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JC Contabilidade

- Publicada em 26 de Julho de 2022 às 15:00

Auditoria é mercado em expansão no Brasil

Nos últimos dois anos, considerando as empresas de capital aberto, o segmento cresceu cerca de 14%

Nos últimos dois anos, considerando as empresas de capital aberto, o segmento cresceu cerca de 14%


our-team/br.freepik/divulgação/jc
Nícolas Pasinato
Em 1968, após a criação do registro de firmas de auditoria e auditores independentes, o Banco Central emitiu a resolução que tornou a prática da auditoria independente obrigatória nas demonstrações contábeis das empresas de capital aberto. Desde então, esse mercado não parou de crescer no País.

Em 1968, após a criação do registro de firmas de auditoria e auditores independentes, o Banco Central emitiu a resolução que tornou a prática da auditoria independente obrigatória nas demonstrações contábeis das empresas de capital aberto. Desde então, esse mercado não parou de crescer no País.

Nos últimos dois anos, considerando apenas as companhias que têm suas ações listadas na bolsa de valores, o segmento cresceu cerca de 14%, o que significa um aumento absoluto de 92 empresas auditadas no mercado nacional, subindo de 630 para 722, de acordo com dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Ainda no âmbito do mercado de valores mobiliários, existem cerca de 20 mil fundos de investimentos que também são auditados. A atividade, no entanto, não está restrita a esse campo, possuindo um número ainda maior de organizações de capital fechado que também são auditadas por diferentes razões, incluindo instituições financeiras, seguradoras, operadoras de planos de saúde e empresas familiares que possuem elevados padrões de governança.

O auditor independente pode ainda executar relatórios de auditoria para propósitos e finalidades variados, inclusive para temas que envolvem a agenda ESG, sigla que se refere às práticas ambientais, sociais e de governança, conforme explica a diretora de desenvolvimento profissional a nível nacional do Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon), Shirley Silva.

"Tudo isso representa um mercado dinâmico e pulsante em que a auditoria independente exerce um papel fundamental no funcionamento do mercado de capitais no Brasil, contribuindo para maior confiabilidade das informações, bem como sua transparência e adequação às normas e regulamentos alinhados com as melhores práticas internacionais", detalha.

Originária do termo em inglês "to audit", que significa examinar, ajustar, corrigir ou certificar, a auditoria possui justamente o propósito de promover transparência, confiabilidade e consistência sobre os registros, transações e operações das mais diferentes instituições e projetos.

No Brasil, a história da auditoria é relativamente recente. Conforme o artigo "Breve Retrospectiva do Desenvolvimento das Atividades de Auditoria no Brasil", de autoria de Álvaro Ricardino e Nelson Carvalho, a primeira empresa de auditoria a se instalar no Brasil foi a Deloitte Touche Tohmatsu, a qual está no país desde 1911.

Novas companhias do ramo foram surgindo no País, conforme investimentos estrangeiros foram entrando, uma vez que, associados a esses ativos, vieram exigências de verificação das demonstrações contábeis por auditores independentes.

Estudo sobre o setor realizado pela CVM e divulgado no ano passado mostrou que, atualmente, as Big-four, nomenclatura utilizada para se referir às quatro maiores empresas contábeis especializadas em auditoria e consultoria do mundo (PwC, KPMG, EY e Deloitte), detém uma parcela significativa da área, uma vez que 63% das empresas registradas na CVM foram auditadas por uma delas. Se incluirmos outras duas gigantes, a BDO e a Grant Thornton, essa porcentagem sobe para 79%. Em relação aos fundos de investimento, a concentração é ainda mais expressiva, já que as Big-four são responsáveis por mais de 90% das auditorias externas realizadas.

Se o cenário para quem deseja empreender no ramo apresenta desafios como o da concentração de mercado, para quem atua nele, a auditoria independente se mostra altamente demandante, em especial, de profissionais qualificados e com formação na área de Tecnologia da Informação (TI), conforme afirma a diretora de desenvolvimento profissional do Ibracon.

"A concorrência também por profissionais é acirrada. Desse modo, para se destacar profissionalmente, a formação do profissional e o seu desenvolvimento continuado são diferenciais. Manter-se atualizado do processo que se propõe a auditar e alinhado com as alterações das normas, certificações e legislação, além das boas práticas exercidas e adotadas pelo mercado torna-se fundamental", afirma Shirley.

 

Auditoria independente acompanhado as novas tendências de mercado

Outro aspecto que impulsiona o mercado de auditoria independente são as crises financeiras, diz Shirley Silva

Outro aspecto que impulsiona o mercado de auditoria independente são as crises financeiras, diz Shirley Silva


IBRACON/DIVULGAÇÃO/JC

O setor de auditoria independente no Brasil é bastante dinâmico e tem acompanhado as novas tendências de mercado, incluindo o processo de utilização de tecnologia de dados, impulsionados pelo blockchain. A análise é da diretora de desenvolvimento profissional a nível nacional do Instituto de Auditoria Independente do Brasil (Ibracon), Shirley Silva. Nesta entrevista, ela aborda as tendências da área e os desafios que o profissional que atua nela deve encarar para ser bem-sucedido. 

JC Contabilidade - De que forma o mercado de auditoria tem crescido no Brasil?

Shirley Silva- O mercado de auditoria independente no Brasil e no mundo cresce de maneira diretamente proporcional ao desenvolvimento econômico do País e ao desenvolvimento e maturidade do mercado de capitais de maneira geral. Outro aspecto que também impulsiona o mercado de auditoria independente são as crises financeiras que servem de aprendizado para a evolução da economia e concomitantemente para a profissão do auditor, contribuindo para a expansão da economia global e para o desenvolvimento do mercado de capitais. A globalização também influenciou de maneira significativa o mercado de auditoria independente, uma vez que a profissão passou por um longo processo de transformação que envolveu substancialmente a sua padronização ao nível mundial e sua expansão para a maioria dos países do mundo.

Contabilidade - De que maneira esse profissional deve se preparar neste cenário?

Shirley - Para se destacar profissionalmente, a formação do profissional e o seu desenvolvimento continuado são diferenciais. Manter-se atualizado do processo que se propõe a auditar e alinhado com as alterações das normas, certificações e legislação, além das boas práticas exercidas e adotadas pelo mercado torna-se fundamental. Outro ponto de destaque na preparação do auditor independente é o domínio de uma língua estrangeira, sendo que o espanhol pode ajudar, mas ter o inglês possibilita ao auditor trabalhar de forma mais ampla em qualquer segmento do mercado. Para aqueles que já estão aptos nesses idiomas, o mandarim pode ser um diferencial, já que o mercado chinês continua em expansão.

Contabilidade - Como o Ibracon tem buscado preparar os profissionais e empresas do setor em relação aos atuais desafios dessa atividade?

Shirley - O Ibracon oferece uma consistente grade de cursos que contam pontos para o Programa de Educação Profissional Continuada (PEPC) do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), realiza workshops, webinars e outras ações voltadas a prover conhecimento aos profissionais. Também promove, anualmente, a Conferência Brasileira de Contabilidade e Auditoria Independente, cuja 12ª edição será realizada nos dias 24 e 25 de outubro de 2022. O evento consolidou-se como o mais importante do País voltado à auditoria independente. Contando com especialistas do Brasil e do exterior, é fonte de informação, atualização sobre todos os aspectos da profissão e do mercado e networking. Nosso instituto mantém, ainda, permanente interação com entidades congraçadas e de interesse da profissão, órgãos reguladores, e exercita dinâmico e proativo processo de opinião e sugestões em audiências públicas ligadas ao setor, contribuindo para o aperfeiçoamento normativo.

Contabilidade - Quais são os principais desafios da atividade atualmente na sua opinião?

Shirley - As metas e prioridades da auditoria independente que têm merecido grande atenção do Ibracon traduzem os desafios mais relevantes da profissão, no sentido de reforçar sua importância para a economia, o mercado de capitais, a transparência, compliance e ética nos mercados e contribuição para que tenhamos um ambiente de negócios cada vez melhor, em benefício da sociedade. Nossos desafios dividem-se em três frentes: aporte tecnológico, relevância da profissão para o mercado e a sociedade e valorização das pessoas, a partir do respeito à diversidade e inclusão e do desenvolvimento continuado. A profissão também está altamente envolvida com os princípios de ESG (Ambiental, Social e Governança Corporativa) e com a criação de padrões para a asseguração dessas informações pelos auditores independentes.

Contabilidade - Na comparação com outros países, o Brasil é um país que ainda audita pouco?

Shirley - Essa é uma pergunta muito boa e depende do parâmetro de comparação que se utiliza. O Brasil segue as Normas Internacionais de Auditoria (ISA), então no tocante a profundidade do que fazemos estamos alinhados com as melhores práticas internacionais do setor. Porém, quando comparamos o tamanho do PIB brasileiro (12º colocado) e o número de empresas auditadas percebemos que ainda existe um gap grande de empresas que não contam com auditoria independente, mesmo em alguns casos já estando sujeitas aos limites impostos pela Lei n° 11.638 (sociedades com ativos acima de R$ 240 milhões e/ou receita acima de R$ 300 milhões). Os EUA, por sua vez, por ser o país com o maior PIB e com um nível maior de maturidade no mercado de capitais responde também pelo maior mercado de auditoria no mundo e, portanto, seria possível afirmar que é o mercado que mais audita. Alguns países europeus, como Alemanha, Inglaterra, França também possuem uma tradição maior de auditoria e tendem a ser mais regulados quando comparados com outros países com economia emergentes. No contexto dos Brics arriscaria dizer que o Brasil (4º colocado em termos de PIB, considerando somente os países que compõem os BRICS) estaria muito bem posicionado no ranking dos países que mais auditam.

Contabilidade - Como novas ferramentas, como o big data e data analytics, estão impactando o setor?

Shirley - Ferramentas tecnológicas, como Big Data e Data Analytics, podem beneficiar a atividade, principalmente quando combinadas com as técnicas tradicionais da profissão. Ao facilitar e agilizar tarefas antes feitas manualmente, acesso e tabulação de dados, por exemplo, a tecnologia permite aos auditores independentes dedicarem mais tempo às análises, exercitando o discernimento humano e o ceticismo de modo cada vez mais aprofundado. Isso impacta positivamente nossa atividade. Outro aspecto importante relacionado a isso é que em muitos casos podemos trabalhar com a totalidade da amostra a ser testada, ao invés de utilizarmos técnicas de amostragem que consistiam em testar uma parte da amostra. Isso representa um grande avanço no nosso processo de asseguração. 

Exigência por transparência é motor para o mercado de auditoria

Não fornecer transparência significa se afastar do seu cliente, diz Roger Maciel

Não fornecer transparência significa se afastar do seu cliente, diz Roger Maciel


ROGER MACIEL/ARQUIVO PESSOAL/JC
Para Roger Maciel, CEO da Russell Bedford Brasil, empresa britânica especialista em auditoria e serviços corporativos, não só a auditoria, mas o mercado de serviços técnicos encontra-se aquecido no Brasil, atualmente. "A necessidade de obtenção de resultados mais otimizados leva a busca de maior eficiência e esta é a nossa plataforma de trabalho. A auditoria é uma das ferramentas utilizadas, que consegue refletir uma fotografia da organização, direcionando para as mudanças necessárias", detalha.
Além da busca por excelência, outra fator que tem movimentado o segmento é uma exigência por mais transparência reivindicada, cada vez mais, por diferentes frentes do mercado. "A transparência vai do micro ao macro cenário, o colaborador necessita de transparência para saber para onde a empresa vai e se os valores estão alinhados aos seus próprios valores, bem como o mercado necessita de transparência para poder analisar a viabilidade de investimento", afirma. Segundo Maciel, não fornecer transparência para os stakeholders significa se afastar do próprio cliente.
Em uma mostra de como o mercado se encontra aquecido a companhia, recentemente, expandiu o seu negócio com a aquisição da da EACO Contabilidade, empresa com mais de quatro décadas de história. "Trabalhamos a expansão de várias formas. Uma delas se dá por meio de aquisições de escritórios com grande reconhecimento regional, como é o caso da EACO, uma empresa com mais de 44 anos de expertise, com atendimento focado no mercado do Paraná para serviços de outsourcing", conclui.  
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