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Economia

- Publicada em 04 de Agosto de 2022 às 18:18

Privatização da Petrobras deve levar três anos, diz ministro de Minas e Energia

Sachsida (c) foi um dos participantes do painel do segundo dia da Expert XP, em São Paulo

Sachsida (c) foi um dos participantes do painel do segundo dia da Expert XP, em São Paulo


EXPERT XP/DIVULGAÇÃO/JC
Nícolas Pasinato
O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, defendeu nesta quinta-feira (4) que é hora de a sociedade brasileira decidir se a Petrobras deve ou não passar por um processo de privatização. Favorável à desestatização da companhia, que atua na indústria de óleo, gás natural e energia, ele afirmou, no entanto, que o envio de um projeto nesse sentido ao Congresso Nacional só ocorrerá a partir de um amplo consenso e de um processo que pode perdurar por pelo menos três anos.
O ministro de Minas e Energia, Adolfo Sachsida, defendeu nesta quinta-feira (4) que é hora de a sociedade brasileira decidir se a Petrobras deve ou não passar por um processo de privatização. Favorável à desestatização da companhia, que atua na indústria de óleo, gás natural e energia, ele afirmou, no entanto, que o envio de um projeto nesse sentido ao Congresso Nacional só ocorrerá a partir de um amplo consenso e de um processo que pode perdurar por pelo menos três anos.
Sachsida palestrou no segundo dia da Expert XP 2022, evento promovido pela XP Investimentos, em São Paulo, onde abordou a questão da Petrobras. “Pedimos o encaminhamento de estudos para gerar mais competição ao setor de petróleo, que já foi submetido ao Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos (CPPI). Mas essa é uma questão complexa, em um processo que deve levar até três anos e meio”, reforçou.
Em junho, o Diário Oficial da União (DOU) publicou resolução do CPPI que recomenda a inclusão da Petrobras na carteira de projetos do programa para “estudos e ações necessários para a avaliação de desestatização”.
Apesar de abordar o tema, o ministro se esquivou de opinar sobre a política de preços vigente na Petrobras e  o chamado Preço de Paridade de Importação (PPI). Porém, disse que uma das principais estratégias do ministério sobre esse ponto tem sido a de aprovar marcos regulatórios que destravem investimentos privados vindos do exterior. “Acredito que o preço do petróleo vai estabilizar. Estamos aprovando os marcos legais para que o Brasil seja um porto seguro de investimentos. Com dólar e recurso internacional entrando, o preço do combustível cairá naturalmente”, apontou o ministro.
Ele rechaçou, ainda, a possibilidade de taxar o lucro de petroleira, a exemplo do que foi aprovado recentemente no Reino Unido e do que já ocorre na Índia. “Conversei com o ministro Paulo Guedes (da Economia) e vamos na direção oposta desses países. Não vamos aumentar nenhum tributo”, disse.
Ao público do festival da XP, Sachsida destacou outro projeto de lei, já enviado ao Congresso, que autoriza o País a vender sua parcela do óleo do pré-sal de contratos de partilha geridos pela estatal Pré-Sal Petróleo (PPSA). Conforme o ministro, o governo estima que a liquidação da parcela federal nos contratos de partilha renderia cerca de R$ 398 bilhões aos cofres federais.
Ele também defendeu a aprovação recente do PL que limitou o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre itens como diesel, gasolina e energia elétrica e cobrou da Petrobras a retomada das vendas de suas refinarias. “Eles precisam fazer a sua parte. Enquanto ministro de Minas e Energia, seguirei exigindo competição do setor, pois é a única maneira de proteger o consumidor brasileiro”, concluiu.

EUA estão mais parecidos com a América Latina

No período da manhã, o Expert XP 2022 contou com palestras de figuras internacionais como a do ex-secretário do Tesouro dos Estados Unidos Lawrence Summers. Em um bate-papo sobre a economia global com o CIO da XP Private, Artur Wichmann, e com o estrategista global da XP, Alberto Bernal, Summers avaliou que fatores como a aceleração da inflação observada no país norte-americano, acompanhada de políticas comerciais mais nacionalistas e da recente ascensão do ex-presidente Donald Trump, têm deixado os Estados Unidos mais parecidos com nações da América Latina.
Em junho, a inflação norte-americana subiu 1,0% em relação a maio, conforme apontou o Índice de Preços para Despesas com Consumo Pessoal  (PCE), usado como referência pelo Fed (o Banco Central americano) e 6,8% na comparação com junho de 2021, impulsionado por energia e pelos alimentos.
Segundo ele, o problema de inflação da maior economia do mundo não será resolvido sem danos à economia, e é bastante provável que o país enfrente um período de recessão. "A inflação não desaparecerá por conta própria e minha aposta é de que não sairemos dessa situação sem passarmos por uma recessão”, disse ele.
Conforme Summers, autoridades econômicas americanas ainda estão em um processo de negação do atual cenário econômico vivido por lá. "Será difícil sair bem-sucedido e reduzir a inflação de volta para a meta de 2% sem aumentar a taxa de juros para acima de 3,25%", afirma, acrescentando que as taxas de desemprego - hoje figurando em apenas 3,6% - também deverão subir.
Após começar o ano com taxa de juros zerada, o Federal Reserve, promoveu sucessivos aumentos para tentar conter a inflação do país. A elevação mais recente - 0,75% - ocorreu mês passado, passando para 2,5% ao ano.
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