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Porto Alegre, segunda-feira, 29 de abril de 2019.

Jornal do Comércio

Política

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Governo Federal

Edição impressa de 29/04/2019. Alterada em 29/04 às 03h00min

EBC escala militares para chefiar empresa de mídia

Como parte do processo de reorganização da estatal, o presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Alexandre Graziani, repetiu prática adotada por Jair Bolsonaro (PSL) em sua equipe ministerial e escalou militares para postos estratégicos.
Na diretoria, por exemplo, composta por seis integrantes, há dois militares, ambos graduados na Academia Militar de Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, a mesma em que se formou Bolsonaro, que é capitão reformado. Um deles é o diretor-geral, Roni Baksys Pinto, designado no início de abril para o posto. O outro é Márcio Kazuaki, diretor de administração, encarregado do orçamento e das finanças. Ele chegou à função em setembro e foi mantido pelo novo presidente da empresa. Os dois iniciaram carreira na EBC em 2015.
Além deles, foi escalado para atuar na assessoria do gabinete do presidente da estatal o coronel Hidenobu Watanabe, que auxilia no planejamento de reportagem, em questões como gravação e logística. Nas próximas semanas, será designado também como assessor do presidente o tenente-coronel Alexandre Lara, que o aconselhará na área jornalística. Ele já atuou como secretário de imprensa da presidência da República, foi chefe de comunicação da vice-presidência e estrategista de comunicação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
O presidente da EBC disse que a escolha dos militares teve como objetivo "atender a necessidade de absorção de mão de obra com expertise em planejamento estratégico, gestão pública e orçamentária".
A designação de militares para áreas estratégicas não foi a única mudança implementada na EBC. O comando da companhia também alterou a direção de jornalismo. O jornalista Estevão Damázio foi substituído por Sirlei Batista, que já atuou como repórter e editora da empresa. Além disso, no início do mês, foram fundidas as programações dos dois canais televisivos da estatal, a TV NBR e a TV Brasil, que viraram a Nova TV Brasil.
Segundo funcionários da estatal, houve alteração também na produção jornalística. No final de março, a dois dias do aniversário de 55 anos do golpe militar de 1964, a comissão de empregados divulgou nota interna em que denunciava a censura no conteúdo sobre a efeméride. De acordo com o texto, palavras como "aniversário do golpe" e "ditadura militar" eram substituídas, respectivamente, por "comemoração de 31 de março de 1964" e "regime militar". 
Recentemente, funcionários também relataram que a palavra "fuzilamento" não era permitida em produções que tratavam do assassinato do músico Evaldo Rosa dos Santos, que teve o carro atingido por mais de 80 tiros disparados por militares durante ação do Exército no Rio de Janeiro.
Segundo o presidente da EBC, não houve nenhuma manifestação ou orientação da presidência da empresa a respeito da cobertura jornalística.
 
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