A Universidade Federal de Pelotas (UFPel) inaugurou o Laboratório de Rastreamento Ocular. O espaço, criado para ser multiusuários e multidisciplinar, fica no quarto andar do Campus Anglo e dedica-se a essa técnica de pesquisa considerada altamente confiável e acurada para estudar a cognição humana.
Com o rastreador ocular, os movimentos oculares de uma pessoa durante a execução de uma tarefa são monitorados e registrados de forma não invasiva e em tempo real. Os dados oculares são informativos por revelarem as atividades de processamento, favorecendo inferências sobre tarefas cognitivas e linguísticas. Por isso, o equipamento pode ser usado por pesquisadores de diversas áreas, viabilizando investigações sobre temas diversos, além de ter várias aplicações no cotidiano.
O equipamento infravermelho é um empréstimo da Universidade Técnica de Dortmund (Alemanha) e, assim, a UFPel torna-se a única instituição gaúcha com a tecnologia. De acordo com um dos idealizadores do espaço, professor Bernardo Limberger, a técnica é usada desde os anos 1980 e foi se desenvolvendo ao longo dos anos, mas é relativamente nova no Brasil.
O rastreador ocular pode ser usado para análises envolvendo textos, imagens estáticas ou em movimento, subsidiando diversos tipos de estudos. Os experimentos podem envolver, por exemplo, segmentos como leitura - forma como uma pessoa lê -, marketing - onde a pessoa fixa o olhar ao acessar um site -, psicologia - de que forma pessoas com autismo ou dislexia processam as informações -, urbanismo - com avaliações de mobilidade, nesse caso com a necessidade do uso do equipamento em formato de óculos. "São múltiplas possibilidades. Por isso, o laboratório pode ser usado por estudantes e professores de diferentes áreas do conhecimento da UFPel ou de outras universidades que queiram usar a técnica", disse Bernardo.
A professora Angela Klein, também idealizadora do Laboratório, igualmente ressaltou as inúmeras informações que podem ser obtidas com o equipamento. Para exemplificar a infinidade de aplicações da técnica, a docente mencionou estudos já desenvolvidos pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), como desempenho de alunos em cálculo; o quanto a pontuação interfere na compreensão do texto; relação entre a compreensão de textos e problemas matemáticos; e até mesmo a maneira como indivíduos deprimidos olham para expressões faciais que estão à frente.