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direitos humanos

- Publicada em 17h08min, 05/02/2020.

Funai nomeia ex-missionário evangélico para proteção a índios isolados

A MNTB atua na evangelização de índios na Amazônia desde os anos 1950

A MNTB atua na evangelização de índios na Amazônia desde os anos 1950


Folhapress/Divulgação/JC
A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou, nesta quarta-feira (5), a nomeação do ex-missionário evangélico Ricardo Lopes Dias para o cargo de coordenador-geral de proteção a índios isolados e de recente contato. Na semana passada, entidades e lideranças indígenas criticaram a eventual nomeação de Dias.
A Fundação Nacional do Índio (Funai) confirmou, nesta quarta-feira (5), a nomeação do ex-missionário evangélico Ricardo Lopes Dias para o cargo de coordenador-geral de proteção a índios isolados e de recente contato. Na semana passada, entidades e lideranças indígenas criticaram a eventual nomeação de Dias.
A nomeação de Dias, que também é antropólogo, só foi possível porque o presidente da Funai, Marcelo Xavier, mudou o regimento interno do órgão permitindo que o cargo pudesse ser ocupado por pessoas de fora da administração pública.
Parte das críticas à nomeação de Dias se deve ao fato de ele ter sido ligado à Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), entidade conhecida por seu trabalho de evangelização de indígenas, prática condenada por antropólogos e indigenistas.
A MNTB atua na evangelização de índios na Amazônia desde os anos 1950. Nos anos 1990, foi retirada de uma área habitada por índios da etnia Zoé, no interior do Pará. A entidade chegou a ser investigada pela suposta responsabilidade na morte de indígenas da etnia que teriam ficado doentes após o contato com os missionários. O caso, no entanto, foi arquivado.
Na semana passada, em entrevista, Ricardo Lopes Dias disse que, caso fosse nomeado para o cargo, não iria promover a evangelização de indígenas.
"Minha atuação vai ser técnica. Não vou promover a evangelização de índios", afirmou Dias.
A ida de um ex-missionário evangélico ao cargo responsável pela política direcionada aos índios isolados causou polêmica entre lideranças indígenas e organizações que atuam na defesa dos direitos dos índios.
- A gente teme que a chegada de um missionário evangélico possa mudar a política de respeito às crenças dos isolados, que precisam ter a sua tradição respeitada. Os índios já sofreram demais com missionários que condenavam as religiões indígenas e tentaram nos converter - afirma Paulo Tupiniquim, coordenador-executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
Agência O Globo
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