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ditadura militar

- Publicada em 02h11min, 05/11/2019. Atualizada em 03h00min, 05/11/2019.

Com protestos ao governo, ato marca 50 anos da morte do guerrilheiro Carlos Marighella

O grupo de cerca de cem pessoas reunido na alameda Casa Branca, local onde o guerrilheiro Carlos Marighella foi morto pela ditadura militar há 50 anos, celebrou sua memória nesta segunda-feira falando da importância da resistência no cenário político de hoje. Maria Marighella, neta do fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), maior grupo armado contra a ditadura, falou em "passar a história a limpo" e que seu avô é "inspiração para o que está acontecendo hoje".
O grupo de cerca de cem pessoas reunido na alameda Casa Branca, local onde o guerrilheiro Carlos Marighella foi morto pela ditadura militar há 50 anos, celebrou sua memória nesta segunda-feira falando da importância da resistência no cenário político de hoje. Maria Marighella, neta do fundador da Ação Libertadora Nacional (ALN), maior grupo armado contra a ditadura, falou em "passar a história a limpo" e que seu avô é "inspiração para o que está acontecendo hoje".
A ascensão da direita no poder, com a presidência de Jair Bolsonaro (PSL), e o clima de polarização no País eram o pano de fundo do ato. "Não vamos aceitar provocações", advertiu Clóvis de Castro, membro da ALN, já antevendo reações à aglomeração em volta do monumento que marca o local da morte de Marighella.
Houve apenas um motorista que gritou: "Cambada de vagabundo na cadeia". De esquerda, o público foi formado por membros do PT, MST, UNE, Levante Popular da Juventude e principalmente por antigos guerrilheiros e ex-presos políticos da ditadura. Houve gritos e discursos pedindo a liberdade do ex-presidente Lula (PT), preso após condenação em processos da Lava Jato, em meio a relatos emocionados de companheiros de Marighella.
Em geral, os ex-presos políticos avaliaram o momento como difícil e disseram ser preciso organização e força para resistir - também houve defesa de que o governo atual fosse derrubado e de que a mudança não deve ser feita via eleições. "Há um desejo de interdição do debate político no País. É interditar um candidato, que é o ex-presidente Lula; é interditar uma parlamentar como Marielle; quando você censura as artes. Eles precisam interditar para implementar uma política do terror, do ódio, da miséria. Mas as ideias e as lutas são imortais", disse Maria.
Marighella foi anistiado em 2012. Em 1996, o Estado reconheceu a responsabilidade pela morte de Marighella. Para lembrar os 50 anos da sua morte, estava prevista a estreia de um filme, dirigido por Wagner Moura, em 20 de novembro. A produção teve o lançamento cancelado no circuito comercial brasileiro. A justificativa foi um contratempo com os prazos e os trâmites exigidos pela Ancine, a agência do cinema nacional que foi ameaçada por Jair Bolsonaro de ganhar filtros em sua gestão.
 
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