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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de novembro de 2019.
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Jornal do Comércio

Política

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caso marielle

Edição impressa de 04/11/2019. Alterada em 04/11 às 03h00min

Bolsonaro tenta intimidar apuração sobre caso Marielle, dizem delegados

Associações que representam delegados de polícia no Brasil divulgaram, neste domingo (3), nota conjunta de repúdio a declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sugerindo direcionamento nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Associações que representam delegados de polícia no Brasil divulgaram, neste domingo (3), nota conjunta de repúdio a declarações do presidente Jair Bolsonaro (PSL) sugerindo direcionamento nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
Eles acusam Bolsonaro de tentar intimidar a Polícia Civil do Rio de Janeiro, "com o intuito de inibir a imparcial apuração da verdade", ao insinuar em vídeo e entrevistas a adulteração de provas e referir-se ao delegado que comanda o inquérito como "amiguinho" do governador Wilson Witzel (PSC-RJ).
A nota é assinada por Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), Federação Nacional dos Delegados de Polícia Civil (Fendepol) e por entidades que representam a categoria no Rio, Amazonas e Pará.
"Valendo-se do presidente da República e de instituições da União, (Bolsonaro) claramente ataca e tenta intimidar o delegado de polícia do Rio de Janeiro, com o intuito de inibir a imparcial apuração da verdade", diz o texto, sem citar o nome de Daniel Rosa, delegado responsável pelas apurações.
"O cargo de chefe do Poder Executivo federal não lhe permite cometer atentados à honra de pessoas que, no exercício de seu múnus (dever) público, desempenham suas funções no interesse da sociedade e não no de qualquer governo", completam as associações.
As declarações de Bolsonaro foram dadas após reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, que revelou a existência de depoimento de um porteiro do condomínio Vivendas da Barra, citando o presidente durante as investigações sobre a morte de Marielle.
Na mesma noite, o presidente gravou da Arábia Saudita um vídeo atacando a rede de televisão e insinuando direcionamento nas investigações. No dia seguinte, o Ministério do Público do Rio disse que o depoimento não condiz com os fatos investigados.
No vídeo, Bolsonaro atribuiu o vazamento das informações a Witzel, que contou com apoio do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) em sua eleição ao governo do estado, mas hoje é adversário político da família.
No fim da semana, o governador virou alvo de ataques nas redes sociais, com a distribuição de um vídeo que repete o discurso de Bolsonaro ligando Witzel à TV Globo. O caso está sendo investigado pela Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática.
 
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