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Porto Alegre, terça-feira, 16 de abril de 2019.
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Jornal do Comércio

Política

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Governo Federal

Alterada em 16/04 às 17h03min

MEC desiste de nomear ex-integrante da gestão Temer para secretaria do ministério

Abraham Weintraub (c) desistiu de nomear Silvio Cecchi como secretário da pasta

Abraham Weintraub (c) desistiu de nomear Silvio Cecchi como secretário da pasta


EVARISTO SA/AFP/JC
Paulo Saldaña da Folhapress
O ministro da Educação, Abraham Weintraub, desistiu de nomear Silvio Cecchi como secretário de Regulação do Ensino Superior, subpasta responsável por autorizações de instituições particulares. O recuo tem a ver com o perfil de Cecchi, que atuou na pasta durante a gestão Michel Temer (MDB).
Biomédico, Cecchi já atuou em grandes grupos educacionais, como Anhanguera e na FMU-SP. Na gestão Temer, ocupou uma diretoria da secretaria de Educação Superior, a partir de 2016, e por indicação do MDB assumiu em agosto de 2018 a mesma secretaria de Regulação (Seres) para a qual foi anunciado.
A chegada de Cecchi ao MEC, revelada pela Folha de S.Paulo, foi anunciada por Weintraub no último dia 10.
Mas o perfil incomodou membros do MEC. Cecchi teria insistido em montar toda sua equipe, desagradando a ala militar que, embora enfraquecida, ainda atua no ministério. O coronel Marcos Heleno Guerson de Oliveira Júnior comanda a diretoria de Política Regulatória da Seres.
O descontentamento interno com a escolha começou ainda na semana passada.A Seres é considerada uma das secretarias mais complexas do MEC por cuidar de toda burocracia de regulação do ensino superior particular. A posição sempre foi alvo de pressão de empresas do setor.
Cecchi deve continuar na Casa Civil, onde atua na subchefia de Articulação e Monitoramento.
A reportagem questionou o MEC sobre quem será o novo chefe da Seres, mas até a publicação deste texto não havia recebido retorno.
Na manhã desta terça-feira (16), Weintraub recebeu em seu gabinete, segundo a agenda oficial, Antonio Veronezi, conhecido defensor dos interesses do setor privado de ensino superior.
Veronezi é próximo do ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni (DEM-RS). Em 2017, Onyx o indicou para um prêmio de educação na Câmara.
Mais cedo, portaria publicada no Diário Oficial da União oficializou a nomeação de seis novos auxiliares, incluindo os novos secretários de Educação Básica, Janio Macedo, e de Educação Profissional, Ariosto Culau.
Macedo estava na Secretaria Especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital e Culau,no Ministério da Economia.
Outros dois ex-membro da Casa Civil, assim com Weintraub, vão para ao MEC. O advogado Auro Tanakae o tenente-coronel da reserva do Corpo de Bombeiros de Brasília Paulo Roberto serão assessores do ministro.
Paulo Roberto havia feito parte da equipe de transição na área de educação, mas o ex-ministro Ricardo Vélez Rodríguez não o aproveitou na equipe. Sem espaço com Vélez, seguiu para a Casa Civil.
O MEC confirmou a exoneração de dois integrantes de grupos antagônicos na pasta. Rubens Barreto, oriundo do Centro Paula Souza, de São Paulo, deixa definitivamente o cargo de adjunto da secretaria executiva, como também adiantado pela Folha, e Bruna Becker, seguidora do escritor Olavo de Carvalho, não é mais assessora especial do ministro.
No início de março, seguidores de Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo, passaram a atacar Vélez e auxiliares próximos depois que demissões atingirem o grupo. No alvo, militares e técnicos do Paula Souza.
A disputa provocou um racha que intensificou a paralisia das ações no MEC e culminou na demissão de Vélez. Barreto chegou a ser anunciado como secretário executivo no lugar de Luiz Antonio Tozi, mas Vélez foi impedido de nomeá-lo por pressão de olavistas.
Weintraub definiu na segunda-feira que o delegado da Polícia Federal Elmer Coelho Vicenzi para presidir o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais). O órgão, ligado ao MEC, é responsável por estatísticas e avaliações da educação e exames como o Enem.
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