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educação

- Publicada em 13h22min, 26/02/2021.

Alexandre Lopes é exonerado da presidência do Inep

Exoneração ocorre dois dias depois da reaplicação do Enem, que teve problemas nesta edição

Exoneração ocorre dois dias depois da reaplicação do Enem, que teve problemas nesta edição


MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO/DIVULGAÇÃO/JC
O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Alexandre Ribeiro Pereira Lopes, foi exonerado do cargo.
O presidente do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), Alexandre Ribeiro Pereira Lopes, foi exonerado do cargo.
A exoneração foi publicada na madrugada desta sexta-feira (26) no Diário Oficial da União, com a assinatura do ministro da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto. O substituto não foi nomeado na edição do Diário Oficial.
Também foi exonerado o chefe de gabinete da presidência do Inep, Marcelo Silva Pontes. A exoneração dele foi assinada pelo ministro da Educação, Milton Ribeiro.
Sob o guarda-chuva do Ministério da Educação (MEC), o Inep possui, entre suas atribuições, a realização do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), cuja nota é usada na seleção de vagas nas universidades e nos institutos federais.
A exoneração dos dois principais responsáveis pelo Instituto ocorre dois dias depois da reaplicação do Enem, que teve uma série de problemas nesta edição. A prova teve abstenção recorde e candidatos impedidos de fazer o exame por conta de salas superlotadas.
Integrantes do Inep e do Ministério da Educação (MEC) relataram à Folha preocupação com as próximas etapas do Enem, já que o órgão responsável pela organização da prova fica agora sem comando.
A exoneração surpreendeu integrantes do MEC, já que Lopes tinha na manhã desta sexta (26) um encontro com donos de faculdades privadas para discutir mudanças no Sinaes (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior).
Antes de assumir o instituto, em maio de 2019, Lopes ocupava a função de diretor legislativo na secretaria-executiva da Casa Civil.
Ele foi o terceiro presidente do instituto no governo Bolsonaro (sem partido). Nos cinco primeiros meses da atual gestão federal, duas outras trocas foram realizadas.
Marcus Vinícius Rodrigues e Elmer Vicenzi ficaram por um curto período à frente do instituto. Já Maria Inês Fini, que ocupava o cargo desde o governo Temer, foi exonerada no começo de janeiro de 2019.
Lopes já havia trabalhado com o ex-ministro da Educação da gestão Bolsonaro Abraham Weintraub que, antes de se tornar titular do Mec, era o número dois da então pasta comandada por Onyx Lorenzoni (Casa Civil).
Segundo o currículo de Lopes, ele é formado em engenharia química pela UFRJ e em direito pela UnB. É servidor público de carreira como analista de comércio exterior desde 1999.

Viés ideológico

Em artigo publicado na Folha, Alexandre Lopes defendeu a manutenção do Enem durante a pandemia de Covid-19. A realização do exame, no entanto, gerou um recorde de abstenção de inscritos, que temeram pela falta de medidas sanitárias efetivas durante a aplicação das provas.
Em entrevista à Folha após assumir o cargo, Lopes também disse que quem fizesse redação de esquerda no Enem não seria prejudicado.
Mas especialistas e servidores que elaboram o Enem temem, desde o início do governo Bolsonaro, por interferências na prova. O presidente em diversas ocasiões criticou o exame e chegou a dizer que, sob sua gestão, questões sobre alguns temas seriam barradas.
Bolsonaro já criticou em edições anteriores perguntas que abordavam racismo e homofobia. Neste ano, ele reclamou de uma questão que comparava os salários dos jogadores Marta e Neymar.
"Você vê as provas do Enem. O banco de questões do Enem não é do meu governo ainda, é de governos anteriores. Tem questões ali ridículas ainda, ridículas", disse Bolsonaro na ocasião.
Em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, o Inep criou uma comissão para censura ideológica de temas no banco de itens, que agrupa as questões usadas nos exames federais. O Inep nunca divulgou quais temas e questões foram barrados.
A comissão vetou 66 perguntas que foram avaliadas como tendo "abordagens controversas" e "teor ofensivo". Os itens condenados estão, principalmente, nas áreas de ciências humanas e linguagens, 29 e 28 itens respectivamente. Outros 5 eram de ciências da natureza e 4, de matemática.
A criação da comissão veio a pedido de Bolsonaro, que antes acumula críticas, de teor ideológico, sobre questões do Enem. As duas edições do exame a cargo deste governo deixaram de contar, de forma inédita, com perguntas sobre a ditadura militar no Brasil (1964-1985), período marcado por restrições civis e tortura, mas elogiado e defendido por Bolsonaro e apoiadores.
Bolsonaro tem um discurso de minimização do racismo, problema que ele já disse que não existe no país.
Folhapress
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