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cpi da Covid

- Publicada em 16h47min, 19/05/2021.

Pazuello sobre mortes: nossa resposta para estruturação de leitos não foi rápida

'Capacidade de tratar as pessoas poderia ter alcançado um outro nível', disse o general

'Capacidade de tratar as pessoas poderia ter alcançado um outro nível', disse o general


JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO/JC
O ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello atribuiu as mortes por Covid-19 no Brasil a "outros fatores" além do alto índice de contaminação, entre eles, a falta de estrutura médica e oferta de leitos. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, o ex-ministro afirmou que a capacidade do governo federal de implantar leitos dos SUS "não foi a mais rápida que poderia ser".
O ex-ministro da Saúde e general Eduardo Pazuello atribuiu as mortes por Covid-19 no Brasil a "outros fatores" além do alto índice de contaminação, entre eles, a falta de estrutura médica e oferta de leitos. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, o ex-ministro afirmou que a capacidade do governo federal de implantar leitos dos SUS "não foi a mais rápida que poderia ser".
"Pode haver uma curva de contaminação alta e uma curva de óbitos baixa ou pode haver simultâneas. Eu acredito que a curva de óbito tenha a ver com muitas outras estruturas ou muita falta de estrutura", disse Pazuello ao colegiado. Segundo o general, "a capacidade de tratar as pessoas poderia ter alcançado um outro nível".
Para a avaliação do ex-ministro, falas negacionistas do presidente Jair Bolsonaro sobre o fim da pandemia e redução da gravidade da doença, são "uma forma de cuidar da parte psicossocial" da população. O general, que mesmo discordando da abordagem de "imunidade de rebanho", disse que jamais seguiria ordens ou opiniões emanadas pelo presidente nas redes sociais.
O ex-ministro também atribuiu o agravamento da pandemia no País à liberdade médica para sugerir terapias à Covid-19 - fator defendido de modo ferrenho pelo presidente Jair Bolsonaro a fim de sugerir o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a doença. "A soberania médica de tomar posições faz com que não haja um alinhamento claro para o tratamento no nosso país. Existem médicos numa linha e médicos em outras linhas", afirmou Pazuello.
Apesar da fala, o ex-ministro disse descartar que o uso de medicamentos sem eficácia comprovada para o tratamento da Covid seja "um fator decisivo" para o número de óbitos no País. "Eu não sou um médico, mas por tudo que eu ouvi até agora, isso não é um fator decisivo", disse. Para Pazuello, a falta de uma busca imediata por atendimento quando confirmado o diagnóstico deve ter sido o fator principal para o aumento no número de óbitos por Covid no Brasil.

Tratamento precoce

No depoimento, Pazuello atribuiu à secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), Mayra Pinheiro, a autoria do ofício recomendando aos Estados brasileiros que "fosse difundido e adotado o tratamento precoce como forma de diminuir o número de internações e óbitos".
O tratamento precoce, ainda que falte comprovação de sua eficácia, é defendido por membros do governo federal como alternativa a medidas de prevenção como o distanciamento físico entre as pessoas e o uso de máscaras. Em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, Pazuello defendeu que "o atendimento imediato com a prescrição do médico, dos medicamentos disponíveis, reduz a quantidade de pessoas que vai chegar na fase de agravamento da doença".
"Se não controlássemos a entrada do sistema de saúde, o meio pacientes com sintomas de médio a grave seria impactado demais", disse Pazuello desenhando a curva com as mãos. "Em momento algum pode parar o atendimento imediato.
"Mayra deve ser ouvida amanhã (20) pelo colegiado. Conhecida pelo epíteto de "capitã cloroquina", a secretária chegou a pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) habeas corpus pelo direito de não se autoincriminar perante a CPI, porém o pedido foi negado. Apesar da defesa da prescrição médica para o uso do medicamento, Pazuello admitiu mais cedo em seu depoimento que quando foi acometido pela doença, em outubro do ano passado, mesmo sem recomendação do hospital que o atendeu, ele tomou "tudo que qualquer um podia me falar que tinha que tomar".

Oxigênio em Manaus

O ex-ministro voltou a dizer que só foi informado sobre os problemas de fornecimento de oxigênio em Manaus no dia 10 de janeiro. No entanto, ao tentar fazer novamente um esclarecimento sobre o assunto, Pazuello lembrou que, no dia 7 de janeiro, o secretário de Saúde do Estado ligou para ele, em seu telefone pessoal, para pedir ajuda no transporte de cilindros de oxigênio de Belém para Manaus, que iriam para o interior do Amazonas. Apesar disso, o ex-ministro afirmou que somente no dia 10 foi colocado a ele de "forma clara" sobre a crise.
A condução de Pazuello do caso é alvo de um inquérito em andamento. O ex-ministro disse à CPI que ficou com medo de estar "fazendo demais", em referência ao fato de ter transferido seu gabinete para Manaus na ocasião.
"Alguém pega seis secretários de saúde e embarca num avião para Manaus. Fiquei com medo de estar prevaricando, fazendo demais, não sabia nem o que eu ia encontrar em Manaus. E no dia 10 foi a primeira vez que secretário colocou de forma clara que havia problemas na logística e fornecimento de oxigênio para Manaus", disse Pazuello.
O ex-ministro alegou ainda que seus "olhos estavam sobre Manaus" desde o dia 28 de dezembro. Segundo ele, após o secretário estadual ligar a ele no dia 7 para pedir ajuda no transporte de cilindros, ele contatou o Ministro da Defesa e pediu que o auxílio fosse prestado. Com isso, o transporte teria começado a ser feito no dia 8 de janeiro, de acordo com Pazuello.
"Em momento algum, foi feita qualquer observação sobre colapso de oxigênio (antes do dia 10). No dia 8, determinei que fôssemos a Manaus, não pela falta de oxigênio, mas pelo colapso na rede de atendimento, embarcamos no dia 10 e fui direto para reunião", disse o ex-ministro.
Agência Estado
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