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Eleições 2020

- Publicada em 14h33min, 28/09/2020. Atualizada em 14h34min, 28/09/2020.

Em segundo debate, candidatos à prefeitura de Porto Alegre criticam gestão Marchezan

Fernanda Melchionna e ex-prefeito José Fortunati fizeram as críticas mais severas à gestão tucana

Fernanda Melchionna e ex-prefeito José Fortunati fizeram as críticas mais severas à gestão tucana


LEONARDO CONTURSI/CMPA/JC, Luiza Prado/JC e JONATHAN HECKLER/Arquivo/JC
Marcus Meneghetti
Os candidatos à prefeitura de Porto Alegre trocaram farpas nesta segunda-feira (28), no segundo debate das eleições municipais de 2020. O evento, realizado pela Rádio Gaúcha, permitiu que os 13 nomes que disputam o paço municipal fizessem perguntas aos adversários – o que, em diversos momentos, acirrou o ânimo dos postulantes.
Os candidatos à prefeitura de Porto Alegre trocaram farpas nesta segunda-feira (28), no segundo debate das eleições municipais de 2020. O evento, realizado pela Rádio Gaúcha, permitiu que os 13 nomes que disputam o paço municipal fizessem perguntas aos adversários – o que, em diversos momentos, acirrou o ânimo dos postulantes.
O debate aconteceu no formato de drive-in: os candidatos estacionaram seus carros no estacionamento da emissora e responderam às perguntas dentro dos veículos. Foram três blocos. No primeiro, responderam a perguntas da população. No segundo, fizeram perguntas uns aos outros. No terceiro, fizeram as considerações finais.
Como era esperado, vários candidatos criticaram – direta ou indiretamente - a gestão do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). As principais críticas foram feitas pelo ex-prefeito José Fortunati (PTB) e a deputada federal Fernanda Melchionna (PSOL). No início do mandato, Marchezan reclamou publicamente das contas públicas deixadas pelo antecessor, Fortunati, criticando-o nominalmente. Melchionna foi uma das principais vereadoras de oposição à gestão tucana até 2018, quando se elegeu deputada federal.
Aliás, Fernanda também foi uma das principais vozes de oposição na Câmara Municipal durante a gestão de Fortunati no paço municipal (entre 2010 e 2016; na época, era filiado ao PDT). Mesmo assim, os dois se alternaram nas críticas mais severas à administração de Marchezan.
No segundo bloco, Fortunati destinou sua pergunta a Fernanda. O petebista lembrou que seu governo formulou o Programa Melhoria na Educação, que angariou um financiamento no Banco Mundial de U$ 80 milhões sem contrapartida, o equivalente a R$ 445 milhões. “Conseguimos o financiamento depois de três anos de negociação. Este governo (de Marchezan) simplesmente extinguiu o programa em abril de 2017. O que pensa sobre isso, Fernanda, você que votou a favor do programa na Câmara?”
Fernanda iniciou explicando que, embora fizesse “oposição firme” à Fortunati, o PSOL seguia uma linha de votar favoravelmente a bons projetos. E seguiu: “Marchezan simplesmente perdeu esse dinheiro. Fico me perguntando qual é o prefeito que perde mais de R$ 400 milhões para escolas públicas? Ainda mais nesse momento que estamos precisando de recursos para garantir qualidade nas escolas e a volta às aulas com segurança, não goela abaixo como está querendo o prefeito”.
Fortunati complementou: o programa era para a formação continuada dos professores através do mestrado e doutorado, a construção de escolas infantis e laboratórios de informática. O governo Marchezan, em abril 2017, mandou um projeto para a Câmara dando fim ao programa.
Durante a suas falas, Marchezan contra-atacou – acusando o governo Fortunati de ter cometido irregularidades ao pagar uma gratificação de R$ 8 mil a servidores filiados ao PDT (que era o partido de Fortunati na época). “Fortunati pagou durante três anos gratificações de R$ 8 mil para membros do PDT. Perdemos os recursos (para a educação), porque ele afundou Porto Alegre, tanto que ele teve as contas reprovadas em 2016”, retrucou.
Mais adiante, Fortunati reclamou que Marchezan não poderia dizer que suas contas haviam sido reprovadas, porque a Justiça ainda não emitiu uma decisão definitiva sobre as contas do ex-prefeito. E justificou: “pagamos contribuições para que os servidores pudessem fazer um projeto importantíssimo na área de educação, devidamente acordado com o Banco Mundial, com pessoas devidamente qualificadas tecnicamente”.
Mais tarde, foi a vez de Fernanda perguntar a Fortunati: “para justificar as medidas antisservidores e o desmonte do Dmae (Departamento Municipal de Águas e Esgoto), o prefeito tem argumentado que tu, Fortunati, entregaste a prefeitura quebrada. Entregaste?”
O ex-prefeito começou acusando o tucano de usar “fake news a todo o momento” e de ter acabado “com o sistema de transparência que havíamos implantado, avaliado com nota 10 pelo Ministério Público Federal e Tribunal de Contas do Estado”. Em seguida, disse que o atual prefeito vem “inchando o orçamento, colocando despesas que não seriam realizadas”.
“Por exemplo, todos os anos a prefeitura tem um gasto de cerca de R$ 6 bilhões. Em 2018, ele colocou um gasto de R$ 7,2 bilhões, o que daria um déficit de 708 milhões. Só que a prefeitura acabou 2018 com R$ 366 milhões em caixa. Em 2019, o orçamento foi inchado para R$ 8,4 bilhões, o que daria um déficit de R$ 918 milhões, mas a prefeitura terminou o ano com R$ 572 milhões em caixa”, arrematou.

Acusações de Fernanda geram direito de resposta ao prefeito

Nas considerações finais no segundo debate eleitoral, realizado nesta segunda-feira (28) pela Rádio Gaúcha, Fernanda Melchionna (PSOL) acusou o prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) de corrupção, baseado no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Municipal, que recomentou o indiciamento do prefeito depois de investigar denúncias de irregularidades no Banco de Talentos da prefeitura. A afirmação rendeu direito de resposta ao prefeito.
A frase que rendeu a resposta foi a seguinte: “Nós, do PSOL, PCB e UP (coligação de Fernanda), entendemos que a prioridade é derrotar o projeto autoritário, neoliberal e corrupto representado pelo governo Marchezan. C orrupto, como bem demonstrado pela CPI presidida pelo vereador Roberno Robaina (PSOL), na Câmara de Vereadores”.
O tucano respondeu: “a candidata Melchionna, por falta de estudo, por falta de preparação para este debate, optou por fazer agressões pessoais e infundadas. Se conhecesse mais as gestões anteriores, teria feito suas denúncias enquanto era vereadora. Denúncias que a que fizemos no Demhab (Departamento Municipal de Habitação), que levou a polícia ao gabinete de parlamentares. Fasc, Instituto Solus, DEP, Procempa. Onde estava a vereadora Fernanda Melchionna (nas denúncias que envolveram esses órgãos)?”
Fernanda também pediu direito de resposta, pois, quando era vereadora, denunciou na tribuna da Câmara casos citados pelo prefeito. Entretanto, a produção do debate não concedeu. A gestão de Marchezan também foi criticada pelo ex-vice-prefeito Sebastião Melo (MDB), Manuela d’Ávila (PCdoB), Luiz Delvair Martins Barros (PCO), Montserrat Martins (PV).
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