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Notícia da edição impressa de 07/05/2013

Pioneirismo na cobertura econômica

ARQUIVO/JC
Equipe trabalha em mimeógrafos para imprimir o Consultor do Comércio
Equipe trabalha em mimeógrafos para imprimir o Consultor do Comércio

Em 1935, o boletim passou a ser produzido na Galeria Municipal, 91, altos do Mercado Público. O espaço precedeu a Bolsa de Mercadorias, embora com finalidades diferentes. E o Consultor do Comércio agregou novos colaboradores. Jenor buscou seus irmãos Mário e Dante Jarros para somar esforços e aprimorar o conteúdo. A publicação já divulgava entradas de produtos e também estatísticas mensais e anuais dos principais bens importados.

As informações haviam sido ampliadas, como registrou o advogado Luiz Lima Lângaro no suplemento de 50 anos do JC, publicado em 1983. Ele trabalhava na Associação Comercial de Porto Alegre em 1946 e descreve como era na época a publicação, que já funcionava no mesmo prédio da entidade, o Palácio do Comércio.

“Era um boletim semanal, impresso em mimeógrafo, movido a manivela, em áspero papel de jornal, contendo de seis a oito páginas, com sobrecapa grampeada, que divulgava informações sobre o movimento portuário, entrada e saída de navios, exportação e importação, preço de mercadorias, cotação da bolsa e registros de firmas na Junta Comercial.”

A divulgação de notícias dessa natureza era inédita e despertava interesse do comércio atacadista da Capital. O setor não era atendido pela imprensa da época, e logo o Consultor do Comércio passou a ser referência para o público da área comercial em geral.

O boletim se tornou trissemanal (segundas, quartas e sextas-feiras) na década de 1950. Entre suas notícias econômicas, divulgava informações comerciais, títulos protestados, falências e concordatas, câmbio, transmissão de imóveis, manifestos de importação e exportação, bem como manifestos de entrada de produtos do Interior, quer via férrea, quer via rodoviária.

Desta maneira, o Consultor se apresentava no cabeçalho como “a mais completa publicação de informações comerciais do Estado”. Nessa época, o mimeógrafo foi substituído por linotipos, e depois surgiu a edição diária sob o nome de Jornal do Comércio, leitura obrigatória para industriários, empresários, comerciantes e profissionais que gravitam em torno da órbita produtiva do Estado.

Os textos de conteúdo técnico primavam pela seriedade. “A publicação de Jenor refletira fielmente o espírito, a mentalidade e maneira de ser de seu criador: austero, discreto, sério e responsável. A discrição e a objetividade foram sempre qualidades que modelaram o jornal, à feição e imagem de seu saudoso fundador”, define Lângaro.

O jurista Paulo Brossard de Souza Pinto faz uma descrição semelhante de Jenor no suplemento de 50 anos do jornal: “Modesto, afável, simples, desataviado, despretensioso, mas sabia somar; em uma frase resumirei a minha impressão do cliente que se tornou amigo - um homem comum de qualidades incomuns”.

Em novembro de 1969, no auge do sucesso empresarial, Jenor Cardoso Jarros faleceu prematuramente. Deixou o seu legado para a viúva, Zaida Jayme Jarros, e para o seu filho, Delmar Jarros.

Coluna social negativa

O Consultor do Comércio, criado em 1933, registrava dados estatísticos dos produtos que chegavam e saíam do porto da cidade. O transporte ferroviário também era importante no escoamento de mercadorias no Rio Grande do Sul. Dessa forma, o periódico buscava dados na Viação Férrea do Rio Grande do Sul, na administração do porto e nas empresas de navegação que tinham representantes em Porto Alegre.

Ao completar um ano, em 1934, o boletim informava, por exemplo, que Porto Alegre tinha importado 550.520 sacos de açúcar, 57.625 sacos de café, mais 662 mil sacos de cimento, tudo vindo de portos nacionais e europeus. Exportávamos arroz, carne, conservas, vinho, lãs.

Assim como a economia gaúcha, o Consultor do Comércio pouco a pouco foi avançando. Agregou a publicação do movimento da bolsa de mercadorias, recém-criada, bem como dos títulos protestados, das falências e concordatas, das transações imobiliárias e das atas da Junta Comercial. As áridas informações comerciais de então tinham pouco valor no meio jornalístico, pois raramente davam manchetes e tinham reduzido índice de leitura na época. Mas a coluna de títulos protestados, com informações do 1º cartório, ainda na rua General Câmara, com a liberação dada pela Corregedoria da Justiça, aguçou o interesse pelo jornal. Bancos, casas comerciais, indústria e serviços buscavam a publicação de Jenor Cardoso Jarros e seus 20 colaboradores, com a expansão da empresa. A coluna dos títulos protestados recebeu do público leitor, jocosamente, o apelido de coluna social negativa. Ao contrário das colunas sociais, que mostravam o lado risonho da vida, nela ninguém queria aparecer.

Em julho de 1940, o Consultor do Comércio informava que “o censo comercial, que pela primeira vez será realizado no Brasil, vai mostrar que já rompemos com as praxes coloniais”. Era, a rigor, a primeira notícia econômica.

Duas décadas e um novo formato


Periódico avançou, passou a trissemanal e, em 1953, ganhou um novo formato. ARQUIVO/JC

Em 24 de abril de 1953, 20 anos após o lançamento do Consultor do Comércio, Jenor Cardoso Jarros adquiriu uma nova máquina para imprimir o periódico, trissemanal na época. Foi quando o fundador do jornal publicou editorial, anunciando um novo formato ao periódico: “Isento de partidarismos políticos e somente dedicado a transmitir e defender os pontos de vista consentâneos com o desenvolvimento do País, esse jornal deseja, com tal intuito, prosseguir suas atividades de criticar para corrigir, além de bem informar para melhor promover os fins a que se devotam o comércio, a indústria e os meios de produção em geral.”

Jarros sabia a linha do seu jornal, que é mantida até hoje. No mesmo editorial, afirmava: “Editando o presente número, o fazemos com não menor emoção que a que nos animou naquele ano de 1933, quando nos lançamos no árduo cometimento que é a imprensa comercial, cuja aridez e ausência de sensacionalismo, fator de esteio de muitas publicações literárias periódicas, a faz restrita apenas a uma parcela dos leitores em geral”. Era a confirmação de uma imprensa segmentada no Rio Grande do Sul, especializada e dirigida a um nicho de mercado.

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