urbanista Edvaldo Pereira Paiva, na gestão do prefeito Loureiro da Silva.

No entanto, a unificação e a ampliação do conjunto de avenidas que formam essa artéria da cidade só começaram a sair do papel no final dos anos 1990. Na época, a obra demandou R$ 150 milhões, investidos em quatro trechos, que já foram inaugurados com alguns gargalos naquela que era para ser uma via expressa, ligando a zona Norte à zona Sul.

Um dos entraves para o fluxo de veículos desde então tem sido a grande quantidade de semáforos. São mais de 70, alguns separados por menos de 100 metros um do outro. Por isso - e também pela sua localização estratégica para a cidade -, a Terceira Perimetral foi incluída nas obras preparatórias para o Mundial de 2014.

Receberá cinco viadutos e passagens de nível que custarão R$ 157,4 milhões, o maior investimento viário do pacote da Copa. E isso menos de uma década depois da última obra realizada na via, em 2006. Esse é o tema da quarta reportagem da série do Jornal do Comércio sobre as obras para o Mundial. O planejamento prevê quatro passagens subterrâneas (no cruzamento com as avenidas Ceará, Cristóvão Colombo, Plínio Brasil Milano e na rua Anita Garibaldi) e um viaduto na avenida Bento Gonçalves. Depois de inaugurado, o conjunto deve reduzir o tempo para percorrer a avenida, caminho, por exemplo, da zona Sul para o aeroporto Salgado Filho.

A iniciativa mais atrasada é a trincheira da Cristóvão Colombo - mas já tem ordem de início dos trabalhos desde a semana passada. As primeiras atividades no canteiro de obras, com conclusão estimada para abril do próximo ano, dependem da instalação de placas informativas para os desvios de trânsito nas ruas adjacentes.

Na Bento Gonçalves, próximo à Igreja São Jorge, onde os trabalhos estão mais visíveis, há pilares do futuro viaduto sendo construídos. A obra deve ficar pronta em maio de 2014 e gera congestionamentos diários desde fevereiro - a região tem grande fluxo por ser caminho para as universidades Pucrs e Ufrgs, além de acesso a Viamão.

Para acadêmica, mudanças limitam fluxo de pedestres

A professora do Núcleo de Acessibilidade e Mobilidade Urbana da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Pucrs, Ana Rosa Sulzbach Cé, afirma que as obras previstas para a Terceira Perimetral estão em desacordo com uma tendência mundial de mobilidade urbana. A ideia, colocada em prática em metrópoles como Londres, Barcelona e Nova Iorque, preconiza a ampliação de espaços destinados aos pedestres, inclusive como forma de revitalizar o comércio de bairro.

A acadêmica identifica a repetição de erros conceituais responsáveis pela formação dos gargalos de circulação por ocasião da inauguração da Terceira Perimetral. Segundo ela, desde a abertura parcial da artéria, nos anos 2000, regiões como os cruzamentos da Dom Pedro II com a Cristóvão Colombo e com a Ceará - que agora voltaram a se tornar canteiros de obras - perderam em escala humana.

“Trata-se de uma via com uma largura considerável. Na Carlos Gomes, chega a 40 metros de gabarito, o que demonstra que ela divide muito os bairros, e apenas as sinaleiras não dão conta desse tipo de cruzamento. Por isso, as pessoas já não circulam por essas regiões, que se tornaram bastante inóspitas ao longo do tempo”, analisa Ana Rosa.

Entretanto, a arquiteta relembra que o projeto original previa intervenções para o deslocamento de pedestres que acabaram relegadas. Na avaliação da professora, todos os investimentos programados para a Copa do Mundo estão “excessivamente” voltados para a resolução de demandas exclusivas dos veículos e não dos pedestres.

“Estamos reféns dos automóveis, das sinaleiras, dos estacionamentos, mas isso tudo passa por políticas públicas. Isso cria um caos urbano e, de certo modo, todas as metrópoles brasileiras estão enfrentando a mesma situação. Porto Alegre precisa revisar seu conceito viário, com fizeram exitosamente outras cidades. A mobilidade urbana não deve prevalecer em relação à mobilidade humana”, sintetiza.

Como um dos exemplos de integração, Ana Rosa cita o viaduto Otávio Rocha, que segundo ela, cumpre uma função viária muito importante para o Centro da Capital. Para a arquiteta, a obra segue atual, pois permite o deslocamento de pedestres em transposição de nível entre a avenida Borges de Medeiros e a rua Duque de Caxias.

“É algo que estabelece relação com os prédios e cumpre sua função viária. É a grande obra de arte viária de Porto Alegre. Por outro lado, viadutos assim (os novos da Terceira Perimetral) estão totalmente desconectados do entorno, não estabelecem relação com nada à sua volta, funcionam como um tiro no pé, pois quando deveriam atacar o problema do trânsito de veículos, na verdade o estão incentivando ainda mais”, afirma.

Ana Rosa também critica a falta de informações detalhadas - “não sabemos, por exemplo, a autoria do projeto” -, a pressa e a falta de debate sobre questões conceituais, como o impacto da intervenção para o bairro e o estímulo aos veículos em circulação.

Aeronáutica impede boom imobiliário

O entorno da Terceira Perimetral teve um boom imobiliário nos últimos anos. Com as novas intervenções na avenida, a região poderia receber um novo impulso da construção civil. Mas isso não deve ocorrer por restrições impostas pela Aeronáutica. Uma portaria assinada pelo V Comando Aéreo Regional (Comar), em novembro de 2011, limita novas construções nessa região. O documento proíbe edificações com altura superior a 48 metros em relação ao nível da pista do aeroporto Salgado Filho.

O presidente do Sinduscon-RS, Paulo Garcia, observa que não por acaso a região foi a que mais recebeu recursos públicos nos últimos anos - são mais de R$ 350 milhões de dinheiro público, se forem somados os R$ 157,4 milhões das novas obras, os R$ 150 milhões na implantação da Terceira Perimetral e os R$ 60 milhões no conduto Álvaro Chaves-Goethe. “E esse documento (do V Comar) está dizendo que todos esses investimentos não servirão para nada do ponto de vista de revitalização imobiliária.”

COMENTÁRIOS
Enrico - 13/06/2013 - 15h31
"Obras devem destravar..." E se não destravarem, como faz? As empreiteiras devolvem o dinheiro pros cofres públicos?
André Ripoll - 13/06/2013 - 17h37
Quem disse que deve destravar? Olha, jornalista às vezes faz dessas besteiras: existe uma PROFISSIONAL DA ÁREA que explicou quais os problemas das obras e o sr. Rafael Vigna prefere usar uma manchete que diz que vão trazer soluções? Por favor...
Anonimous - 13/06/2013 - 20h15
Com estas obras o tráfego vai ficar ótimo! Alguém acredita?
imprimir IMPRIMIR