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ELEIÇÕES 2022

- Publicada em 21h17min, 08/03/2021.

No Congresso, centro avalia que decisão sobre Lula enfraquece frente ampla para 2022

Diagnóstico é de que uma disputa entre Lula e Bolsonaro tende a retomar a polarização política

Diagnóstico é de que uma disputa entre Lula e Bolsonaro tende a retomar a polarização política


MAURO PIMENTEL/AFP/JC
A decisão do ministro Edson Fachin (Supremo Tribunal Federal) de anular os processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e restaurar seus direitos políticos foi recebida com preocupação por líderes de partidos de centro. A avaliação tanto de deputados como de senadores é de que uma candidatura do petista enfraquece a formação de uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para as eleições presidenciais de 2022.
A decisão do ministro Edson Fachin (Supremo Tribunal Federal) de anular os processos contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e restaurar seus direitos políticos foi recebida com preocupação por líderes de partidos de centro. A avaliação tanto de deputados como de senadores é de que uma candidatura do petista enfraquece a formação de uma frente ampla contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para as eleições presidenciais de 2022.
O diagnóstico é de que uma disputa entre Lula e Bolsonaro tende a retomar a polarização política de 2018, deixando pouco espaço para o fortalecimento de uma terceira via.
Nesta segunda-feira (8), Fachin concedeu habeas corpus para declarar a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar quatro processos que envolvem Lula -o do tríplex, o do sítio de Atibaia, o de compra de um terreno para o Instituto Lula e o de doações para o mesmo instituto.
O ex-presidente está, portanto, com os direitos políticos recuperados e pode se candidatar a presidente em 2022. Segundo líderes petistas, Lula ainda não tomou uma decisão formal, mas já demonstrou disposição em tentar retornar ao comando do Palácio do Planalto.
Defensor da frente ampla para 2022, o ex-presidente da Câmara dos Deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) observa que Lula e Bolsonaro são posições fortes na política nacional e que caberá aos partidos de centro contruir um projeto.
"O que cabe agora para aqueles que se opõem ao PT e ao Bolsonaro que consigam construir um projeto de centro viável e que tenha chance de fazer o debate e o enfrentamento político com as duas posições mais fortes da política nacional", disse.
O líder do MDB no Senado Federal, Eduardo Braga (MDB-AM), acredita que ainda deve haver novos desdobramentos na tramitação do processo na justiça federal no Distrito Federal, por isso ainda é cedo para tratar da candidatura de Lula.
No entanto, Braga acredita que participação do petista não necessariamente fará solapar uma frente contra Bolsonaro, uma vez que ele duvida da possibilidade de haver a formação de uma grande aliança política já no primeiro turno da eleição de 2022.
"Só podemos falar em frente ampla contra Bolsonaro no segundo turno [das eleições]. No primeiro turno, é impossível se falar em frente ampla", completou.
Para o líder do PSB na Câmara dos Deputados, Danilo Cabral (PE), a decisão transforma Lula no candidato natural do PT e, assim, cabe aos partidos de centro articular um projeto alternativo.
"O PSB, através do seu processo de autorreforma, está formulando uma proposta para colocar em discussão junto à sociedade e pode, após concluído esse debate, apresentar uma alternativa própria para a disputa eleitoral", disse.
O senador Izalci Lucas (PSDB-DF) criticou a decisão de Fachin e disse que não tem dúvidas de que " há motivos para a cassação dos direitos políticos" de Lula. Ele descarta qualquer hipótese de estar lado a lado de Lula nas próximas eleições, mesmo que seja para derrotar Bolsonaro.
"Eu não tenho nenhuma dúvida [de que a participação de Lula atrapalha uma frente ampla]. Onde Lula estiver eu quero estar longe", afirmou.
Se o centro lamentou, congressistas de partidos de esquerda comemoraram a decisão de Fachin. A deputada federal Talíria Petrone (RJ), líder do PSOL na Câmara dos Deputados, afirmou que a decisão faz justiça.
"É a retomada do curso normal do devido processo legal que foi rompido através de uma manipulação jurídico-midiática, que, do nosso ponto de vista, consolidou um golpe institucional e abriu caminho para o bolsonarismo", afirmou.
"Não à toa, [o ex-ministro Sergio] Moro, o rei da Lava Jato, virou ministro do [presidente Jair] Bolsonaro. Então para nós o correto é isso, os direitos políticos de Lula foram corretamente retomados, e isso inclusive já deveria ter ocorrido em 2018".
A deputada federal Jandira Feghali (PC do B-RJ) parabenizou Fachin por tomar a "decisão correta, mesmo que tardia". "Essa posição já era defendida por vários juristas e desembargadores. Lula foi preso injustamente e agora retoma direitos políticos. Que venha a suspeição de Moro", escreveu em uma rede social.
Em caráter reservado, deputados bolsonaristas também avaliaram a decisão como favorável a Bolsonaro em um cenário de polarização política. Para eles, na conjuntura atual, seria melhor para o atual presidente enfrentar um nome com uma rejeição elevada como a dele.
Os aliados de Bolsonaro, contudo, observam que, apesar de o presidente ter um desempenho melhor em um cenário de polarização, é preciso avaliar se o atual desgaste de imagem causado pelo aumento de mortes com a pandemia do coronavírus pode fazer com que a sua rejeição supere a de Lula.
A decisão de Fachin causou insatisfação ainda a partidos que tradicionalmente defendem a Operação Lava Jato. Para o líder do Cidadania na Câmara dos Deputados, Alex Manente (SP), a decisão foi lamentável e representou um "retrocesso no combate à corrupção e impunidade".
"A Lava Jato contribuiu de maneira decisiva para que o Brasil avançasse no combate à corrupção dos poderosos, e essa é uma decisão que nós temos que lamentar, esperando que o Ministério Público recorra e que a turma no Supremo possa reverter essa decisão", disse.
Para Igor Timo (MG), líder do Podemos na Câmara dos Deputados, a decisão causa "perplexidade", depois de "mais de 400 recursos apresentados pela defesa do ex-presidente serem negados". "E também após trânsito em julgado na primeira e segunda instância e também no STJ", acrescentou.
Folhapress
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