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Publicada em 21 de Novembro de 2023 às 18:39

Peça 'Arena Selvagem', do Grupo Cerco, traz reflexões sobre a desnaturalização da humanidade

 Espetáculo `Arena Selvagem`, do Grupo Cerco, completa cinco anos e está de volta para uma curta temporada, no Teatro de Arena

Espetáculo `Arena Selvagem`, do Grupo Cerco, completa cinco anos e está de volta para uma curta temporada, no Teatro de Arena

Felipe Paes/Divulgação/JC
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Adriana Lampert
Propondo uma série de reflexões sobre o comportamento humano, o espetáculo Arena Selvagem está de volta para uma curta temporada, no Teatro de Arena (av. Borges de Medeiros, 835). As sessões ocorrerem  a partir desta quarta-feira (22) até sábado (25), sempre às 20h, e os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla por valores que variam entre R$ 25,00 e R$ 60,00. 
Propondo uma série de reflexões sobre o comportamento humano, o espetáculo Arena Selvagem está de volta para uma curta temporada, no Teatro de Arena (av. Borges de Medeiros, 835). As sessões ocorrerem  a partir desta quarta-feira (22) até sábado (25), sempre às 20h, e os ingressos estão à venda pela plataforma Sympla por valores que variam entre R$ 25,00 e R$ 60,00. 
Dirigida por Inês Marocco, a montagem do Grupo Cerco estrou há cinco anos. Naquele momento, o coletivo completava uma década de existência e vencia um edital que celebrava os 50 anos do Teatro de Arena. Desde então, a peça já ganhou diversos prêmios (entre os quais, o Prêmio Açorianos de Melhor Direção em 2018, Prêmio Braskem em Cena 2019 de Melhor Espetáculo - pelo júri oficial e pelo júri popular; além do Prêmio Cenym 2019 de Melhor Espetáculo, Melhor Direção, Melhor Elenco, Melhor Adereços e Melhor Grupo) e conquistou um público cativo, que costuma esgotar os ingressos com antecedência. "O retorno do público foi bem surpreendente, pois nunca imaginamos que o espetáculo ia ter a receptividade que teve", afirma Inês, que também é professora de Teatro do Instituto de Artes da Ufrgs.
"Acredito que um dos motivos desta receptividade é o fato do espetáculo tratar de um tema muito atual, de forma bastante contundente, chamando atenção para o fato de o quanto o ser humano está se desnaturalizando ao se afastar da sua essência", emenda a artista. Reconhecida, em novembro, com o Prêmio Especial do Júri do Açorianos de Teatro Adulto 2022, pelo conjunto da obra e sua trajetória e dedicação às artes cênicas, Inês Marocco fundou o Grupo Cerco junto de alunos, agora todos formados.
Nestes 15 anos de trajetória, o coletivo também se destacou na cena teatral com produções como O sobrado e Incidente em Antares (baseados em obras de Erico Verissimo), o infantil Puli-Pulá e a opereta-rock Trago Sorte Mentira e Morte, premiada com quatro Açorianos 2022 de Teatro (melhor direção, melhor ator coadjuvante, trilha sonora e dramaturgia).  No caso de Arena Selvagem, a montagem foi construída através de pesquisa do grupo no Acervo Sonia Duro do Teatro de Arena, que conta com textos dramáticos (muitos desses, oriundos do antigo Departamento de Censura da Polícia Federal), além de livros de artes cênicas e videoteca.
Livremente inspirado em textos de Carlos Carvalho, Franz Kafka, Carlos Drummond de Andrade e do grupo, o roteiro do espetáculo reúne, ainda, conteúdos científicos e fragmentos de contos. Questionando o que é ser selvagem, o grupo convida o espectador a entrar em uma arena onde seres humanos encontram-se com sua animalidade. A cidade e a selva, a opressão e a liberdade, o instinto e a sobrevivência são contrapostos em meio à artificialidade criada pela civilização para distinguir humanos de outros animais. Em cena, Anildo Böes, Eduardo Schmidt, Elisa Heidrich, Kalisy Cabeda, Manoela Wunderlich, Martina Fröhlich, Marina Kerber e Philipe Philippsen revezam-se entre diversas personagens, executando, também, a trilha sonora autoral (assinada por Celso Zanini, Martina e Philippsen).
"As músicas das nossas montagens sempre são feitas por atores e atrizes do grupo", destaca Inês. "Somos um coletivo atuante em todos os níveis da criação, passando pela dramaturgia, trilha sonora, objetos, ideias de cenário e figurinos. A proposta é que os artistas pensem em tudo, e não somente em atuar; então o grupo já está habituado a fazer esse tipo de coisa, desde o inicio de sua trajetória", pontua. Ela emenda que cada equipe fica encarregada de uma tarefa.
No caso deste espetáculo, a assistência de direção é assinada pelas atrizes Kalisy e Manoela. Ambas ajudaram Inês a conduzir o grupo no processo criativo da peça, que contou com trabalho prático com técnicas dos animais, seminários e pesquisa com máscaras larvárias. Segundo a diretora, esse processo iniciou antes mesmo do coletivo se inscrever no edital que viabilizou o espetáculo. "Já tínhamos vontade de falar sobre o ser humano e seu comportamento de aspecto animal." Não à toa, a fisicalidade e a visceralidade estão presentes na encenação desta montagem, que conta com uma arena; assombra com figuras de rostos-máscaras fossilizados; provoca diretamente o público e expõe corpos em um jogo ininterrupto que vai da crueza ao deboche cáustico, passando pela busca de algum breve lirismo.

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