Porto Alegre, domingo, 26 de julho de 2020.
Dia dos Avós.

Jornal do Comércio

Porto Alegre,
domingo, 26 de julho de 2020.
Corrigir texto

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Operação Lava Jato

- Publicada em 03h11min, 05/09/2019. Atualizada em 03h00min, 05/09/2019.

Walter Faria é denunciado por 12 crimes de lavagem

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná denunciou o empresário Walter Faria, do Grupo Petrópolis, e também Vanuê Antônio da Silva Faria, sobrinho de Walter, e Nelson de Oliveira por 12 crimes de lavagem de dinheiro, após supostamente terem recebido de operadores financeiros, entre 2006 e 2007,
US$ 3.686.869,21 em contas secretas mantidas na Suíça.

A força-tarefa Lava Jato do Ministério Público Federal no Paraná denunciou o empresário Walter Faria, do Grupo Petrópolis, e também Vanuê Antônio da Silva Faria, sobrinho de Walter, e Nelson de Oliveira por 12 crimes de lavagem de dinheiro, após supostamente terem recebido de operadores financeiros, entre 2006 e 2007,
US$ 3.686.869,21 em contas secretas mantidas na Suíça.

Walter Faria está preso desde 5 de agosto, quando se entregou à Polícia Federal do Paraná, para cumprir ordem de prisão preventiva em uma outra investigação, na Operação Rock City, fase 62 da Lava Jato que atribui à cervejaria esquema de lavagem R$ 329 milhões para a Odebrecht.

Apontado pelos investigadores como "grande operador de propina" do esquema Odebrecht instalado na Petrobras, Walter também está com os bens bloqueados no valor de até R$ 1,3 bilhão - montante que ele próprio admitiu manter no exterior.

Nessa investigação, Vanuê Faria, sobrinho do dono do Grupo Petrópolis, admitiu, em depoimento à Polícia Federal, que a cervejaria gerou dinheiro em espécie, como se fosse um "banco", para a Odebrecht, mediante pagamentos no exterior.

Os fatos relativos à primeira denúncia contra o empresário por 12 crimes de lavagem de dinheiro são desdobramentos dos crimes já apurados na ação penal em que foram condenados o ex-diretor de Internacional da Petrobras Nestor Cerveró e os lobistas Julio Camargo e Fernando Soares, o "Fernando Baiano" e na ação em que foram condenados os funcionários da petrolífera Luís Carlos Moreira da Silva e Demargo Epifânio, além dos operadores do MDB Jorge Luz e Bruno Luz.

A contratação da construção do navio-sonda Petrobras 10.000 pelo estaleiro coreano Samsung ocorreu ao custo de US$ 586 milhões entre 2006 e 2008, destaca a Lava Jato.

A nova denúncia está centrada em etapa da lavagem de dinheiro transnacional decorrente da corrupção nessa contratação, alegam os procuradores.

Segundo a denúncia, documentos bancários obtidos na investigação comprovaram o recebimento de recursos milionários, sem causa econômica legítima, em contas no exterior controladas e movimentadas pelos acusados.

Os valores remetidos pelos operadores financeiros, já condenados na Operação Lava Jato, "usualmente se direcionavam aos funcionários da Petrobras, como Nestor Cerveró, e aos agentes responsáveis pela sua sustentação política nos cargos".

Para oferecer a denúncia, os procuradores utilizaram de provas colhidas durante a investigação, inclusive depoimentos e documentos obtidos no âmbito de delação premiada, quebras de sigilo bancário e fiscal, relatório de Comissão Interna de Apuração da Petrobras e rastreamento de contas ocultas no exterior, que foram obtidas mediante cooperação jurídica internacional.

A assessoria de imprensa do Grupo Petrópolis afirma que "todos os esclarecimentos solicitados já foram prestados aos órgãos competentes, em diversas ocasiões".

Comentários CORRIGIR TEXTO