A preocupação com o envelhecimento da população - e, sobretudo, a qualidade dessa evolução da idade nas pessoas - gerou um estudo sobre impactos causados nessa faixa da população, feito pela empresa MAG Seguros e divulgado este mês. O Instituto da Longevidade (IDL) criou o Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade, que analisa e qualifica de maneira objetiva pontos positivos e negativos das cidades participantes buscando inspirar uma melhor condição de vida na terceira idade.
O indicador analisa os critérios de segurança financeira dos idosos, endividamento municipal, engajamento cívico de idosos, relações afetivas, número de estabelecimentos de saúde, quantidade e motivos dos óbitos, além de outros dados. O material reúne o índice de qualidade de vida para idosos em 5.570 municípios baseada em 23 indicadores avaliando aspectos econômicos, socioambientais e de saúde.
Segundo Antônio Leitão, gerente do IDL, o objetivo é entender o grau de preparação das cidades brasileiras para o envelhecimento da população. A pesquisa é realizada desde 2017 e a metodologia utilizada em dados de idade que são disponibilizados por fontes oficiais como Ministério da Saúde, Ministério da Fazenda e Tesouro Nacional. "Nós damos um peso e criamos um padrão para que esses dados virem uma pontuação para os municípios", explica.
Os indicadores utilizados são baseados em fatores que permeiam o envelhecimento como por exemplo idade per capita, beneficiários por aposentadoria do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), usuários do Benefício de Prestação Continuada (BPC), óbitos, tributos, eleitores e outros indicadores financeiros.
De acordo com Antônio, os municípios podem utilizar esse estudo para priorizar fatores baseados nos dados, como se fosse um painel de controle, para saber em que pontos a cidade precisa melhorar e quais fatores ela está desempenhando de forma satisfatória. "Além de consultar os indicadores do seu próprio município, os prefeitos também podem utilizar esses números para comparar seu desempenho com as cidades vizinhas e ter um embasamento para saber em quais áreas está atuando mal ou bem", afirma Leitão.
De acordo com Leitão o que mudou da primeira edição da pesquisa até a atual foram alguns indicadores, para aumentar o número de cidades participantes. Na primeira edição foram aproximadamente 500 municípios, na segunda o número subiu para 900 e na atual foram 5.570 participantes.
Os resultados da pesquisa foram divididos entre as categorias de cidades grandes com mais de 100 mil habitantes, cidades médias, com população entre 34.850 e 100 mil, e cidades pequenas com até 34.849 indivíduos. De acordo com a metodologia, é necessário considerar que as colocações no ranking sempre estão dentro de uma categoria. Três cidades gaúchas aparecem em destaque no índice.
O município de Gramado, na Serra, aparece na pesquisa em segundo lugar na categoria cidades médias porque obteve bons números no quesito economia, como a 59ª cidade com o melhor Produto Interno Bruto (PIB) per capita e a quinta menor colocação em baixa vulnerabilidade social de idosos. Já Dois Lajeados, que fica próximo de Guaporé, conquistou o terceiro lugar na categoria cidades pequenas e também se destaca pelos bons números na questão de saúde, conquistando a 15ª posição em maior número de leitos hospitalares e a 34ª em maior número de procedimentos ambulatoriais dentre os município da mesma categoria.
Outro município gaúcho em destaque é Rodeio Bonito, no Alto Uruguai, que levou segundo lugar na categoria das cidades pequenas, à frente de Dois Lajeados. A cidade é considerada uma das mais bem preparadas para tratar a população idosa, de acordo com o estudo feito. Na parte da economia, a cidade ficou em 51º lugar em expectativa de vida aos 60 anos e em 95º lugar em maior número de beneficiários por aposentadoria pelo INSS como proporção do total de 60 da população.
Chancela de programas estaduais para idosos traz resultados em Rodeio Bonito
O município de Rodeio Bonito destaca-se na pesquisa do IDL nas áreas da saúde e economia. Conforme o estudo, a cidade atingiu a 46ª posição no ranking IDL na questão de procedimentos ambulatoriais, com nota 100 segundo a instituição de pesquisa e 51º lugar no quesito longevidade esperada aos 60 anos
Segundo o prefeito, Paulo Duarte, a cidade está bem colocada no índice devido ao atendimento e atenção às pessoas idosas. "Na nossa administração e na gestão anterior sempre tivemos cuidado ao lidar com o público da terceira idade, temos um grupo razoável aqui na cidade", afirma.
Duarte destaca que Rodeio Bonito recebeu os selos de bronze, prata e ouro de "Amigo Do Idoso", título conferido às Unidades Básicas de Saúde (UBS) que se destacam por desenvolver ações direcionadas à promoção do envelhecimento saudável e instituir percursos nas redes de atenção e proteção às pessoas idosas. O título faz parte do programa do governo do Estado Bem Cuidar que visa melhores condições de envelhecimento.
Segundo os dados publicados na ultima edição de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Rodeio Bonito tem 6,654 mil habitantes, sendo 1,193 idosos, ou seja, uma em cada seis pessoas que residem na cidade está na faixa dos 60 anos ou mais.
O prefeito afirma que a cidade está procurando qualificar os serviços de projetos sociais, academias, projetos integrativos e visitas domiciliares semanais para melhor atender a população da terceira idade. "Estamos trabalhando muito forte para garantir que as pessoas tenham qualidade de vida assegurada, afinal, o respeito pelas pessoas que construíram o que temos hoje é fundamental", conclui.
Proximidade com a comunidade é fundamental em Dois Lajeados
Município do Vale do Taquari tem pouco mais de 3 mil habitantes
/PREFEITURA DE DOIS LAJEADOS/DIVULGAÇÃO/CIDADES
Referência na área da saúde na região do Vale do Taquari, o município de Dois Lajeados está buscando, através da proximidade da comunidade alavancar indicadores de qualidade de vida para a população idosa - o que está representado no estudo do Instituto da Longevidade (IDL). Segundo o secretário de Saúde e Assistência Social, William Grando, o trabalho da secretaria de Saúde do município, em parceria com a entidade filantrópica Hospital de Caridade São Roque e as Unidades de Básicas de Saúde (UBS) tem reflexo direto nos dados publicados pelo IDL.
"O trabalho na parte de saúde vem se desenvolvendo há muitos anos por aqui. Nós temos uma boa relação com as pessoas do município e isso se reflete nessa melhoria" afirma. De acordo com o titular da pasta as atividades desenvolvidas na UBS são feitas de forma semelhante no hospital e vice-versa existe uma parceria entre as duas instituições.
Segundo Grando, o município, por ter baixa população (pouco mais de 3 mil, conforme o Censo do IBGE) consegue desenvolver um trabalho mais próximos das famílias. Outro fator que justifica os bons resultados, segundo ele, é a economia. "Nós temos uma população bastante trabalhadora, nosso município de certa forma pode ser considerado rico", disse. O secretário afirma que a boa distribuição financeira, combinado as boas operações públicas estão gerando frutos a cidade "Nós temos na agricultura um setor muito forte, a área primária é muito importante para região. Tivemos, também, uma grande ascensão no período dos anos 2000 sendo o maior produtor de uva do Vale do Taquari", complementou o secretário.

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