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Economia

- Publicada em 23 de Junho de 2022 às 18:08

Dólar sobe a R$ 5,2298 com risco fiscal doméstico e temor de recessão global

Com isso, os ganhos em junho já são de dois dígitos (10,04%)

Com isso, os ganhos em junho já são de dois dígitos (10,04%)


PATRICIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC
Agência Estado
Após uma manhã de volatilidade, o dólar ganhou força ao longo da tarde e fechou próximo do limiar de R$ 5,23, no maior nível desde 11 de fevereiro. Ao fortalecimento da moeda americana no exterior, em meio a sinais de que a economia global pode estar se encaminhando para uma recessão, somou-se o aumento da percepção de risco fiscal doméstico diante iniciativas do governo e de seus aliados no Congresso para turbinar programas de transferência de renda.A escalada do dólar por aqui se deu em sintonia com a derrocada do Ibovespa a partir do início da tarde, quando o Broadcast noticiou que o líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), relatou que há discussões para mudanças na PEC dos Combustíveis. A ideia é usar para benefícios sociais os cerca de R$ 30 bilhões que seriam destinados para compensação a Estados que reduzissem ICMS sobre diesel e gás de cozinha. Na pauta, aumento do valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 até o fim do ano, elevação do vale-gás e voucher para caminhoneiros de até R$ 1 mil.Nas mesas de operação, comenta-se que o presidente Jair Bolsonaro, em desvantagens nas pesquisas eleitorais e acuado pelas acusações de corrupção no Ministério da Educação, tenta criar uma "agenda positiva" por meio de medidas populistas que ameaçam o já combalido teto de gastos - um pacote que acaba ofuscando os resultados fiscais positivos de curto prazo e aguça a busca por proteção na moeda americana.Com máxima a R$ 5,2335, registrada na última hora de negócios, o dólar encerrou o dia em alta de 1,02%, cotado a R$ 5,2298 - maior valor de fechamento desde 11 de fevereiro. Com isso, os ganhos em junho já são de dois dígitos (10,04%). No ano, contudo, a divisa apresenta desvalorização de 6,21%."O clima político está esquentando. Depois da pressão pela CPI da Petrobras, apareceu o escândalo no Ministério da Educação. O governo pode reagir expandindo mais os gastos, com benefícios como o vale-gás e o auxílios aos caminhoneiros", afirma o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho. "O fluxo cambial não está ajudando e agora aumentou o risco político. Aos poucos, a possibilidade de reversão das reformas vão sendo inseridas aos prêmios".O real também sofre pela perda de fôlego dos preços das commodities na esteira de indicadores que demonstram desaceleração da economia global em momento em que BCs desenvolvidos, em especial o Federal Reserve, ajustam a política monetária para combater a inflação. O índice de gerente de compras composto dos EUA (PMI, na sigla em inglês) caiu a 51,2 em junho, menor nível em cinco anos. Já o PMI composto da zona do euro cedeu de 54,8 em maio para 51,9 em junho, pior resultado em 16 meses. Na Alemanha, maior economia da região, o PMI composto recuou para o menor patamar em 6 meses. Os contratos futuros do petróleo voltaram a cair, com o tipo Brent, em baixa de 1,41%, a US$ 110,05 o barril. Já o cobre perdeu mais de 5% no mercado futuro, descendo à mais baixa cotação em 16 meses."A alta do dólar está muito relacionada a dados do PMI dos EUA, que vieram muito abaixo do esperado, o que reforça a cautela dos investidores. Além disso, o presidente do Federal Reserve (Jerome Powell) reafirmou que o compromisso de combate a inflação é incondicional. Isso pressiona as moedas emergentes", afirma a economista do Banco Ourinvest Cristiane Quartaroli, para quem o ambiente externo pesa mais para o real do que o quadro local.De fato, em audiência na Câmara dos Representantes do EUA, Powell falou duro contra a inflação, cujo patamar ele atribuiu em grande medida a uma demanda mais forte. Segundo o presidente do BC americano, a alta recente dos preços de energia torna "mais desafiadora" a tarefa do Fed de buscar um "pouso suave" da economia americana."A expectativa é que o juro americano deverá continuar a subir para pelo menos 3,75% ao ano. Há membros do Fed que desejam juro a 4% ou 4,25%, que garantiriam queda mais rápida da inflação", diz Velho, da JF Trust, acrescentando que os dados fracos da zona do euro aumentam as chances de recessão global e contribuem para o fortalecimento do dólar frente ao euro.A desvalorização do real só não é maior, dizem analistas, porque a taxa de juros local é elevada e desencoraja carregamento de posições compradas em dólar (que ganham quando a moeda americana se valoriza ante o real). Declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do novo diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, pela manhã reforçaram a perspectiva de ao menos mais um aumento da Selic, hoje em 13,25% ao ano, e manutenção da taxa básica em nível elevado ao longo de 2023, o chamado horizonte relevante da política monetária.
Após uma manhã de volatilidade, o dólar ganhou força ao longo da tarde e fechou próximo do limiar de R$ 5,23, no maior nível desde 11 de fevereiro. Ao fortalecimento da moeda americana no exterior, em meio a sinais de que a economia global pode estar se encaminhando para uma recessão, somou-se o aumento da percepção de risco fiscal doméstico diante iniciativas do governo e de seus aliados no Congresso para turbinar programas de transferência de renda.

A escalada do dólar por aqui se deu em sintonia com a derrocada do Ibovespa a partir do início da tarde, quando o Broadcast noticiou que o líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ), relatou que há discussões para mudanças na PEC dos Combustíveis. A ideia é usar para benefícios sociais os cerca de R$ 30 bilhões que seriam destinados para compensação a Estados que reduzissem ICMS sobre diesel e gás de cozinha. Na pauta, aumento do valor do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 até o fim do ano, elevação do vale-gás e voucher para caminhoneiros de até R$ 1 mil.

Nas mesas de operação, comenta-se que o presidente Jair Bolsonaro, em desvantagens nas pesquisas eleitorais e acuado pelas acusações de corrupção no Ministério da Educação, tenta criar uma "agenda positiva" por meio de medidas populistas que ameaçam o já combalido teto de gastos - um pacote que acaba ofuscando os resultados fiscais positivos de curto prazo e aguça a busca por proteção na moeda americana.

Com máxima a R$ 5,2335, registrada na última hora de negócios, o dólar encerrou o dia em alta de 1,02%, cotado a R$ 5,2298 - maior valor de fechamento desde 11 de fevereiro. Com isso, os ganhos em junho já são de dois dígitos (10,04%). No ano, contudo, a divisa apresenta desvalorização de 6,21%.

"O clima político está esquentando. Depois da pressão pela CPI da Petrobras, apareceu o escândalo no Ministério da Educação. O governo pode reagir expandindo mais os gastos, com benefícios como o vale-gás e o auxílios aos caminhoneiros", afirma o economista-chefe da JF Trust, Eduardo Velho. "O fluxo cambial não está ajudando e agora aumentou o risco político. Aos poucos, a possibilidade de reversão das reformas vão sendo inseridas aos prêmios".

O real também sofre pela perda de fôlego dos preços das commodities na esteira de indicadores que demonstram desaceleração da economia global em momento em que BCs desenvolvidos, em especial o Federal Reserve, ajustam a política monetária para combater a inflação. O índice de gerente de compras composto dos EUA (PMI, na sigla em inglês) caiu a 51,2 em junho, menor nível em cinco anos. Já o PMI composto da zona do euro cedeu de 54,8 em maio para 51,9 em junho, pior resultado em 16 meses. Na Alemanha, maior economia da região, o PMI composto recuou para o menor patamar em 6 meses. Os contratos futuros do petróleo voltaram a cair, com o tipo Brent, em baixa de 1,41%, a US$ 110,05 o barril. Já o cobre perdeu mais de 5% no mercado futuro, descendo à mais baixa cotação em 16 meses.

"A alta do dólar está muito relacionada a dados do PMI dos EUA, que vieram muito abaixo do esperado, o que reforça a cautela dos investidores. Além disso, o presidente do Federal Reserve (Jerome Powell) reafirmou que o compromisso de combate a inflação é incondicional. Isso pressiona as moedas emergentes", afirma a economista do Banco Ourinvest Cristiane Quartaroli, para quem o ambiente externo pesa mais para o real do que o quadro local.

De fato, em audiência na Câmara dos Representantes do EUA, Powell falou duro contra a inflação, cujo patamar ele atribuiu em grande medida a uma demanda mais forte. Segundo o presidente do BC americano, a alta recente dos preços de energia torna "mais desafiadora" a tarefa do Fed de buscar um "pouso suave" da economia americana.

"A expectativa é que o juro americano deverá continuar a subir para pelo menos 3,75% ao ano. Há membros do Fed que desejam juro a 4% ou 4,25%, que garantiriam queda mais rápida da inflação", diz Velho, da JF Trust, acrescentando que os dados fracos da zona do euro aumentam as chances de recessão global e contribuem para o fortalecimento do dólar frente ao euro.

A desvalorização do real só não é maior, dizem analistas, porque a taxa de juros local é elevada e desencoraja carregamento de posições compradas em dólar (que ganham quando a moeda americana se valoriza ante o real). Declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do novo diretor de Política Econômica do BC, Diogo Guillen, pela manhã reforçaram a perspectiva de ao menos mais um aumento da Selic, hoje em 13,25% ao ano, e manutenção da taxa básica em nível elevado ao longo de 2023, o chamado horizonte relevante da política monetária.
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