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Porto Alegre, quinta-feira, 17 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

Política

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Crise política

Edição impressa de 17/10/2019. Alterada em 17/10 às 03h00min

Na Justiça, Bolsonaro tenta assumir o controle do PSL

Uma semana depois de Jair Bolsonaro expor uma crise dentro de seu partido, o PSL, os advogados do presidente dizem estar dispostos a brigar na Justiça para tirar o grupo do deputado Luciano Bivar do comando da sigla.

"Ou limpamos a casa ou achamos uma casa limpa", disse o ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Admar Gonzaga. Ao lado de Karina Kufa, ele tem auxiliado Bolsonaro a encontrar uma saída para o impasse com o seu partido. "A saída do presidente da República não deveria ser o caminho adotado, considerando que o PSL era um partido pequeno", disse Kufa, referindo-se ao fato de que a sigla cresceu graças a Bolsonaro. "Que saia o presidente que está lá desde 1989, que não possibilitou nenhuma eleição interna de forma minimamente democrática", afirma, num recado direto a Bivar, deputado federal por Pernambuco e presidente da legenda. A apuração é do jornal Folha de S.Paulo.

Endereços ligados a Bivar foram alvo de operação da Polícia Federal nesta terça-feira como parte da investigação sobre candidaturas de laranjas do PSL na eleição de 2018. A suspeita é que ele tenha comandado no estado esquema semelhante ao que o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, é acusado em Minas - denunciado pelo Ministério Público, ele foi mantido no cargo pelo presidente.

Hoje, na prática, a ofensiva dos advogados auxiliares de Bolsonaro é pela refundação do PSL - inclusive com a mudança de nome do partido.

Uma nova convenção nacional da sigla está marcada para dezembro. Hoje, no entanto, Bivar, controla a maioria dos 101 filiados que têm direito a voto na eleição para o comando do partido.

Nas contas dos aliados de Bolsonaro, o presidente da República seria "engolido" se fosse para uma disputa pelo comando do PSL contra uma chapa liderada por Bivar.

Como não há qualquer indicativo de acordo interno, Bolsonaro insistirá na via judicial para provar que o partido, sob o comando de Bivar, não está aplicando os recursos públicos do fundo partidário de maneira correta.

Os advogados dizem que, à frente do PSL, Bivar "adota práticas da velha política, do chamado coronelismo".

"Antes com pouco dinheiro, agora com muito dinheiro", disse Admar.

Até o fim do ano, a estimativa é a de que o PSL receba R$ 110 milhões do fundo partidário. No ano passado a sigla levou R$ 9 milhões. 

Embora digam oficialmente que a operação da Polícia Federal desta terça-feira nada tem a ver com a disputa política, os advogados indicam que o presidente Bolsonaro tem sido alertado sobre a conduta do correligionário no comando do PSL.

Eles pretendem acionar o TSE ainda nesta semana para obrigar a cúpula do PSL a abrir as contas do partido.

Na última sexta-feira, eles solicitaram formalmente acesso aos dados financeiros e estabeleceram prazo de cinco dias para que Bivar entregue a resposta. Na tarde desta terça-feira, no entanto, a direção do PSL indicou em nota que não entregará o material solicitado.

Não quero tomar o PSL de ninguém, diz Jair Bolsonaro

Presidente cobrou transparência e nega agir para tumultuar a sigla

Presidente cobrou transparência e nega agir para tumultuar a sigla


/ANTONIO CRUZ/AGÊNCIA BRASIL/JC

Em uma tentativa de colocar panos quentes na crise no PSL, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta quarta-feira que não quer tomar o controle do partido e que não tem mágoas do presidente nacional da legenda, o deputado federal Luciano Bivar (PE).

Na saída do Palácio do Alvorada, onde costuma conversar com simpatizantes, ele voltou a cobrar a transparência na prestação de contas da sigla e disse que não justifica criticá-lo por tentar dividir ou tumultuar a legenda.

"O partido tem de fazer a coisa que tem de ser feita. Normal, não tem que esconder nada. Eu não quero tomar partido de ninguém. Agora, transparência faz parte. O dinheiro é público", disse. "Não tenho mágoa com ninguém", respondeu ao ser indagado sobre sua relação com o atual presidente da legenda.

A aliados, Bolsonaro tem dito que só oficializará a saída do PSL caso consiga viabilizar a migração segura de cerca de 20 deputados do PSL (de uma bancada de 53) a outra sigla.

Nos bastidores, esses parlamentares já aceitam abrir mão do fundo partidário do PSL em troca de uma desfiliação sem a perda do mandato. 

Questionado nesta quarta-feira se defende a saída de Bivar do comando da sigla, o presidente que só cobra um gesto de transparência. "Não defendo nada, não quero saber de nada, só quero transparência", afirmou. "Não justifica que eu estou tumultuando a relação com o partido, que eu estou dividindo, não justifica. Eu estou calado e vou continuar calado sobre esse assunto", acrescentou.

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