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Porto Alegre, quarta-feira, 11 de setembro de 2019.

Jornal do Comércio

Política

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Procuradoria-Geral da República

Edição impressa de 11/09/2019. Alterada em 11/09 às 03h00min

Augusto Aras faz périplo no Senado e é bem recebido

Nos gabinetes do Senado Federal, o indicado de Jair Bolsonaro (PSL) para comandar a Procuradoria-Geral da República (PGR), Augusto Aras, apresentou um discurso que foi bem recebido até por senadores da oposição, incluindo críticas aos métodos da Lava Jato. Aras pregou uma "Lava Jato positiva", sem criminalizar a política.

O périplo do subprocurador contou com reuniões privadas com senadores, almoço com a bancada do MDB e uma reunião com os líderes da Casa, na tarde desta terça-feira.

As visões e planos que Aras expressa são de um Ministério Público Federal (MPF) "moderno e clássico", com unidade nos posicionamentos, que ajude o desenvolvimento do País, sem cor ideológica, e que analise bem os efeitos econômicos antes de agir. Segundo senadores, o subprocurador disse que o formato da Lava Jato pode ter levado a prejuízos, não só para reputações, mas também para a economia.

Escolhido por um presidente que espera alinhamento da PGR ao governo e colaboração para impedir entraves na área ambiental, Aras tem se esforçado para não ficar com a imagem de que aceitará degradação do meio ambiente. Tem dito que é importante conferir proteção e segurança ambiental.

Aras foi questionado sobre os protestos de integrantes do MPF à sua indicação, por não ter participado da eleição interna da categoria, e também sobre as afirmações de Bolsonaro de que queria uma PGR alinhada ao governo.

Em resposta, ele desqualificou as queixas referentes à politicagem e garantiu que agirá com "independência absoluta" em relação ao Executivo.

"Se alguém pensa que vou dever gratidão, não vou. Vou fazer o trabalho que o MPF tem de fazer, um MPF moderno", disse Aras a líderes do Senado. "Não vou aceitar imposição de quem quer que seja", acrescentou ele, segundo relato de um senador.

O indicado também foi questionado se não seria imoral continuar atuando como advogado, embora isso seja permitido pela Constituição Federal. Em resposta, disse que a atuação como advogado é normal para os procuradores indicados antes da Constituição Federal de 1988 e que, nas ações em que trabalhou, sempre agiu de acordo com o que a lei permitia. O senador que o questionou ficou satisfeito.

As conversas fazem parte do trabalho de convencimento para que seu nome seja aprovado na sabatina e na votação no Senado, que deve acontecer daqui a duas semanas. A data mais provável, no momento, é 25 de setembro, mas ainda não há confirmação.

Se uma das críticas do MPF é que falta clareza nos planos dele para a instituição, Augusto Aras optou por não responder às perguntas feitas pela imprensa reunida no Senado, após a reunião com os líderes. Disse que só falará na sabatina.

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