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Porto Alegre, terça-feira, 04 de fevereiro de 2020.

Jornal do Comércio

Política

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governo federal

04/02/2020 - 16h23min. Alterada em 04/02 às 16h27min

Pelo Twitter, governo ataca cineasta Petra Costa: 'militante anti-Brasil'

Críticas foram motivadas por declarações que a documentarista deu a emissora pública dos EUA

Críticas foram motivadas por declarações que a documentarista deu a emissora pública dos EUA


PETRA COSTA/TWITTER/REPRODUÇÃO/JC
A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) usou uma conta virtual oficial para atacar a cineasta Petra Costa, indicada ao Oscar de melhor documentário por Democracia em Vertigem, com visão crítica ao impeachment da petista Dilma Rousseff.
A Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República) usou uma conta virtual oficial para atacar a cineasta Petra Costa, indicada ao Oscar de melhor documentário por Democracia em Vertigem, com visão crítica ao impeachment da petista Dilma Rousseff.
Em post tuitado nesta segunda (3), a secretaria sob comando de Fabio Wajngarten chama Costa de "militante anti-Brasil". As críticas foram motivadas por declarações que a documentarista deu à PBS, uma emissora pública dos Estados Unidos.
— SecomVc (@secomvc) February 3, 2020
As falas contrárias ao governo Jair Bolsonaro despertaram a reação irada da Secom, que colocou a mensagem atacando Costa em destaque no seu perfil do Twitter -e para o público internacional ler, já que o recado está em inglês.
"Sem a menor noção de respeito por sua nação e pelo povo brasileiro, Petra afirmou num roteiro irracional que a Amazônia vai virar uma savana e que o presidente Bolsonaro ordena o assassinato de afroamericanos [provavelmente a ideia era escrever afrobrasileiros] e homossexuais", afirma o post. "É inacreditável que uma cineasta possa criar uma narrativa cheia de mentiras."
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Os ataques estão também num vídeo que, para cada declaração de Costa considerada infundada, lança um carimbo de fake news.
Entre os exemplos está o descaso com que Bolsonaro, segundo a cineasta, trata a região amazônica. Para rebater o que define como notícia falsa, a Secom lembra de programas que o governo anunciou, como a criação de um Conselho da Amazônia.
Ignora, em contrapartida, múltiplas críticas sobre o aumento do desmate da floresta, apontadas por órgãos como o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).
Os tuítes da Secom ferem a Constituição, segundo a advogada Mônica Sapucaia Machado, especialista em direito administrativo.
Professora da Escola de Direito do Brasil, ela evoca o artigo 37 da Carta: "Ele deixa claro que a Administração Pública se submete aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e determina ainda que a publicidade dos governos terá caráter educativo, informativo ou de orientação social".
A secretaria tem como função dar publicidade à gestão federal e ampliar o acesso à informação de interesse público, afirma a advogada. "Nunca deve se comportar como um instrumento de opinião sobre determinada obra cultural, até porque no Brasil a liberdade de expressão é um pilar constitucional."
Para Machado, os posts da pasta avançam o sinal vermelho ao expor a artista, "a ofendendo, o que não está autorizado à administração pública em nenhuma hipótese".
Folhapress
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