Porto Alegre, sexta-feira, 24 de julho de 2020.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
sexta-feira, 24 de julho de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Estado de Direito

- Publicada em 03h11min, 01/11/2019. Atualizada em 03h00min, 01/11/2019.

Eduardo Bolsonaro faz ameaça com 'novo AI-5'

Deputado federal deu entrevista à jornalista Leda Nagle no YouTube

Deputado federal deu entrevista à jornalista Leda Nagle no YouTube


/REPRODUÇÃO YOUTUBE/DIVULGAÇÃO/JC
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que caso haja uma radicalização da esquerda a resposta pode ser via "um novo AI-5 ", que afronta a Constituição de 1988. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Leda Nagle, publicada em um canal do Youtube na manhã desta quinta-feira (31).
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho do presidente Jair Bolsonaro, afirmou que caso haja uma radicalização da esquerda a resposta pode ser via "um novo AI-5 ", que afronta a Constituição de 1988. A declaração foi dada em entrevista à jornalista Leda Nagle, publicada em um canal do Youtube na manhã desta quinta-feira (31).
"Vai chegar um momento em que a situação vai ser igual à do final dos anos 60 no Brasil, quando sequestravam aeronaves, quando executavam-se e sequestravam-se grandes autoridades, cônsules, embaixadores, execução de policiais, de militares. Se a esquerda radicalizar a esse ponto, a gente vai precisar ter uma resposta. E a resposta, ela pode ser via um novo AI-5, via uma legislação aprovada através de um plebiscito, como aconteceu na Itália. Alguma resposta vai ter que ser dada", afirmou Eduardo.
Ele descreveu a esquerda como um "inimigo interno" e disse esperar não chegar ao ponto de um novo AI-5.
"É uma guerra assimétrica. Não é uma guerra onde você está vendo o seu oponente do seu lado e você tem que aniquilá-lo, como acontece nas guerras militares. É um inimigo interno de difícil identificação aqui dentro do país. Espero que não chegue a esse ponto, mas a gente tem que estar atento."
As respostas foram dadas depois que a jornalista perguntou sobre os acontecimentos políticos em países vizinhos, como a eleição da chapa de Cristina Kirchner na Argentina e os protestos no Chile. Ela diz que "na internet se fala" sobre envolvimento do Foro de São Paulo.
Eduardo ainda fala em "uma legislação através de plebiscito, como correu na Itália". Em 1929, as eleições na Itália do ditador Benito Mussolini foram substituídas por plebiscitos, nos quais, ao invés de votar, o povo italiano poderia dizer entre sim e não a uma lista de candidatos que era escolhida pelo Grande Conselho Fascista. Essa lista, por sua vez, era selecionada a partir de nomes apresentados pelo Partido Nacional Fascista, pelos sindicatos fascistas e organizações empresariais.
Mais tarde, já em meio à repercussão de sua declaração, Eduardo usou uma rede social para reforçar a exaltação à ditadura militar. "Se você está do lado da verdade, NÃO TENHAIS MEDO!", escreveu, ao postar um vídeo no qual o pai, ainda deputado federal, enaltece o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, um dos principais símbolos da repressão durante a ditadura e condenado em segunda instância por tortura e sequestro no regime militar.
Nesta terça-feira, no plenário da Câmara dos Deputados, Eduardo Bolsonaro já havia feito menção a uma suposta volta da ditadura militar no país ao dizer que a história pode "se repetir" no Brasil. Ele falou que o governo brasileiro não vai tolerar o mesmo tipo de manifestação que ocorre no Chile. 
Desde o início da onda de protestos no país vizinho, ao menos 20 pessoas morreram. O filho mais novo do presidente da República também elogiou a política do ditador chileno Augusto Pinochet.
 

Eduardo fala em 'interpretação deturpada'

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) voltou atrás e pediu desculpas após dar declarações sobre o AI-5. Em entrevista ao programa "Brasil Urgente", o filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL) disse que houve uma "interpretação deturpada" do que foi falado e afirmou que não há uma proposta para a volta do ato institucional decretado durante a ditadura militar e que afronta a Constituição de 1988.

"Eu peço desculpas a quem por ventura tenta entendido que eu estou estudando o retorno do AI-5 ou achando que o governo, de alguma maneira, estaria estudando qualquer medida nesse sentido. Essa possibilidade não existe. Agora, muito disso é uma interpretação deturpada do que eu falei", disse Eduardo, que ressaltou não fazer parte do governo.

'Está sonhando', comenta presidente sobre declaração de filho mais novo

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta quinta-feira que alguém que fale na edição de um novo Ato Institucional nº 5 (AI-5) está "sonhando". "Quem quer que seja que fale em AI-5 está sonhando. Está sonhando. Está sonhando. Não quero nem ver notícia nesse sentido aí", disse Bolsonaro na saída do Palácio da Alvorada. 

Bolsonaro disse que não sabia da declaração e disse que Eduardo que deve ser cobrado por ela. "Cobrem vocês dele. Ele é independente. Se ele falou isso, não estou sabendo, lamento."

O vice-presidente Hamilton Mourão disse, também nesta quinta, que a democracia é o melhor sistema, apesar de imperfeito. A fala ocorreu durante uma palestra do vice na Associação Empresarial de Jaraguá do Sul (SC).

Comentários CORRIGIR TEXTO