Com a perspectiva de iniciar as obras da nova planta industrial em Barra do Ribeiro, na região Centro-Sul, no próximo ano, a CMPC prepara o terreno, também em Guaíba, onde está e seguirá a sua produção de celulose, para consolidar entre os municípios vizinhos o maior complexo produtor de celulose do mundo, com capacidade para suprir, somadas as três fábricas - duas em Guaíba e uma futura em Barra do Ribeiro -, 4,9 milhões de toneladas para o mundo.
"Não estabelecemos uma divisão de mercado ou de produtos especificamente entre cada uma das unidades. A ideia é que elas tenham muita sinergia entre os processos e otimização logística. Mas teremos a possibilidade de, em Guaíba, desenvolvermos novos produtos e concentrarmos um controle maior da qualidade da produção florestal", diz o diretor geral de celulose da CMPC, Antônio Lacerda.
Do ponto de vista industrial, adianta o dirigente, é possível que uma das unidades de Guaíba seja dedicada ao desenvolvimento de produtos especiais. Trata-se da unidade com capacidade de 400 mil toneladas de celulose por ano. A outra, produz até 2 milhões de toneladas. A nova unidade, em Barra do Ribeiro, chegará a 2,5 milhões de toneladas de celulose anuais. O que será desenvolvido, não está definido.
"É o mercado que define a nossa demanda ou a necessidade de cada tipo de produto partir da celulose. E o desenvolvimento se dá durante o processo industrial. Para cada destinação, a celulose tem características diferentes. Em alguns usos, o tempo de cozimento é maior ou menor, para a produção ao setor de higiene, por exemplo, é preciso uma qualidade maior de tração, já para o setor de vestuário, a alvura da celulose é importante, com maior capacidade de absorção de corantes. Nós consultamos os clientes e a partir daí sabemos as necessidades futuras da produção", detalha Lacerda.
Esses clientes estão fora do País. Mais de 90% da produção gaúcha de celulose é destinada à exportação. Guaíba foi o quinto município gaúcho em vendas ao Exterior entre janeiro e setembro, com a negociação de US$ 776,8 milhões - redução de 11% em relação ao mesmo período de 2024. A celulose responde por 85,9% das exportações, com uma redução ainda maior, de -16,5% negociados. A maior fatia, em valores, é destinada à China, que recebeu 25% das exportações de Guaíba, outros 11,3% foram para os Estados Unidos.
Cada um desses mercados, porém, tem exigências diferentes. Na China, por exemplo, somente um comprador, do setor de vestuário, absorve 15% da produção da CMPC em Guaíba. A maior fatia das vendas, porém, é destinada à higiene. É o setor para o qual a empresa envia anualmente pelo menos 300 mil toneladas de celulose para os Estados Unidos.
Tamanha especificação exige também maior controle no início da cadeia produtiva, sobretudo quando há a perspectiva de crescimento exponencial no plantio de eucaliptos no Estado. Será instalado em Guaíba uma nova estrutura de laboratório fitossanitário.
"Chegaremos a 650 mil áreas totais de florestas plantadas que servem de base para a nossa produção, um crescimento de mais de 60% em relação à atual área. Neste contexto, é importante termos um controle fitossanitário cada vez mais próximo para proteção dessas áreas. Teremos neste laboratório uma estrutura preparada para nos anteciparmos a pragas, com a pesquisa muito perto do plantio", explica Antônio Lacerda.
Segundo ele, a produção no Rio Grande do Sul, em relação ao clima e características de solo, é diferente de qualquer outra região. O que, por si só, explica a necessidade de instalação em Guaíba dessa estrutura, que não pode operar, por exemplo, no Chile, onde fica a matriz da CMPC.
Neste ano, a multinacional investe R$ 370 milhões na sua estrutura em Guaíba, com a manutenção e a parada programada executada em 2025. Entre as melhorias promovidas está a desativação total da caldeira movida a carvão, e agora somente por energia limpa. Já no projeto de Barra do Ribeiro, a empresa já desembolsou R$ 200 milhões na fase de licenciamentos.