Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 10 de outubro de 2019.

Jornal do Comércio

Política

COMENTAR | CORRIGIR

Partidos

Edição impressa de 10/10/2019. Alterada em 09/10 às 22h29min

Após atrito, Bolsonaro tenta solução para deixar o PSL

Troca de acusações entre Bivar e Jair Bolsonaro precipitou situação

Troca de acusações entre Bivar e Jair Bolsonaro precipitou situação


EVARISTO SA/AFP/JC
O presidente Jair Bolsonaro diz estar decidido a deixar o PSL, mas busca uma saída jurídica para desembarcar do partido. O recado foi dado por ele a deputados e advogados em reunião na tarde desta quarta-feira no Palácio do Planalto.
O presidente Jair Bolsonaro diz estar decidido a deixar o PSL, mas busca uma saída jurídica para desembarcar do partido. O recado foi dado por ele a deputados e advogados em reunião na tarde desta quarta-feira no Palácio do Planalto.
O anúncio de mudança de partido, contudo, não deve ser feito imediatamente. A equipe jurídica que assessora o presidente trabalha agora na construção de uma saída para evitar que os deputados aliados que queiram migrar de legenda com Bolsonaro percam seus mandatos por infidelidade partidária.
Notícias sobre política nacional são importantes para você?
Na bancada do partido, alguns nomes dispostos a seguir o presidente para outra sigla são os deputados Carla Zambelli (SP), Eduardo Bolsonaro (SP), Hélio Negão (RJ), o gaúcho Bibo Nunes (RS), além do senador Flávio Bolsonaro (RJ).
Os advogados estão construindo também uma forma para que os recursos do fundo partidário sejam transferidos para a futura sigla à qual o presidente e seus aliados pretendem se filiar.
Em 2020 o PSL pode receber até R$ 500 milhões de dinheiro público, caso o fundo eleitoral seja turbinado. O valor da verba será definido pelo Congresso até o final deste ano. Há pressão para que a cifra chegue a R$ 3,7 bilhões para todos os partidos -em 2018 foi de R$ 1,7 bilhão.
Em relação ao fundo partidário, foram R$ 9,2 milhões para o PSL em 2018. Neste ano, são R$ 110 milhões porque, de nanica, a legenda se expandiu na onda bolsonarista no ano passado, quando elegeu 56 deputados e 4 senadores.
Bolsonaro está incomodado com o presidente nacional da sigla, deputado Luciano Bivar. Na terça (8), ele pediu a um apoiador que não divulgasse um vídeo no qual seu nome era mencionado junto do PSL e de Bivar porque o dirigente, segundo ele, está "queimado para caramba".
Nesta quarta (9), Bivar disse que "no momento que ele (Bolsonaro) tem o sentimento de que é hora de descartar o PSL para ser reeleito, então é uma estratégia". Já Bolsonaro afirmou ao site O Antagonista que não pretendia deixar o PSL "de livre e espontânea vontade". "Comigo fora da legenda, a tendência do PSL é murchar. Se eu sair, é natural que muita gente saia também", disse.
Mais tarde, Bolsonaro reduziu o tom em relação ao PSL e disse, na noite desta quarta-feira, que "por enquanto, está tudo bem", e que não há crise com a legenda.

Candidaturas-laranja deflagraram crise na legenda

O PSL enfrenta uma crise desde que foi atingido por suspeitas de candidaturas de laranjas, que já resultou na queda do ex-chefe da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno. O escândalo de candidatas femininas de fachada atinge não só o ministro do Turismo de Bolsonaro, Marcelo Álvaro Antônio, mas também Bivar, presidente nacional da legenda. Álvaro Antônio foi alvo de denúncia pelo Ministério Público Federal na última sexta-feira. Bolsonaro cancelou na tarde desta quarta reunião com Álvaro Antônio sem apresentar justificativa - o encontro constava da agenda do presidente.

Presidente da República pode migrar para UDN ou Patriotas

Ainda não foi definido o futuro partidário do presidente Jair Bolsonaro, que está filiado ao PSL há menos de dois anos. As maiores legendas do país não querem recebê-lo porque veem nele uma tentativa de assumir o comando da agremiação à qual se vincular. A hipótese hoje considerada mais provável por aliados do presidente é a filiação dele à UDN, partido em fase final de criação na Justiça Eleitoral.

Bolsonaro deve se reunir até o início da semana que vem com Marcus Alves de Souza, dirigente nacional da legenda que resgata o nome do partido criado em 1945 como oposição a Getulio Vargas e que foi extinto em 1965, durante a ditadura.

A maior probabilidade é que Bolsonaro migre para uma sigla já existente. Diante disso, Bolsonaro deve ser abrigado em uma legenda pequena. Até o momento, partidos como o Patriota já demonstraram interesse em acolher o presidente. 

O presidente da sigla, Adilson Barroso, é favorável a esse movimento, mas encontra dificuldade interna na legenda. "São diversos desgastes e o presidente sempre levantou a bandeira da ética e da transparência. E exigia isso sempre dos dirigentes do partido. Mas foi muito difícil entrar em um acordo quando um partido não está disposto a abrir simplesmente uma votação democrática, seja para alteração de estatuto, seja para eleição de dirigentes. Então, ficou insustentável", disse a advogada do presidente Karina Kufa.

Desde que entrou na política, em 1989, Jair Bolsonaro foi filiado a cinco partidos diferentes. O presidente integrou o PP, o PTB, o PFL, o PSC e por fim, desde 2018, o PSL.

COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia