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justiça

- Publicada em 13h18min, 12/11/2020.

Advogado ligado aos Bolsonaros, Wassef é acusado de injúria racial por garçonete

Garçonete afirma que foi chamada de 'macaca' por Wassef durante o expediente

Garçonete afirma que foi chamada de 'macaca' por Wassef durante o expediente


FABIO MOTTA/AFP/JC
Atendente da Pizzaria Hut localizada em um shopping de Brasília registrou na Polícia Civil um boletim de ocorrência contra o advogado Frederick Wassef por injúria racial. Wassef foi advogado da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Atendente da Pizzaria Hut localizada em um shopping de Brasília registrou na Polícia Civil um boletim de ocorrência contra o advogado Frederick Wassef por injúria racial. Wassef foi advogado da família do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
A garçonete Danielle da Cruz Oliveira, de 18 anos, procurou a 1ª Delegacia de Polícia de Brasília na noite desta quarta-feira (11) e afirmou que foi chamada de "macaca" por Wassef durante seu expediente no estabelecimento comercial.
Procurado pela Folha de S.Paulo, o advogado não atendeu as chamadas e não respondeu a uma mensagem enviada pelo aplicativo WhatsApp.
De acordo com Danielle, Wassef esteve no estabelecimento no domingo dia 8, por volta das 21h, e reclamou da pizza consumida no local: "Essa pizza não tá boa. Você comeu?", narrou ela na delegacia. No que respondeu "não", Danielle afirmou que o advogado retrucou dizendo "você é uma macaca! Você come o que te derem".
A garçonete afirmou ainda ter dito que ele "não é melhor do que ninguém, você é o único que reclamou da pizza". Na versão dela, o advogado disse "de onde eu venho, serviçais não falam com o cliente", deixando o local em seguida.
Eduardo Alves dos Santos, gerente da pizzaria, esteve na delegacia e reforçou o relato de Danielle. Ele disse aos policiais ter ouvido "claramente" Wassef chamando a funcionária de "macaca e a humilhando".
O gerente disse ainda que tentou falar com o advogado na saída, alertando-o que aquilo seria um caso de polícia, mas que Wassef "não deu ouvidos" e foi embora. Eduardo afirmou ainda que incentivou Danielle a registrar o boletim de ocorrência.
A garçonete afirmou que o advogado é cliente frequente do estabelecimento, porém "é conhecido por se tratar de uma pessoa arrogante e que destrata e ofende funcionários. E, segundo ela, não foi a primeira vez que lhe dirigiu agressões verbais.
Na versão de Danielle, Wassef disse em outra ocasião que não queria ser atendido por ela porque "é negra, tem cara de sonsa" e não saberia anotar o pedido. E que o advogado chegou a jogar no chão uma das caixas vazias do mostruário, mandando ela pegar.
Apura-se o caso de injúria racial, especificado no artigo 140 do Código Penal. É quando uma ou mais vítimas são ofendidas pelo uso de elementos referentes à raça, cor, etnia, religião e origem. O tipo penal é crime inafiançável, com pena de reclusão de um a três anos, também com multa.
Folhapress
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