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governo federal

- Publicada em 21h10min, 07/03/2021.

Antes de colapso, White Martins pediu transporte de oxigênio a assessores de Pazuello

Assessores de Pazuello teriam demorado a dar retorno sobre pedido de ajuda logística

Assessores de Pazuello teriam demorado a dar retorno sobre pedido de ajuda logística


FABIO RODRIGUES POZZEBOM/ABR/JC
Um email enviado pela White Martins ao Ministério da Saúde, obtido pela Folha de S.Paulo, mostra que a empresa pediu "apoio logístico imediato" para transportar 350 cilindros de oxigênio gasoso, 28 tanques de oxigênio líquido, 7 isotanques e 11 carretas com o insumo a Manaus. O pedido foi direcionado a dois coronéis do ministério e acabou não sendo atendido a tempo.
Um email enviado pela White Martins ao Ministério da Saúde, obtido pela Folha de S.Paulo, mostra que a empresa pediu "apoio logístico imediato" para transportar 350 cilindros de oxigênio gasoso, 28 tanques de oxigênio líquido, 7 isotanques e 11 carretas com o insumo a Manaus. O pedido foi direcionado a dois coronéis do ministério e acabou não sendo atendido a tempo.
Três dias depois, o oxigênio se esgotou nos hospitais e pacientes morreram asfixiados. O colapso deu início a uma crise que resultou, até agora, na transferência de 645 pacientes a outros estados. A omissão do ministro da Saúde, o general Eduardo Pazuello, diante de alertas sobre o que estava em curso e sobre o que viria a ocorrer levou à abertura de um inquérito pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é suspeito de ter cometido crimes.
Pazuello vem tentando apagar rastros dessa omissão. No último dia 27, seu número dois no ministério, coronel Élcio Franco, produziu um documento, enviado ao STF, para mudar a versão sobre um outro email da White Martins, por meio do qual a empresa alertava sobre a escalada da escassez de oxigênio. O próprio ministro havia escrito, também em documento oficial encaminhado ao STF, que sua pasta recebeu em 8 de janeiro o email com o alerta da empresa, fornecedora da rede hospitalar local. Franco, secretário-executivo do ministério, mudou a versão: o email só teria aparecido no dia 17 daquele mês. O colapso ocorreu no dia 14.
Já o pedido por "apoio logístico imediato" ficou registrado em email escrito por Lourival Nunes, diretor de Desenvolvimento de Negócios Medicinais da White Martins. Foi enviado em 11 de janeiro ao comitê de crise montado pelo governo do Amazonas e ao coronel Nivaldo Alves de Moura Filho, diretor de Programa da Secretaria-Executiva do Ministério da Saúde.
A empresa não respondeu sobre a quantidade de cilindros de oxigênio efetivamente transportada, com suporte do governo, antes do colapso no dia 14. O Ministério da Defesa também não forneceu essa informação. "As questões relativas à troca de mensagens entre o Ministério da Saúde e a empresa White Martins devem ser encaminhadas àquele ministério", afirmou.
A reportagem não obteve retorno do Ministério da Saúde até a publicação desta matéria.
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