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Porto Alegre, terça-feira, 14 de janeiro de 2020.

Jornal do Comércio

Política

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governo federal

Edição impressa de 14/01/2020. Alterada em 14/01 às 03h00min

Bolsonaro cancela agenda em São Paulo e antecipa retorno a Brasília

Jair Bolsonaro cumprimenta turistas na entrada do Palácio da Alvorada

Jair Bolsonaro cumprimenta turistas na entrada do Palácio da Alvorada


/FABIO POZZEBOM/ABR/JC
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu antecipar para segunda-feira (13) o retorno a Brasília depois de um período de descanso no litoral de São Paulo. O plano inicial era que ele voltasse para a capital federal apenas na manhã desta terça-feira (14). 
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu antecipar para segunda-feira (13) o retorno a Brasília depois de um período de descanso no litoral de São Paulo. O plano inicial era que ele voltasse para a capital federal apenas na manhã desta terça-feira (14). 
O retorno antecipado, de acordo com aliados do presidente, deve-se ao mau tempo e ao cancelamento da visita que ele faria ao porto de Santos nesta segunda. Em live na quinta-feira passada, Bolsonaro disse que visitaria a região portuária e poderia anunciar novidades. O cancelamento ocorre após o presidente ter protagonizado uma disputa pública com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB).
Na transmissão online, ele acusou o tucano de estar "completamente desinformado" sobre a privatização do porto de Santos. Doria havia dito que os portos de Santos e de São Sebastião serão desestatizados neste ano. O Ministério da Infraestrutura já havia negado a informação.
A pasta ressaltou que as privatizações seguem previstas para 2021 e não há como fazer as concessões antes desse prazo. Desde que Doria sinalizou interesse em disputar o Palácio do Planalto em 2022, o presidente, que avalia disputar uma reeleição, tem feito críticas públicas ao tucano. "O senhor (Doria) está completamente desinformado. O ministro desmentiu essa informação e, afinal de contas, com todo respeito, quem pode falar pelos ministros sou eu", disse Bolsonaro.
O porto de Santos é administrado pela Santos Port Authority (SPA), novo nome da Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo), que é vinculada ao Ministério da Infraestrutura.
Diferentemente de outros portos do Brasil como Paranaguá (PR), Rio Grande (RS) e São Sebastião (SP), que são controlados pelo estado, o porto de Santos é administrado pelo governo federal em quase todas as suas atividades. O governo estadual é responsável pelos acessos rodoviários - na prática, possui menos influência.
A SPA está entre as nove estatais que foram incluídas no programa de privatizações do governo Bolsonaro. Na área de portos, além da Codesp e da Codesa (Companha das Docas do Espírito Santo), o governo estuda as privatizações dos portos de São Sebastião e Suape (PE).O Ministério da Infraestrutura planeja realizar a privatização do porto de Santos até 2022. Para isso, uma das iniciativas será a desestatização da autoridade portuária.
Bolsonaro foi aguardado desde o início da manhã de ontem na sede da Santos Port Authority por um grupo de trabalhadores portuários. Embora a visita não constasse em sua agenda oficial, o entorno foi preparado desde a madrugada para recebê-lo para um encontro fechado, sem a presença da imprensa.
O principal sindicato da categoria convocou trabalhadores de Santos, São Vicente, Guarujá e Cubatão para uma manifestação pacífica com o objetivo de entregar reivindicações trabalhistas ao presidente. Na campanha, Bolsonaro gravou um vídeo elogiando e prometendo ajuda, "uma mão amiga", para o mercado de trabalho portuário.
O político permaneceu recluso no Forte dos Andradas, em Guarujá, durante todo o domingo (12), sem agenda.
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