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Cadernos#JC Contabilidade

JC Contabilidade

- Publicada em 08 de Junho de 2022 às 03:00

Mudanças a caminho na formação do profissional contábil

Liderada pelo CFC, proposta visa adequar a graduação em ciências contábeis à nova realidade do mercado

Liderada pelo CFC, proposta visa adequar a graduação em ciências contábeis à nova realidade do mercado


Student Studying Brainstorming C
Nícolas Pasinato
Desde o final de 2021, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) tem debatido, junto ao Ministério da Educação, possíveis alterações da Resolução CNE/CES n.º 10/2004, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, e guia as Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras. A partir de contribuições de profissionais, acadêmicos e estudantes de todo o País, o objetivo é elaborar uma proposta de mudança para o normativo e apresentá-la ao Ministério da Educação (MEC) ainda no primeiro semestre de 2022.

Desde o final de 2021, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) tem debatido, junto ao Ministério da Educação, possíveis alterações da Resolução CNE/CES n.º 10/2004, que institui as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências Contábeis, bacharelado, e guia as Instituições de Ensino Superior (IES) brasileiras. A partir de contribuições de profissionais, acadêmicos e estudantes de todo o País, o objetivo é elaborar uma proposta de mudança para o normativo e apresentá-la ao Ministério da Educação (MEC) ainda no primeiro semestre de 2022.

O objetivo da iniciativa é adaptar o curso de graduação em Ciências Contábeis à nova realidade de um mercado cada vez mais marcado pela tecnologia, ciência de dados, pautas ESG (sigla para ambiental, social e governança, em português), entre outros temas.

Durante o mês de maio, o CFC chegou a colocar em audiência pública a minuta que propõe as mudanças nas diretrizes curriculares do curso de contabilidade. Até o último dia 31, o documento esteve disponível, por meio da plataforma Participa Brasil, para contribuições e comentários de toda a classe contábil do País. Neste ano, também foi realizada uma reunião nacional com todos os presidentes das 24 Academias de Ciências Contábeis e outra com os presidentes dos 27 CRCs. O propósito foi o de buscar diferentes pontos de vista e enriquecer a minuta que entraria em audiência pública.

"Foi colocado em audiência pública uma reformulação daquilo que é a nossa leitura do que é importante para que o profissional de contabilidade continue atendendo aquilo que a sociedade espera dele, ou seja, suas competências, habilidades e atitudes", ressaltou o presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS), Márcio Schuch Silveira. Conforme Silveira, mesmo com todos os avanços recentes da sociedade, a classe segue com a mesma diretriz há mais de 20 anos.

O presidente do CFC, Aécio Dantas, por sua vez, ressalta que a essencialidade dos profissionais da contabilidade ficou ainda mais evidente durante a pandemia. Além disso, pontua que os contadores são grandes aliados da economia brasileira e, com isso, devem acompanhar as transformações do mercado.

"Considerando o impacto dos profissionais da contabilidade na economia e no desenvolvimento sustentável do país, precisamos manter o currículo de Ciências Contábeis atualizado e alinhado com o mercado. Dessa forma, formaremos profissionais aptos a atuarem com excelência", disse.

Em encontro com o CFC em abril deste ano, o secretário de Educação Superior do MEC, Wagner Vilas Boas de Souza, sinalizou posição favorável à revisão das diretrizes curriculares não só da contabilidade como de outras profissões. "Eu acho que é importante que as diretrizes curriculares dos cursos sejam periodicamente revisadas e atualizadas para atender à necessidade do mercado de trabalho. Afinal de contas, o que é tratado no ensino superior, o que é proporcionado de ensino, visa capacitar, da melhor forma possível, o então estudante para que ele se torne um profissional que atenda às necessidades do mundo do trabalho e o mundo do trabalho, como nós temos visto, tem mudado a cada dia", pontuou na ocasião.

Conforme o mais recente Censo da Educação Superior - um estudo elaborado pelo MEC em parceria com o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio de Teixeira (Inep) - o curso de Ciências Contábeis foi o quarto curso mais procurado no País em 2020, com 351.194 mil matrículas, ficando atrás somente de Pedagogia, com 816.427 mil, Direito, com 759.361 mil e Administração, com 626.813.

O estudo mostra ainda que, desde 2011, o curso de ciências contábeis aparece entre os cinco mais procurados entre os brasileiros. "É uma busca bastante significativa espalhada entre as quase 2 mil instituições de ensino em todo o Brasil", afirma o vice- presidente técnico do CRCRS Marco Aurélio Barbosa.

 

A mais democrática alteração em Ciências Contábeis desde 1945

Em entrevista, membro da comissão de ensino do CFC fala sobre o futuro da profissão contábil

Em entrevista, membro da comissão de ensino do CFC fala sobre o futuro da profissão contábil


MARCO AURÉLIO BARBOSA/ARQUIVO PESSOAL/JC

O curso superior de Ciências Contábeis foi reconhecido por meio do Decreto-Lei n.º 7.988, assinado pelo então presidente Getúlio Vargas, no dia 22 de setembro de 1945. Com duração de quatro anos, o curso contou, em sua primeira edição, com as disciplinas Contabilidade Geral, Organização e Contabilidade Industrial e Agrícola, Organização e Contabilidade Bancária, Organização e Contabilidade de Seguros, Contabilidade Pública e Revisões e Perícia Contábil.

Desde então, muita coisa mudou e a classe contábil tem buscado espelhar esses avanços com mudanças na estrutura curricular de seu curso de graduação, que o vice-presidente técnico do CRCRS Marco Aurélio Barbosa, membro da Comissão de Acompanhamento do Ensino do CFC e professor e coordenador adjunto do programa de Pós-Graduação em Contabilidade da Universidade Federal do Rio Grande (Furg) classifica como "a mais democrática e a mais profunda alteração desde 1945". "Fazer um trabalho que abrangeu todos os estados da federação e a discussão pública disponibilizada no gov.br foi um processo, que terá um ganho absurdo para a classe profissional", ressaltou. Nesta entrevista, ele conta como se deu até agora todo esse debate e analisa o atual momento da profissão.

JC Contabilidade - Como iniciou esse debate para alterar as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Curso de Graduação em Ciências Contábeis?

Marco Aurélio Barbosa - Começou com uma aproximação, ainda em 2021, quando o presidente do CFC, era o Zulmir Breda, junto ao Ministério da Educação para estudar a possibilidade de atualizar as diretrizes do ensino contábil. Isso também contou com a participação da presidente da Academia Brasileira de Ciências Contábeis (Abracicon), Maria Clara Cavalcante Bugarim. Houve uma boa recepção na solicitação do Conselho e, neste ano, já com o presidente Aécio Dantas Júnior, tivemos a posição afirmativa do MEC em relação à proposição das alterações nas diretrizes curriculares do curso de ciências contábeis. Vale dizer que essa é a mais profunda e mais democrática alteração desde 1945, quando os cursos surgiram, visto que estão sendo consultadas todas as bases de profissionais, professores e entidades associadas à contabilidade para que participem na construção das melhores diretrizes possíveis.

JC Contabilidade - Quais são as defasagens da atual diretriz curricular do curso de ciências contábeis na sua visão?

Barbosa - A defasagem é natural. A contabilidade é uma ciência social, a sociedade muda, evolui e, dessa forma, o ensino e as práticas também devem evoluir. Essa defasagem vai acontecer daqui a 20 anos e assim sucessivamente. A ideia é que se tenha um plano que possa ser atualizado, uma diretriz que possa ser contemplativa de algumas coisas do futuro, porém, infelizmente, ninguém tem uma "bola mágica" para enxergar tudo o que virá.

JC Contabilidade - É possível destacar alguma proposta de mudança no currículo neste movimento que está ocorrendo?

Barbosa - As principais mudanças são a transdisciplinaridade, que é uma proposta muito ousada do currículo e a propositura de questões ambientais e de sustentabilidade. Isso é algo que o mundo necessita e que já está sendo feito um movimento na Inglaterra, onde foi criado um board internacional para regulação das normas de evidenciação contábil a partir da ESG. Essas diretrizes já contemplam o que está na vanguarda da discussão atual na contabilidade, o que será um grande avanço para o ensino contábil brasileiro.

JC Contabilidade - Quais são as características que cada vez mais o profissional de contabilidade deverá exercitar?

Barbosa - As características principais estão relacionadas à comunicação e à tecnologia. Porém, tudo isso é um pano de fundo para dizer que a educação deve ser continuada. A habilidade do constante aprendizado e da constante busca por saber. Seja em cursos ou de forma autônoma, é muito importante para a qualificação dos profissionais. É preciso pensar que o diploma deveria ter prazo de validade e é muito importante que se pense sobre isso em relação ao profissional de contabilidade do futuro, pois a atualização e o aprendizado constante é inevitável para o sucesso da carreira.

JC Contabilidade - Como a tecnologia tem impactado a atuação do profissional de contabilidade recentemente?

Barbosa - O impacto da tecnologia nas práticas contábeis e na educação contábil é muito grande. Aquele software que antes era estanque no computador do escritório hoje passa ser em nuvem com acesso remoto. Os documentos fiscais chegam em forma digital, a informação flui com muito mais rapidez. As decisões são tomadas com muito mais propriedade e com base em muito mais informações do que há 10 anos. Entender esse processo dinâmico e o que a tecnologia pode trazer para o mercado e para o ensino como um todo é fundamental.

Contador precisará exercer perfil mais analítico e consultivo

Márcio Schuch Silveira defende que contador desenvolva características mais analíticas

Márcio Schuch Silveira defende que contador desenvolva características mais analíticas


CARLOSCHAVES/JC

Assim como em outras áreas, a tecnologia, com suas ferramentas de automação e robotização, tem transformado a atuação da contabilidade. Isso tem exigido do profissional contábil um papel cada vez mais analítico, mudanças que também fazem parte do debate em torno do currículo de ciências contábeis. Por exemplo: saber identificar problemas e dores do empresário e auxiliá-lo a solucioná-los passará a ser uma das tarefas primordiais.

"Busca-se uma atuação com o perfil mais consultivo que de execução, cuja atuação contribua diretamente para o maior desenvolvimento das empresas, geração de empregos e crescimento da economia nacional", defende José Donizete Valentina, coordenador da Câmara de Desenvolvimento Profissional do CFC.

O presidente do CRCRS, Márcio Schuch Silveira, lembra que atividades repetitivas e mecânicas serão cada vez mais deixadas a cargo das ferramentas e softwares que estão surgindo. "Muitas atividades estão sendo automatizadas e robotizadas, como o lançamento contábil", exemplifica.

Na mesma linha de Valentina, o contador defende que o profissional se desloque e passe para uma posição que priorize características mais analíticas. "É preciso conversar, participar de reuniões e incentivar o planejamento", elenca Silveira.

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