Porto Alegre, sábado, 26 de setembro de 2020.
Dia Nacional dos Surdos.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sábado, 26 de setembro de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

investigação

- Publicada em 03h00min, 21/02/2020.

Corpo de capitão Adriano foi submetido a nova necropsia no Instituto Médico Legal

O corpo do ex-PM Adriano da Nóbrega passou um novo exame cadavérico na tarde desta quinta-feira (20), no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro. Apontado pela Polícia do Rio como chefe do Escritório do Crime, uma milícia com atuação na zona oeste da capital fluminense, Nóbrega foi morto com dois tiros em Esplanada, no interior da Bahia, no último dia 9.
O corpo do ex-PM Adriano da Nóbrega passou um novo exame cadavérico na tarde desta quinta-feira (20), no Instituto Médico Legal (IML) do Rio de Janeiro. Apontado pela Polícia do Rio como chefe do Escritório do Crime, uma milícia com atuação na zona oeste da capital fluminense, Nóbrega foi morto com dois tiros em Esplanada, no interior da Bahia, no último dia 9.
"Capitão Adriano", como era conhecido, foi baleado depois que a polícia invadiu o sítio onde ele estava escondido. Segundo a PM, houve troca de tiros. A família de Nóbrega, no entanto, diz que ele foi executado.
A Justiça da Bahia autorizou na noite de terça-feira, a realização do novo exame. O pedido havia sido feito pelo Ministério Público da Bahia e também pela família de Nóbrega. Na decisão, o juiz Augusto Yuzo Jouti determina que o exame seja feito por peritos do IML do Rio, onde o corpo está desde o último domingo. De acordo com a decisão, no entanto, a família e o MP da Bahia podem indicar peritos independentes para acompanhar o exame.
O objetivo do novo exame é determinar a distância aproximada entre os policiais e Adriano, o trajeto percorrido pelas balas no interior do corpo do ex-PM e o calibre das armas usadas. Será possível averiguar também se houve tortura, como foi alegado pelo senador Flavio Bolsonaro (sem partido-RJ).
Segundo os promotores, tais questões não foram devidamente esclarecidas na primeira necropsia, feita no IML de Alagoinha, cidade vizinha à Esplanada. Com esses esclarecimentos, acreditam, será possível determinar se houve, de fato, uma troca de tiros ou uma execução.
A Secretaria de Segurança da Bahia informou que estão pendentes ainda os resultados de exames importantes feitos no Estado. São eles o residuográfico (que determina se Nóbrega, de fato, fez algum disparo de arma de fogo), o das marcas de bala no escudo usado pela PM na invasão do sítio (o que poderia indicar uma reação) e o da perícia da casa onde ele foi alvejado.
Adriano da Nóbrega é investigado no Rio por sua participação no Escritório do Crime, o braço armado da milícia. O MP também apura a ligação do ex-oficial com o esquema de rachadinha (repasse dos salários ao parlamentar) no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. A mãe de Nóbrega, Raimunda Veras Magalhães, e a ex-mulher Danielle Mendonça, trabalharam no gabinete. O então deputado estadual também assinou projeto que resultou na concessão ao ex-policial da Medalha Tiradentes, mais elevada homenagem do Legislativo fluminense. Na ocasião, Adriano da Nóbrega estava preso, respondendo a processo por assassinato, acusação de que, posteriormente, se livrou.
Nóbrega estava foragido havia cerca de um ano, quando foi localizado na Bahia. O corpo foi trazido para o Rio de Janeiro na terça-feira à noite, em voo comercial. A mãe do ex-oficial pretendia cremá-lo já na manhã de quarta-feira, no Memorial do Carmo, no Caju, mas foi impedida pela Justiça.
Na madrugada de quarta-feira, a juíza Maria Izabel Pena Pieranti, do Plantão Judiciário, sustentou que o pleito da família não atendia aos requisitos da lei. O requerimento, segundo ela, não estava acompanhado de documentos imprescindíveis, como a guia de remoção do cadáver e o registro de ocorrência. Além disso, alegou, a morte não se deu por causas naturais: "acaso fosse deferida a cremação, (...) inviabilizadas estariam eventuais providências a serem levadas a efeito pela autoridade policial".
 

'Já fui várias vezes', diz Bolsonaro sobre visitas à prisão

O presidente Jair Bolsonaro disse nesta quinta-feira que já foi várias à prisão. A declaração foi dada em resposta a uma pergunta sobre a revelação feita pelo vereador Ítalo Ciba (Avante), do Rio de Janeiro. Em entrevista ao Globo, o parlamentar contou que o senador Flávio Bolsonaro (sem partido-RJ), filho do presidente, o visitou na prisão "mais de uma vez". Na época, Ciba, que é sargento da PM, estava preso com o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega, morto em operação da PM da Bahia no dia 9 de fevereiro.

"Bota aí: eu já fui várias vezes ao BEP, Batalhão Especial Prisional lá do Rio de Janeiro. Eu já fui ao presídio da Marinha no passado também", disse Bolsonaro.

Ciba integrava o Grupamento de Ações Táticas (GAT) do 16º BPM (Olaria), comandado por Adriano. Segundo ele, o ex-capitão do Bope frequentava o gabinete de Flávio quando era deputado estadual a convite de Fabrício Queiroz, ex-chefe da segurança de Flávio. O senador vem dizendo que sua relação com Adriano se resumiu a reconhecer seu trabalho contra o crime no Rio.

Questionado sobre as visitas, Flávio respondeu, por nota, que esteve apenas uma vez na cadeia, em 2005, para ver Adriano e entregar a medalha Tiradentes - maior honraria concedida pela Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). "Não há nenhuma relação de Flávio Bolsonaro ou da família com Adriano", diz a nota.

Comentários CORRIGIR TEXTO