As tratativas da gestão para evitar ter que devolver este valor se estenderam por vários meses. Há cerca de 15 dias, a secretária municipal de Educação, Carla da Luz Zinn, esteve em Brasília, onde teve encontro com os assessores Douglas Inácio e Sandra Correia, das Relações Institucionais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) e um dos assuntos envolvia o problema da obra que impedia a análise de novas demandas e da efetivação de novos termos de compromisso junto à autarquia, vinculada ao MEC.
A obra foi pactuada em 2012 por meio do Método Construtivo de Metodologias Inovadoras, que teve como vencedora da licitação no Rio Grande do Sul a empresa MVC Componentes Plásticos Ltda. Das 208 obras que deveriam ser executadas pela empresa no Estado, apenas sete foram concluídas. O termo de compromisso previa à construção do novo prédio da escola em Cachoeira do Sul
Após inúmeras tentativas de continuidade da obra, o contrato foi rescindido com apenas 26,75% da construção executada. À época, o Ministério da Educação já havia repassado R$ 228.406,17 ao município. No entanto, o MEC colocou o município na condição de inadimplente até que fosse devolvido todo o montante repassado.
Há cerca de duas semanas, a prefeitura de Cachoeira do Sul também recebeu uma notificação Ministério Público Federal (MPF), solicitando a comprovação da restituição integral dos valores vinculados à execução da obra da escola de educação infantil no Alto do Amorim. Diante disso e de esgotadas as negociações, restou consolidada a obrigação de devolução total dos recursos repassados ao município.
A secretária da Fazenda, Rita Garske, disse estar "indignada" com a devolução de valores, “O governo federal inventou uma 'mágica' em 2011 com essas escolas. A contratação da empesa MVC foi feita pelo MEC, a definição do tipo de construção foi do MEC, a prefeitura só verificava as medições e o MEC pagava a empresa. Depois a empresa abandonou as obras em todo o Brasil, e agora o município tem que devolver de seus recursos livres, é muito injusto e revoltante. Poderíamos comprar um ônibus, fazer reforma elétrica, equipamentos e materiais, diretamente para a Educação, mas nem isso é possível”, declarou a secretária.