Porto Alegre, segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020.
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Entrevista especial

Notícia da edição impressa de 24/02/2020. Alterada em 23/02 às 21h36min

PSL prevê 50 candidatos a prefeito no Estado, afirma presidente estadual da sigla

Estamos fazendo um mutirão para legalizar o maior número de diretórios, diz Nereu Crispim

Estamos fazendo um mutirão para legalizar o maior número de diretórios, diz Nereu Crispim


NÍCOLAS CHIDEM/JC
Marcus Meneghetti
O presidente estadual do PSL, deputado federal Nereu Crispim, revelou que o partido planeja lançar 50 candidatos a prefeito no Rio Grande do Sul nas eleições 2020. Nas chapas proporcionais, a ideia é lançar candidatos a vereador em mais de 100 municípios gaúchos. Entretanto, Crispim admite que, para cumprir as metas, a sigla precisa correr contra o tempo para regularizar os diretórios municipais.
O presidente estadual do PSL, deputado federal Nereu Crispim, revelou que o partido planeja lançar 50 candidatos a prefeito no Rio Grande do Sul nas eleições 2020. Nas chapas proporcionais, a ideia é lançar candidatos a vereador em mais de 100 municípios gaúchos. Entretanto, Crispim admite que, para cumprir as metas, a sigla precisa correr contra o tempo para regularizar os diretórios municipais.
"Temos grupos formados (de filiados ao PSL) em 290 cidades. Mas, desse total, 163 municípios têm o diretório municipal do PSL legalizado. Por isso, estamos fazendo um mutirão para arrumar os documentos para legalizar o maior número possível de diretórios municipais", explicou Crispim.
Além da formalização dos diretórios municipais, o PSL vai enfrentar outro desafio: organizar a campanha em meio ao racha dentro do partido, visto que uma parte significativa dos filiados vai migrar para o partido idealizado pelo presidente Jair Bolsonaro, Aliança pelo Brasil. Por exemplo, dos quatro deputados federais gaúchos do partido, apenas Crispim vai permanecer na legenda. Na bancada de deputados estaduais, a tendência é que os três deputados migrem para o Aliança.
Nesta entrevista ao Jornal do Comércio, o dirigente também falou de uma vantagem do partido em relação aos outros nesta eleição: o segundo maior tempo de rádio e TV e uma das maiores fatias do fundo eleitoral. "É realmente um atrativo." Também garantiu que, apesar da evasão no PSL, a sigla permanecerá fiel às pautas defendidas por Bolsonaro na campanha de 2018. 
Jornal do Comércio - O que o PSL gaúcho espera das eleições municipais de 2020?
Nereu Crispim - Criamos uma bela base eleitoral, independentemente da votação do presidente Bolsonaro. Mostramos a essa base que o PSL é o partido da renovação, alinhado com as pautas de "Mais Brasil e Menos Brasília". Buscamos aproximar os políticos dos eleitores, o governo federal dos municípios. Há a necessidade de transformar as administrações municipais. Todas as semanas, vejo prefeitos batendo nos gabinetes dos deputados federais, atrás de verbas para a saúde, a segurança, a educação. Temos que mudar essa dinâmica. O PSL também tem propostas de diminuição da máquina pública, de desburocratização.
JC - Quais são as metas?
Crispim - Pretendemos lançar candidatos a 50 prefeituras em todo o Estado. Quanto às chapas proporcionais, gostaríamos de lançar candidatos a vereadores em mais de 100 municípios. Mas, para isso, precisamos arrumar as executivas municipais.
JC - Em quantos municípios o PSL tem diretório municipal?
Crispim - Temos grupos formados (de filiados ao PSL) em 290 cidades. Mas, desse total, 163 municípios têm o diretório municipal do PSL legalizado. As instâncias municipais, estaduais e nacional ficaram muito tempo desarticuladas. Por isso, estamos fazendo um mutirão para arrumar os documentos para legalizar o maior número possível de diretórios municipais.
JC - Aqui em Porto Alegre, o PSL anunciou apoio à reeleição do prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Até pouco tempo, o partido cogitava o nome de Rui Irigaray para disputar o Paço Municipal. Não vai ter mais candidato à prefeitura de Porto Alegre?
Crispim - Não.
JC - E o Rui Irigaray?
Crispim - Ele disse que está fora (do PSL). Vai para o Aliança pelo Brasil. Parece que não vai ser candidato. Ele assinou um documento abrindo mão de fundo eleitoral.
JC - Além de Porto Alegre, tem alguma outra cidade que seja estratégica no Rio Grande do Sul?
Crispim - A minha esposa, Carolina Lompa, que é presidente do PSL Mulher aqui no Estado, é pré-candidata a prefeita em Canoas. Tem uma decisão nacional do partido, que recomenda uma pesquisa para analisar a viabilidade das candidaturas em cada cidade. Além disso, será feita uma análise técnica para ver se essas pessoas que estão se propondo a concorrer - seja a vereador, seja a prefeito - estão alinhadas com o discurso do PSL. Em alguns lugares, vamos fazer parcerias com partidos que estejam alinhados com o discurso do nosso partido.
JC - Nas chapas majoritárias, onde há possibilidade de coligações, o PSL tem restrição à aliança com algum partido?
Crispim - Por questão de ideologia e de apelo do programa de governo do presidente Bolsonaro, temos um alinhamento com partidos de direita, e não de esquerda.
JC - A distribuição dos recursos do fundo partidário é proporcional ao tamanho da bancada na Câmara dos Deputados. O PSL possui a segunda maior. Isso será decisivo na eleição de 2020?
Crispim - Isso realmente é um atrativo. Tem dois ou três partidos que proporcionam um valor atrativo do fundo partidário para quem deseja ser candidato a vereador e prefeito. O PSL é um deles. O fundo partidário, que alguns combatem, democratiza as candidaturas. Afinal, se não houvesse o fundo, só uma elite iria concorrer aos cargos públicos, porque o cidadão comum não teria recursos suficientes para fazer uma campanha. Mas, além do fundo partidário, temos um bom tempo de rádio e TV (também distribuído de acordo com a bancada na Câmara). São 53 segundos, que, em algumas cidades onde há campanha na TV, faz a diferença.
JC - Qual a diferença entre o grupo que vai ficar no PSL e o que vai migrar para o Aliança?
Crispim - O grupo que vai para o Aliança pelo Brasil é de extrema-direita. No espectro político, o Aliança está mais à direita do que o PSL. O PSL tem todas aquelas características de liberalismo econômico, diminuição do Estado, defesa da família. Mas, como sempre digo, nosso partido não demoniza a política. Acreditamos que o Congresso Nacional, assim como as outras instituições democráticas, são os únicos meios de concretizar o slogan de campanha do presidente Bolsonaro: "Brasil acima de tudo". É o único meio de construir uma sociedade melhor.
JC - O PSL se tornou uma força política neste ano, no Congresso, muito por conta da presença do presidente na sigla. O partido elegeu três deputados federais gaúchos, além de um quarto, que assumiu uma cadeira na Câmara, por ter ficado na suplência da coligação DEM-PSL-Pros. Assumiu a vaga do deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM), na Casa Civil e, agora, o Ministério da Cidadania. Como fica o PSL diante da criação do Aliança, para onde o próprio presidente deve migrar?
Crispim - No Rio Grande do Sul, quem já declarou que vai migrar para o Aliança são dois deputados federais (Bibo Nunes e Sanderson Federal) e um suplente (Marcelo Brum). Sou o único deputado federal que vai continuar no PSL. Os três deputados estaduais - Irigaray, Vilmar Lourenço e Tenente-Coronel Zucco - vão para o Aliança. De qualquer forma, não vamos deixar ninguém sem apoio, não vamos abandonar os deputados, até porque eles foram eleitos dentro de um projeto. Nesse projeto, quem deu legenda para eles concorrerem foi o PSL. E o PSL não é a favor de demonizar políticos e a política.
JC - Quando o Aliança pelo Brasil for formalizado e o presidente migrar, o PSL vai sair da base do governo Jair Bolsonaro? Vai ser independente? Ou vai continuar apoiando Bolsonaro?
Crispim - O PSL vai continuar apoiando as pautas de campanha do presidente Jair Bolsonaro. Quais são elas? As reformas da Previdência (promulgada em novembro de 2019) e tributária (que está sendo discutida agora tanto no Congresso Nacional quanto no Palácio do Planalto), o projeto anticrime (apresentado pelo ministro Sérgio Moro)... Enfim, todas essas pautas de campanha, principalmente as de segurança pública, que é um aspecto da sociedade brasileira que se degradou nos últimos 16 anos. O PSL tem um alto percentual de votação com o governo. Foi mais alto do que muitos partidos que ocupam ministérios e secretarias no governo federal. Não vamos abandonar o presidente Bolsonaro, só porque houve uma dissidência de um grupo que vai para um outro partido, seja por sua ideologia ou pelo compromisso com suas bases eleitorais (de acompanhar o presidente Bolsonaro). Uma coisa é o partido, o PSL, institucionalmente. Outra coisa é o compromisso que assumimos com as pessoas que votaram em nós, por conta das pautas de campanha.
JC - Mas continua na base aliada, com 100% de alinhamento?
Crispim - Vamos votar a favor das pautas que forem interessantes para o Brasil. Não tem um alinhamento automático, mas estamos apoiando o governo Bolsonaro. O PSL abraçou um programa de governo que o presidente Jair Bolsonaro divulgou durante a campanha. Estamos comprometidos com essas pautas. E, claro, com a votação dessas pautas que vierem do Palácio do Planalto para dentro do Congresso. Fui o deputado que mais votou com o governo, enquanto o PSL teve o maior índice percentual de compromisso com as pautas do governo, votadas dentro do Senado e da Câmara. Alguém pode argumentar: "Mas o PSL tinha deputados que, hoje, estão comprometidos com o Aliança". Pode ser. Mas temos o mesmo compromisso, as mesmas pautas, desde a campanha.
JC - Uma das críticas dos aliados do presidente é que falta uma articulação mais eficiente entre o Planalto e o Congresso. Qual a sua opinião?
Crispim - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), é uma pessoa que tem experiência e capacidade para fazer esse jogo político, como, aliás, tem feito até agora. Ele também interage muito bem com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e com o próprio Executivo. Todo mundo sabe que o País tem que fazer reformas. E existe um compromisso dos deputados com isso. Dentro da Câmara dos Deputados, os 513 parlamentares - sejam eles independentes, de esquerda, de direita, de centro-esquerda ou de centro-direita - representam uma parte do Brasil. Os deputados foram eleitos e estão representando o povo, a cultura, a maneira de ser das regiões do Brasil que os elegeram. Rodrigo Maia tem a sensibilidade de absorver o que cada região do País busca, o que cada deputado representa.
JC - Vai ser um ano produtivo no Congresso, mesmo sendo ano eleitoral?
Crispim - Sim. Mesmo sendo ano eleitoral, o Congresso tem trabalhado muito, vai haver muitas pautas e um dinamismo grande nas votações. Acredito que, hoje, a Câmara e o Senado têm a capacidade para votar as reformas necessárias. Existe esse compromisso, porque muitos deputados se elegeram nessa onda de mudança, de renovação, independentemente de partido. Muitos parlamentares se elegeram com o compromisso de apoiar o projeto do presidente Jair Bolsonaro, projeto anticrime, desburocratização, diminuição do Estado.
JC - O senhor mencionou que foi o parlamentar que mais votou com o governo em 2019. O que pensa do projeto de fusão de municípios, que acabaria extinguindo mais de mil cidades brasileiras?
Crispim - Sempre gosto de dizer que sou municipalista. Sou contra esse projeto. Temos que fazer adequações administrativas, financeiras e orçamentárias dentro desses municípios (pequenos). Mas não podemos extingui-los. Até porque esses municípios têm uma formação cultural e uma estrutura administrativa para solucionar os problemas da sua população, seja na saúde, na busca de uma consulta médica, na liberação de um alvará, na matrícula de crianças nas escolas. Tenho visitado alguns municípios pequenos do Rio Grande do Sul e vejo que seria um desastre a incorporação a outros municípios maiores.
JC - Mais de 10 partidos uniram forças para buscar a renegociação da dívida do Rio Grande do Sul com a União e as compensações da Lei Kandir. O que pensa sobre isso?
Crispim - É esse o caminho. O Rio Grande do Sul tem uma bela bancada. A bancada gaúcha trabalha em conjunto. Não tem outra maneira se não acionar as bancadas federais.
JC - Considerando que a dívida do Estado com a União é impagável, assim como a da União com o Estado, o ex-senador Pedro Simon (MDB) sugeriu um encontro de contas. Concorda?
Crispim - Creio que seria um caminho, um belo caminho. O Rio Grande do Sul paga juros altíssimos nessa dívida que parece impagável. Acho que é um caminho. A renegociação da dívida poderia começar pelo encontro de contas, até porque há outros estados brasileiros que estão nas mesmas condições do Rio Grande do Sul. Essa seria uma maneira de aliviar os caixas estaduais.

Perfil

Nereu Crispim nasceu em Porto Alegre em 21 de julho de 1963. Estudou Direito no campus de Canoas do Centro Universitário Ritter dos Reis (Uniritter), entre 2006 e 2012. Em 2004, conforme relata, um pastor da Igreja Universal pediu para que fizesse parte da executiva do PSL de Canoas, que estava em formação naquele ano. "Fiquei seis meses, mas não participei de nada", explica. Só passou a participar efetivamente da vida partidária em 2017, quando dois caminhões da sua empresa foram assaltados. A partir daí, abraçou o tema da segurança pública. Em abril de 2018, quando o presidente Jair Bolsonaro (PSL) era pré-candidato à presidência da República, Crispim viajou a Brasília e visitou o gabinete do então deputado federal. "Fui ver se ele não era outro Fernando Collor." Meses depois, engajou-se na campanha de Bolsonaro. Candidatou-se a deputado federal para preencher a lista do partido. Acabou se elegendo para o primeiro mandato com 32,2 mil votos. Na Câmara dos Deputados, faz parte das comissões de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, e de Minas e Energia. Assumiu a presidência estadual da sigla em maio de 2019.