Porto Alegre, quinta-feira, 19 de março de 2020.

Jornal do Comércio

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Notícia da edição impressa de 19/03/2020. Alterada em 19/03 às 03h00min

Suprema Corte libera julgamento virtual para todos os casos

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, ampliou o uso do plenário virtual para todos os julgamentos da corte. A medida foi tomada em sessão administrativa como uma alternativa para não paralisar os trabalhos do tribunal frente ao agravamento da pandemia do coronavírus.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, ampliou o uso do plenário virtual para todos os julgamentos da corte. A medida foi tomada em sessão administrativa como uma alternativa para não paralisar os trabalhos do tribunal frente ao agravamento da pandemia do coronavírus.

Agora, todos os processos, a critério do relator, podem ser submetidos daqui para frente a julgamento eletrônico. A decisão deixa brecha para que qualquer ministro leve ao plenário físico o julgamento. A decisão foi tomada na reunião administrativa desta terça-feira. De maneira inédita, a reunião que ocorre, normalmente, a portas fechadas foi transmitida pela TV Justiça.

"Todos nós entendemos que é uma situação emergencial", afirmou. O plenário virtual permite tecnicamente julgamentos não presenciais na corte. As sessões são realizadas semanalmente, com início às sextas-feiras, e o relator de determinada ação submete o caso para julgamento já com ementa e seu voto. A partir daí, em sete dias, todos os ministros devem apresentar seu voto.

Os ministros que acompanharem o relator precisam dizer que votam da mesma maneira. Caso haja divergência ou fundamentação diferente, os ministros devem proferir seu voto no plenário virtual. Quem acompanhar a divergência, também pode dizer que votam com o ministro divergente.

Uma das críticas ao uso do plenário virtual vem das bancas de advocacia que afirma que o meio limita a argumentação em alguns casos. Os argumentos que respaldam os votos só são conhecidos com a publicação dos acórdãos.

"É um passo largo para acabar com as sessões presenciais", afirmou o ministro Marco Aurélio de Mello, que foi o único a votar contrário a aprovação da resolução.

Mello também ressaltou que o plenário virtual não permite a troca de ideias entre os ministros e não permite a advogados de pontuarem seus pontos de vistas durante o julgamento.

As decisões também se tornam menos acessíveis já que a sessão virtual não é transmitida pelo YouTube ou pela TV Justiça, tal como é a sessão plenária.

O julgamento presencial, aliás, é apontado por ministros da Corte como um dos motivos para julgamentos mais longos no STF.

Atualmente, já há mais julgamentos no plenário virtual do STF do que no plenário. Até o dia 2 de abril, só este ano, estão previstos 1.461 julgamentos eletrônicos. No mesmo período, há previsão de 559 processos irem para julgamento no plenário e nas turmas.

Em junho do ano passado, o STF já havia ampliado o número de processos que podem ser julgados no plenário virtual, aceitando a análise da constitucionalidade de leis serem feitas em julgamento eletrônico, se houver jurisprudência consolidada sobre o assunto.

A decisão também permitiu decisões liminares em ações diretas de inconstitucionalidade sem jurisprudência consolidada.

É possível julgar pelo plenário virtual agravos internos, regimentais e embargos de declaração, medidas cautelares em ações de controle concentrado, o referendo de medidas cautelares, de tutelas provisórias e todas as classes processuais, incluindo recursos extraordinários com repercussão geral reconhecida.