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Política

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Relações internacionais

08/11/2019 - 14h03min. Alterada em 08/11 às 14h43min

Ministro das Relações Exteriores defende que, apesar de voto anti-Cuba na ONU, Brasil segue contra medidas unilaterais

Voto contraria Itamaraty sobre medidas unilaterais, vetadas pela legislação internacional e pela ONU

Voto contraria Itamaraty sobre medidas unilaterais, vetadas pela legislação internacional e pela ONU


ERIC BARADAT/AFP/JC
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, justificou nesta sexta-feira (8) o voto do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) a favor do embargo dos Estados Unidos a Cuba e disse que, apesar dele, o país continua rejeitando medidas unilaterais.
O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, justificou nesta sexta-feira (8) o voto do Brasil na Organização das Nações Unidas (ONU) a favor do embargo dos Estados Unidos a Cuba e disse que, apesar dele, o país continua rejeitando medidas unilaterais.
"Embora o Brasil sempre rejeite o unilateralismo em qualquer circunstância dessa natureza, nós achamos imperioso quebrar um paradigma que existe há quase 60 anos no ambiente multilateral",declarou o chanceler, no discurso da reunião do Grupo de Lima que ocorre nesta sexta (8) no Palácio do Itamaraty, em Brasília. "Um paradigma de um certo e incompreensível prestígio que Cuba goza nesse âmbito".
Na quinta (7), pela primeira vez em 27 anos, o Brasil cedeu às pressões dos EUA e votou contra a resolução anual da ONU que condena o bloqueio econômico americano a Cuba. Apenas Israel e Estados Unidos votaram da mesma maneira que o Brasil. Outras 187 nações apoiaram a moção movida pelos cubanos, enquanto a Colômbia e a Ucrânia, aliados de Washington,abstiveram-se.
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O voto brasileiro contraria o posicionamento histórico do Itamaraty de condenar medidas unilaterais econômicas contra países, vetadas pela legislação internacional e pela ONU.
Araújo disse na reunião desta sexta que Cuba desempenha "um papel nefasto" na Venezuela e que o regime do ditador Nicolás Maduro possui uma rede de apoio articulada no Foro de São Paulo, organização de partidos de esquerda no continente, cujo objetivo seria a transformação da região "em um novo bloco socialista".
"Achamos fundamental que em todas as instâncias chamemos a atenção para esse papel que Cuba desempenha há 60 anos, não só na Venezuela, na tentativa de exportar a ditadura para praticamente toda a América Latina. E nosso voto deve ser entendido nesse sentido", acrescentou.
O Grupo de Lima é formado atualmente por Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Santa Lúcia. Os representantes do opositor Juan Guaidó, reconhecido por esses países como presidente interino da Venezuela, também participam das reuniões. Dos participantes do Grupo de Lima, todos, com exceção da abstenção colombiana, votaram contra o embargo dos EUA a Cuba.
Para o encontro desta sexta, viajaram a Brasília os chanceleres de Argentina, Colômbia, Chile, Guatemala, Honduras e Peru. Os demais países enviaram diplomatas de menor escalão.
Folhapress
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