Na manhã desta quinta-feira (18), das seis Estações de Tratamento de Água (ETAs) de Porto Alegre, apenas a que atende a região das Ilhas seguia sem abastecimento devido a problemas causados pelo temporal que atingiu Porto Alegre nesta semana. Além disso, 39 das 87 estações de bombeamento do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) também estavam fora de operação.
De acordo com o diretor-geral da autarquia, 38 destas instalações foram interrompidas por falta de energia elétrica ou por falta de nível. A solução para esta questão que envolve a CEEE Equatorial, na avaliação do gestor, é bastante complexa. “Naquele episódio de 15 de dezembro passado, que tínhamos temperaturas de 40 graus, nós ficamos também por quatro horas sem fornecimento de energia elétrica no sistema do Belém Novo. Isso desarranjou completamente o sistema, e por vários dias toda água que nós colocávamos na rede era consumida nas partes mais baixas. Tivemos muita dificuldade de restabelecer o sistema e recuperar os reservatórios nas partes mais altas como a Lomba do Pinheiro”, contextualiza o dirigente.
Em busca de resolver o problema, o Dmae, por determinação do prefeito Sebastião Melo, passou a contratar, em caráter experimental, geradores para o sistema do Belém Novo. Esse conjunto de equipamentos, segundo Loss, oneram os cofres públicos em R$ 2,1 milhões para o aluguel de 90 dias.
“Se a gente for ampliar para todas as seis estações de tratamento de água e para as 87 estações de bombeamento de água, estaríamos falando de uma imensidão de geradores a um custo absurdo. Como isso seria muito oneroso para o Dmae, inevitavelmente teríamos que transferir esse custo para a conta da água, para a conta do consumidor”, ressalta o gestor.
No momento, a autarquia tem priorizado o atendimento de hospitais e unidades de saúde que ficaram desabastecidas. Durante a manhã, enviou 11 caminhões-pipa para estes locais. Uma parceria com a Corsan irá reforçar a frota com mais cinco caminhões às comunidades que ainda não estavam com o sistema de abastecimento normalizado.
As instituições de saúde que receberam os 128 mil litros de água foram os hospitais Santa Ana, Vila Nova, Militar, Conceição, Beneficência Portuguesa, Divina Providência, Centro de Oncologia Radioterápica da Orfanatrófio, Postão do IAPI, Centro de Atenção Psicossocial da Cavalhada, entre outros.
Retorno da água
O retorno da água pode apresentar coloração e gosto alterados devido ao arraste de micropartículas não prejudiciais à saúde que podem estar nas paredes internas da tubulação. “Como nós esgotamos todo o sistema de abastecimento de água e todos reservatórios ficaram secos, quando a água volta, ela volta com uma certa pressão e acaba arrastando o material que fica depositado no fundo. Nós temos redes de ferro, por exemplo, que têm aproximadamente 50 anos. Isso é um material que fica depositado, mas não é nada que comprometa a saúde da população. Recomendamos, apenas, que se faça o descarte deste material inicial que sai da torneira”, explica Loss.