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Porto Alegre, quinta-feira, 28 de novembro de 2019.
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Jornal do Comércio

Política

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Funcionalismo

Edição impressa de 27/11/2019. Alterada em 27/11 às 14h02min

Manifestação de servidores públicos acaba com professores feridos

Cpers praça da Matriz 2

Cpers praça da Matriz 2


/CACO ARGEMI/DIVULGAÇÃO/JC
Marcus Meneghetti
A manifestação do Cpers Sindicato, que reuniu milhares de professores na Praça da Matriz, na tarde de ontem, teve um episódio de violência na porta do Palácio Piratini - onde, pelo menos, 10 educadores ficaram feridos a ponto de serem levados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). Em nota, o governo do Estado disse que dois policiais da tropa de choque da Brigada Militar também se machucaram, ao conterem, junto com o batalhão, um grupo de manifestantes que derrubou os gradis que cercavam a sede do Executivo gaúcho.
A manifestação do Cpers Sindicato, que reuniu milhares de professores na Praça da Matriz, na tarde de ontem, teve um episódio de violência na porta do Palácio Piratini - onde, pelo menos, 10 educadores ficaram feridos a ponto de serem levados ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). Em nota, o governo do Estado disse que dois policiais da tropa de choque da Brigada Militar também se machucaram, ao conterem, junto com o batalhão, um grupo de manifestantes que derrubou os gradis que cercavam a sede do Executivo gaúcho.
Os professores começaram a se reunir no início da tarde na praça para a Assembleia Geral da categoria, que está em greve há uma semana. O local ficou lotado, desde o Theatro São Pedro até o Piratini. Conforme estimativa do Cpers Sindicato, 15 mil profissionais participaram do evento. E mais de 170 ônibus teriam trazido educadores do Interior.
"Dois motivos deflagraram a nossa greve: o parcelamento dos salários e o pacote de projetos que retiram direitos dos servidores", resumiu a secretária-geral do Cpers, Cândida Rossetto.
O projeto que reformula a carreia do magistério foi um dos assuntos da assembleia. Conforme o plano de carreira proposto pelo governo Eduardo Leite (PSDB), o salário máximo de um professor seria de R$ 3.887,30 (para jornadas de 40 horas semanais). Esse seria o caso dos profissionais que receberam todas as promoções possíveis (nível 6, classe F).
Apesar de os salários iniciais aumentarem, a diferença entre a remuneração inicial e a final diminui - o que retiraria os incentivos para os professores passarem por processos de qualificação, como graduações, especializações e pós-graduações. O Piratini quer ainda extinguir gratificações por tempo de serviço e diminuir outras.
Segundo o Cpers Sindicato, essas medidas reduziriam o salário. O governo quer ainda impedir que as gratificações sejam incorporadas na aposentadoria. Na prática, significa que os professores não vão se aposentar ganhando mais de 3.887,30. Outro projeto quer cobrar uma alíquota de até 18% de aposentados e pensionistas.
Depois de discutir os projetos que afetam categoria, os manifestantes se dirigiram ao Piratini para entregar um documento ao chefe da Casa Civil Otomar Vivian (PP) - visto que Leite estava em Brasília. Foi aí que a situação começou a ficar tensa.
"Fizemos hoje uma manifestação para entregar um documento em que exigimos a retirada do pacote, em especial o projeto que retira o plano de carreira do magistério. Esse projeto trabalha exclusivamente com a retirada de direitos de uma categoria miserável e que está sendo chamada a pagar uma conta que não é dela", analisou Cândida.
Conforme membros do sindicato, uma comitiva de professores aguardava para ser recebida por Otomar. Quando a comitiva foi liberada para atravessar o gradil que impedia que a manifestação se aproximasse do palácio, outros manifestantes pularam as grades e correram para dentro da sede do governo. Eles foram contidos pela tropa de choque da BM, que estava posicionada na porta.
Houve bombas de gás lacrimogênio e correria. Um dos sindicalistas feridos foi a presidente do Cpers, Helenir Schürer, que recebeu um golpe de cassetete na cabeça e foi levada por manifestantes ao HPS. Lá, só foi liberada no início da noite, depois de fazer uma tomografia.
Na nota, o governo repudiou o ocorrido. "Um grupo de manifestantes derrubou os gradis instalados em frente ao palácio e tentou invadir o local, enquanto o chefe da Casa Civil recepcionava a comissão (do sindicato). Da agressiva e injustificável ação dos manifestantes restaram dois policiais feridos".
Depois da confusão, outros sindicatos e movimentos estudantis se juntaram ao ato dos professores. Gritavam: "Polícia é para ladrão, não para a educação". Uma das categorias que apoiou o ato dos professores foi a Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul (Afagro), que inclusive entrou em greve ontem. O presidente da entidade, Antônio Medeiros, disse que "não adianta o governador ameaçar cortar o ponto, porque já não está pagando o salário há 40 meses".
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