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Livros

- Publicada em 24 de Novembro de 2022 às 19:08

Jornalista morta, mais perguntas do que respostas

Jaime Cimenti
A bala que errou o alvo (Editora Intrínseca, 320 páginas, R$ 69,90, tradução de Jaime Biaggio) é o terceiro romance do autor, produtor e apresentador de televisão britânico Richard Osman. Suas obras anteriores, O clube das Quintas-Feiras e O homem que morreu duas vezes, se tornaram best-sellers internacionais e venderam mais de três milhões de exemplares, introduzindo na literatura mundial um improvável quarteto de detetives. O grupo é formado por idosos que vivem num retiro para aposentados no sudeste da Inglaterra e se reúnem nas quintas-feiras para desvendar mistérios, se envolver com a máfia e participar de um roubo de diamantes, entre outras aventuras.
A bala que errou o alvo (Editora Intrínseca, 320 páginas, R$ 69,90, tradução de Jaime Biaggio) é o terceiro romance do autor, produtor e apresentador de televisão britânico Richard Osman. Suas obras anteriores, O clube das Quintas-Feiras e O homem que morreu duas vezes, se tornaram best-sellers internacionais e venderam mais de três milhões de exemplares, introduzindo na literatura mundial um improvável quarteto de detetives. O grupo é formado por idosos que vivem num retiro para aposentados no sudeste da Inglaterra e se reúnem nas quintas-feiras para desvendar mistérios, se envolver com a máfia e participar de um roubo de diamantes, entre outras aventuras.
Neste A bala que errou o alvo, novo mistério do famoso Clube das Quintas-Feiras, os velhinhos detetives septuagenários acharam que aquela quinta-feira seria como outra qualquer, com as coisas finalmente voltando ao normal. Os detetives vão examinar o estranho caso de uma jornalista local assassinada dez anos atrás e cuja investigação é daquelas que deixa muito mais perguntas do que respostas.
Para complicar a jogada, Elisabeth,uma das duas mulheres do grupo, enfrenta um inimigo que lhe impõe uma tarefa ingrata: matar um velho conhecido ou, em caso de recusa, acabar morta. Enquanto ela luta com sua consciência, Joyce, Ibrahim e Ron seguem as pistas do homicídio, auxiliados por um grupo de comparsas bem eclético.
Entre saídas com celebridades e espiões, visitas à prisão, encontros românticos, novos amigos e envolvimento com um esquema internacional de lavagem de dinheiro, o Clube se lança numa aventura repleta de intrigas e comportamentos que ultrapassam facilmente os limites da legalidade. Desta vez, todavia, os riscos são bem maiores , bem como os segredos a serem revelados, dentro e fora da investigação.
Com seus personagens irresistíveis, altas doses de humor e inteligência e narrativa ágil e divertida, o autor mais uma vez mostra porque é considerado o rei da boa ficção de entretenimento.
 

Lançamentos

O Povo Brasileiro - A formação e o sentido do Brasil (Global Editora, 362 páginas, R$ 59,00), edição comemorativa dos 100 anos de nascimento do grande educador, político e escritor Darcy Ribeiro ( 1922-1997), traz, no dizer do professor Antônio Cândido, uma das dez obras essenciais para conhecer o Brasil.
Sou uma tola por te querer (Editora Planeta, 208 páginas, R$ 56,90), da consagrada atriz e escritora argentina Camila Sosa Villada, autora de O Parque das Irmãs Magníficas (Premio Sor Juana Inês de la Cruz) , traz contos que trazem a crueza humana (prostituição, violência etc), envoltos habilmente em contornos distópicos.
Sonhei com o anjo da guarda o resto da noite (Todavia, 160 páginas, R$ 59,90), de Ricardo Aleixo, celebrado poeta, performer, músico, artista visual e escritor, traz poemas, fotos e textos que mostram memórias evocativas e afiadas sobre família, andanças de rua, muito gingado e alta curiosidade artística.
 

Walter Benjamin, o grande pensador da modernidade

Walter Benjamin nasceu em 1892, filho de um casal de judeus de classe alta em Berlim, e faleceu em 1940. Ele deu fim à própria vida em Portbou, fronteira entre Espanha e França, após saber que seria capturado e enviado para um campo de extermínio. Ele tinha obtido um visto para os Estados Unidos e não conseguiu sair da França ocupada.
Benjamin estudou filosofia, literatura alemã e história da arte entre Freiburg, Berlim, Munique e Berna e, em 1933, mudou-se para a França, em função da ascensão dos nazistas ao poder. Trabalhou como escritor e tradutor e, de sua obra multifacetada, destacam-se O conceito de crítica de arte no romantismo alemão, Origem do drama barroco alemão, A tarefa do tradutor, História cultural do brinquedo, Infância em Berlim por volta de 1900 e A obra de arte na era de sua reprodutividade técnica, além do livro de aforismos Rua de mão única. Benjamin deixou o projeto, inacabado, Passagens, monumental trabalho no qual esboçou uma história do século XIX a partir das galerias comerciais parisienses.
Paris, a Capital do Século XIX - e outros escritos sobre cidades de Benjamin (L&PM Editores, 264 páginas, R$ 59,90, tradução do alemão de Cláudia Abeling e de trechos em francês de Gustavo de Azambuja Feix; organização, ensaio biobibliográfico, apresentação e revisão técnica de Márcio Seligman da Silva) reúne coletânea de ensaios extraídos das obras mais importantes do autor - Rua de mão única; Imagens do Pensamento; Passagens; Crônica berlinense; Infância em Berlim por volta de 1900 - e apresenta o pensador radical, capaz de explorar o nexo entre as facetas mais diversas da experiência humana .
Benjamin, como se sabe, foi um dos maiores e mais criativos pensadores da modernidade, um intelectual múltiplo, impossível de classificar e, como poucos, foi atento às mudanças na cultura e versou com profundidade sobre os mais diversos assuntos, do conceito de história à moda, praticamente reinventando a ideia de crítica. O fenômeno urbano, porém, foi um dos temas que mais despertaram seu interesse ao longo da vida.
Benjamin fala de Nápoles, Moscou, Weimar, Paris, Marselha, San Gimignano, Mar do Norte e Berlim, e , com base em diversos campos de saber, aliados ao pensar, mostra as cidades tanto do ponto de vista arquitetônico e urbanístico quanto da ocupação humana.
O escritor discorre proustianamente sobre sua Berlim natal, analisa a paisagem de cidades como Nápoles e Moscou e mostra as galerias comerciais de Paris como a quintessência da modernidade, ligando a esfera doméstica privada à ascensão da burguesia ou vendo nas poesias de Baudelaire um novo habitante das metrópoles. Benjamin deixou um legado único de reflexões sobre a ocupação humana do espaço urbano e a influência da arquitetura no dia a dia de uma cidade. Benjamin mostrou que quem não tem pátria sente-se em casa em toda parte. Ele amou sua Berlim natal e, se apaixonando por outras cidades, conquistou a apatricidade como um trunfo.
 

A propósito...

A seleção de ensaios deste volume consiste em um recorte que atravessa a obra de Benjamin de 1923 a 1940, ano de sua morte. Ele via as cidades como livros a serem lidos. Nas cidades tudo está em movimento e se interpenetra. Nada como o olhar arguto observador de Benjamin para pensar a experiência do existir, do flanar e do morar. "A porosidade é a lei dessa vida, que está para ser redescoberta a cada vez, inesgotavelmente. Uma pitada de domingo está escondida em cada dia útil, e quanto há de dias úteis nesse domingo!", escreveu o original pensador.
 
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