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Porto Alegre, segunda-feira, 06 de janeiro de 2020.
Dia de Reis.

Jornal do Comércio

Política

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Relações internacionais

Alterada em 06/01 às 16h25min

Bolsonaro diz que Brasil apoiará EUA entregando terroristas que atuem no país

Um ato terrorista é definido como um ataque deliberado a alvos civis para causar pânico

Um ato terrorista é definido como um ataque deliberado a alvos civis para causar pânico


ALAN SANTOS/PR/JC
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (6) que o apoio que o Brasil ofereceu ao Estados Unidos na disputa com o Irã significa entregar terroristas que atuarem no país. Na sexta-feira (3), após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani em um ataque aéreo americano, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota afirmando que o governo brasileiro "manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo" e está "pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento".
O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira (6) que o apoio que o Brasil ofereceu ao Estados Unidos na disputa com o Irã significa entregar terroristas que atuarem no país. Na sexta-feira (3), após o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani em um ataque aéreo americano, o Ministério das Relações Exteriores divulgou nota afirmando que o governo brasileiro "manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo" e está "pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento".
"Se tiver qualquer terrorismo no Brasil, a gente entrega. É por aí. Assim como entregamos (Cesare) Battisti... Entregamos, não. O Battisti viu que iam entregá-lo e fugiu. Assim como os cubanos, médicos, entre aspas, saíram antes de assumir. Sabiam que ia entregar os caras, (tinha) um montão de terrorista no meio deles", disse Bolsonaro, na saída do Palácio da Alvorada.
O presidente referia-se aos cubanos que vieram para o Brasil no âmbito do programa Mais Médicos. Não há, no entanto, evidências de médicos do país caribenho engajados em atividades terroristas no país. Não há, tampouco, evidências do engajamento de Soleimani em terrorismo. O general era um chefe militar, que, como outros nos conflitos do Oriente Médio, incluindo americanos, ordenou ações que podem ser questionadas como crimes de guerra, mas não atentados deliberados a alvos civis, como os chefes da al-Qaeda, Osama bin Laden, e do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi.
Um ato terrorista é definido como um ataque deliberado a alvos civis para causar pânico. A classificação de grupos como terroristas varia frequentemente segundo a posição política de quem usa o termo, mas o Conselho de Segurança da ONU, atualmente, qualifica apenas a al-Qaeda e o Estado Islâmico de terroristas, e não a Guarda Revolucionária do Irã, à qual Soleimani pertencia.
Questionado sobre o possível envio de militares brasileiras caso haja um conflito, Bolsonaro afirmou que não irá discutir esse assunto e reafirmou a entrega de terroristas:
"Que tropa, não existe...Não vou discutir esse assunto contigo. Se tiver terrorista no Brasil, vai ser entregue, não interessa sua nacionalidade, não interessa. Como entregamos chilenos, como terroristas aqui, paraguaios, também entregamos agora, há poucos meses." 
O Irã é um parceiro comercial relevante do Brasil, que exporta cerca de US$ 2 bilhões por ano para o país persa, na maior parte commodities como milho, carne e açúcar. No caso do milho, os iranianos são responsáveis por comprar um terço de todas as exportações brasileiras do produto.
Em outro momento, Bolsonaro defendeu o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo não ter dúvidas de que ele será reeleito nas eleições presidenciais deste ano, e elogiando seu "poder de persuasão no mundo todo":
"Trump vai ser reeleito, alguém tem dúvida disso? Vai ser reeleito. Está o país indo muito bem, muito bem. Desemprego lá embaixo, a economia bombando, (ele) exercendo seu poder de persuasão no mundo todo, graças a Deus tem os Estados Unidos, que está fazendo tudo isso. Deus está no controle. Tem certos países, não vou falar qual, se tiver artefatos nucleares e meios para lançá-los, o mundo todo entra em instabilidade. Todos vão sofrer, sem exceção."
Agência O Globo
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