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Porto Alegre, terça-feira, 19 de fevereiro de 2019.
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Jornal do Comércio

Política

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governo federal

Edição impressa de 20/02/2019. Alterada em 19/02 às 21h57min

Áudios confrontam acusação de Bolsonaro a Bebianno

Via WhatsApp, Jair Bolsonaro (e) vetou reunião com executivo de emissora

Via WhatsApp, Jair Bolsonaro (e) vetou reunião com executivo de emissora


/MARCOS CORRÊA/PR/JC
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) conversou com o ex-ministro da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno (PSL) pelo aplicativo de mensagens WhatsApp três vezes no dia 12 de fevereiro, um dia antes de sua alta médica no hospital Albert Einstein, na capital paulista.
Os áudios das conversas entre os dois, divulgados pela revista Veja, confrontam a versão do presidente de que ele não havia falado naquele dia com o então auxiliar (confira a transcrição completa no site do Jornal do Comércio). As gravações mostram ainda que ambos conversaram também sobre o esquema de candidaturas laranjas do PSL, que levou à queda de Bebianno.
No diálogo sobre o escândalo, o presidente faz referência a denúncia de que uma candidata laranja em Pernambuco recebeu do partido R$ 400 mil de dinheiro público na eleição do ano passado. Bolsonaro afirma que querem "empurrar essa batata quente" em seu colo. "(...) Aí não vai dar certo. Aí é desonestidade e falta de caráter. Agora, todas as notas pregadas nesse sentido foram nesse sentido exatamente, então a Polícia Federal vai entrar no circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí. Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí. Um abraço", disse.
Em entrevista ao jornal O Globo, Bebianno disse na semana passada que havia conversado três vezes com o presidente. No dia seguinte, no entanto, o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) disse que o então ministro havia mentido, o que foi chancelado pelo presidente, em entrevista à TV Record.
Nas gravações divulgadas, que seriam das conversas daquele dia, Bolsonaro e Bebianno falaram sobre o cancelamento de viagem de uma comitiva de auxiliares à Amazônia e sobre uma audiência que o ministro teria com o vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. "Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento", disse.
A exoneração de Bebianno foi confirmada nesta segunda-feira pelo porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros.
Bebianno caiu após uma crise instalada no Palácio do Planalto depois da revelação da existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral. O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.
A situação se agravou com a atuação de Carlos Bolsonaro, que, além de desmentir Bebianno sobre as conversas com o presidente, divulgou um áudio no qual o pai se recusa a conversar com o ex-auxiliar.
 

Confira a transcrição dos áudios divulgados pela revista

"Gustavo, o que eu acho desse cara da Globo dentro do Palácio do Planalto: eu não quero ele aí dentro. Qual a mensagem que vai dar para as outras emissoras? Que nós estamos se aproximando da Globo. Então não dá para ter esse tipo de relacionamento. Agora... Inimigo passivo, sim. Agora... Trazer o inimigo para dentro de casa é outra história."
Desde janeiro, porém, o mesmo Tonet se reuniu com ao menos outros três ministros do governo: Onyx Lorenzoni (Casa Civil), general Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional) e general Santos Cruz (Secretaria de Governo).
"Pô, cê tem que ter essa visão, pelo amor de Deus, cara", continua Bolsonaro no áudio. "Fica complicado a gente ter um relacionamento legal dessa forma porque cê tá trazendo o maior cara que me ferrou -antes, durante, agora e após a campanha- para dentro de casa. Me desculpa. Como presidente da República: cancela, não quero esse cara aí dentro, ponto final. Um abraço aí."
Bebianno e Bolsonaro também trocaram mensagens sobre uma viagem à Amazônia, do então ministro da Secretaria-Geral com Ricardo Salles (Meio Ambiente) e Damares Alves (Direitos Humanos). A viagem seria feita no dia 13 (quarta-feira).
"Gustavo, uma pergunta: 'Jair Bolsonaro decidiu enviar para a Amazônia'? Não tô entendendo. Quem tá patrocinando essa ida para a Amazônia? Quem tá sendo o cabeça dessa viagem à Amazônia? Um abraço aí, Gustavo, até mais."
Em novo áudio enviado para Bebianno, o presidente afirma que a viagem não será realizada, em meio ao aumento da pressão sobre o aliado.
"Ô, Bebianno. Essa missão não vai ser realizada. Conversei com o Ricardo Salles. Ele tava chateado que tinha muita coisa para fazer e está entendendo como missão minha. Conversei com a Damares. A mesma coisa. Agora: eu não quero que vocês viajem porque... Vocês criam a expectativa de uma obra. Daí vai ficar o povo todo me cobrando. Isso pode ser feito quando nós acharmos que vai ter recurso, o orçamento é nosso, vai ser aprovado etc. Então essa viagem não se realizará, tá ok? Um abraço aí, Gustavo!"
No mesmo dia 12, Bebianno afirmou ao jornal O Globo que, "só hoje, falei três vezes com o presidente". Ele citou as conversas ao negar uma crise no governo desencadeada pelo esquema de candidaturas de laranjas do PSL. Dois dias antes, a Folha de S. Paulo havia revelado que Bolsonaro havia se recusado a atender um telefonema de Bebianno para discutir os desvios do PSL.
No dia seguinte, Carlos Bolsonaro atacou Bebianno em uma rede social e escreveu: "Ontem [dia 12] estive 24h do dia ao lado do meu pai e afirmo: 'É uma mentira absoluta de Gustavo Bebbiano que ontem teria falado 3 vezes com Jair Bolsonaro para tratar do assunto citado pelo Globo e retransmitido pelo Antagonista'."
Ainda no dia 13, em entrevista veiculada pela TV Record pouco antes de receber alta do Hospital Albert Einstein, Bolsonaro foi questionado sobre a crise.
"O sr. chegou a falar com Bebianno a respeito disso?", indagou o jornalista. "Em nenhum momento conversei com ele", respondeu o presidente.
Mas Bolsonaro enviou ao menos uma mensagem de áudio para Bebianno sobre o caso da candidata laranja em Pernambuco que recebeu R$ 400 mil em verba pública na eleição de 2018, conforme revelado pela Folha de S.Paulo.
"Querer empurrar essa batata quente desse dinheiro lá pra candidata em Pernambuco pro meu colo, aí não vai dar certo. Aí é desonestidade e falta de caráter. Agora, todas as notas pregadas nesse sentido foram nesse sentido exatamente, então a Polícia Federal vai entrar no circuito, já entrou no circuito, pra apurar a verdade. Tudo bem, vamos ver daí... Quem deve paga, tá certo? Eu sei que você é dessa linha minha aí. Um abraço."
Em outros áudios, Bolsonaro defende Carlos e reafirma a Bebianno que não conversou com o ministro no dia 12. O então ministro da Secretaria-Geral havia enviado mensagem com relato de que o filho estaria trabalhando nos bastidores pela sua queda.
"O caso incitando a saída é mais uma mentira", respondeu Bolsonaro."Você conhece muito bem a imprensa, melhor do que eu. Agora: você não falou comigo nenhuma vez no dia de ontem. Ele esteve comigo 24 horas por dia. Então não está mentindo, nada, nem está perseguindo ninguém."
Demonstrando ressentimento em relação ao filho do presidente, Bebianno diz que "ele [Carlos] não pode atacar um ministro dessa forma".
"Capitão, há várias formas de se falar. Nós trocamos mensagens ontem três vezes ao longo do dia, capitão. Falamos da questão do institucional do Globo. Falamos da questão da viagem. Falamos por escrito, capitão. Qual a relevância disso, capitão? Capitão, as coisas precisam ser analisadas de outra forma. Tira isso do lado pessoal. Ele não pode atacar um ministro dessa forma. Nem a mim nem a ninguém, capitão. Isso está errado. Por que esse ódio? Qual a relevância disso? Vir a público me chamar de mentiroso? Eu só fiz o bem, capitão. Eu só fiz o bem até aqui. Eu só estive do seu lado, o senhor sabe disso. Será que o senhor vai permitir que eu seja agredido dessa forma? Isso não está certo, não, capitão. Desculpe."
Em outro áudio enviado a Bolsonaro, Bebianno reafirma que falou com o presidente no dia 12.
"Capitão, eu só prego a paz, o tempo inteiro. O tempo inteiro eu peço para a gente parar de bater nas pessoas. O tempo inteiro eu tento estabelecer uma boa relação com todo mundo. Minha relação é maravilhosa com todos os generais. O senhor se lembra que, no início, eu não podia participar daquelas reuniões de quartas-feiras, porque os generais teriam restrições contra mim? Eu não entendia que restrições eram aquelas, se eles nem me conheciam. O senhor hoje pergunte para eles qual o conceito que eles têm a meu respeito, sabe, capitão? Eu sou uma pessoa limpa, correta. Infelizmente não sou eu que faço esse rebuliço, que crio essa crise. Eu não falo nada em público. Muito menos agrido ninguém em público, sabe, capitão? Então quando eu recebo esse tipo de coisa, depois de um post desse, é realmente muito desagradável. Inverta, capitão. Imagine se eu chamasse alguém de mentiroso em público. Eu não sou mentiroso. Ontem eu falei com o senhor três vezes, sim. Falamos pelo WhatsApp. O que é que tem demais? Não falamos nada demais. A relevância disso... Tanto assunto grave para a gente tratar. Tantos problemas. Eu tento proteger o senhor o tempo inteiro. Por esse tipo de ataque? Por que esse ódio? O que é que eu fiz de errado, meu Deus?"
Em resposta ao então ministro, Bolsonaro dá a entender que não considera como conversa os áudios de WhatsApp trocados com Bebianno no dia 12.
"Ô, Gustavo, usar da... Que usou do WhatsApp para falar três vezes comigo, aí é demais da tua parte, aí é demais, e eu não vou mais responder a você."
O presidente também acusa Bebianno de plantar uma nota no site Antagonista sobre ele, Bolsonaro,não estar atendendo o aliado.
"Outra coisa, eu sei que você manda lá no Antagonista, a nota foi pregada lá. Dias antes, você pregou uma nota que tentou falar comigo e não conseguiu no domingo. Eu sabia qual era a intenção, era exatamente dizer que conversou comigo e que está tudo muito bem, então faz o favor, ou você restabelece a verdade ou não tem conversa a partir daqui pra frente."
O então ministro da Secretaria-Geral rebate o presidente e nega ter plantado a nota do Antagonista que, citando a Folha de S.Paulo, afirmava que Bolsonaro não estava atendendo às ligações de Bebianno.
"Capitão, a nota do Antagonista que o senhor tá me acusando de ter plantado... Se o senhor olhar bem, eu localizei aqui e mandei pro senhor. Eu não plantei nada. Ela replica o que a Folha falou. Está escrito aqui: "segundo a Folha, segundo a Folha, o ministro Gustavo Bebianno tentou ligar para Jair Bolsonaro neste domingo para explicar o caso, mas o presidente não atendeu". Quem mencionou isso não foi o Antagonista, foi a Folha. O Antagonista simplesmente replicou. Então, capitão, eu não plantei nada em lugar nenhum, tá? Abraço."
Em novo áudio, Bolsonaro diz que Bebianno entra em contradição.
"Bebianno, olha como você entra em contradição. Que seja a Folha. Se foi uma tentativa tua pra mim e eu não atendi... Eu não liguei pra Folha, eu não ligo pra imprensa nenhuma. Quem ligou foi você, quem vazou foi você. Dá pra você entender o caminho que você está indo? E você tem que fazer uma reflexão para voltar à normalidade. Deu pra entender? Vou repetir: se você tentou falar comigo, um pra um, se alguém vazou pra Folha, não fui eu, só pode ser você. Tá ok?"
No áudio seguinte, Bebianno reafirma que não vazou nenhuma informação para a imprensa.
"Não, capitão, não é isso, não. Eu não tentei ligar pro senhor, eu não falei, não vazei nada pra ninguém.Eu nem tentei ligar pro senhor. O senhor mandou um recado que era pra eu não ir ao hospital. Não fui e não liguei pro senhor nenhuma vez. Deixei o senhor em paz. É... Se eu tentei ligar uma ou duas vezes, também não me lembro pelo motivo que foi, é...Não é isso, não, capitão, tá?Eu não vazei nada pra lugar nenhum, muito menos pra Folha, com quem eu praticamente não falo. Abraço, capitão."
Bebianno usa mais um áudio para explicar ao presidente seu papel como presidente nacional do PSL durante o período eleitoral em 2018.
"Em relação a isso, capitão, também acho que a coisa está... Não está clara. A minha tarefa como presidente interino nacional foi cuidar da sua campanha. A prestação de contas que me competia foi aprovada com louvor, é...Agora, cada estado fez a sua chapa. Em nenhum partido, capitão, a nacional é responsável pelas chapas estaduais. O senhor sabe disso melhor do que eu. E, no nosso caso, quando eu assumi o PSL, houve uma grande dificuldade na escolha dos presidentes de cada estado, porque nós não sabíamos quem era quem. É... Cada chapa foi montada pela sua estadual. No caso de Pernambuco, pelo Bivar, logicamente. Se o Bivar escolheu candidata-laranja, é um problema dele, político. E é um problema legal dela explicar o que ela fez com o dinheiro. Da minha parte, eu só repassei o dinheiro que me foi solicitado por escrito. Eu tenho tudo registrado por escrito. Então é ótimo que a Polícia Federal esteja, é ótimo que investigue, é ótimo que apure, é ótimo que puna os responsáveis. Eu não tenho nada a ver com isso."
Em seguida, Bebianno, no que parece ser uma nova crítica a Carlos Bolsonaro, diz que o presidente está sendo "envenenado".
"É... Depois a gente conversa pessoalmente, capitão, tá? Eu tô vendo que o senhor está bem envenenado. Mas tudo bem, a minha consciência está tranquila, o meu papel foi limpo, continua sendo. E tomara que a polícia chegue mesmo à constatação do que foi feito, mas eu não tenho nada a ver com isso. O Luciano Bivar que é responsável lá pela chapa dele. Abraço, capitão."

Palácio pede que equipe trate ex-ministro como 'página virada'

Com o agravamento da crise no governo, após o vazamento de áudios do presidente Jair Bolsonaro (PSL), o Palácio do Planalto orientou a equipe ministerial a não falar sobre o assunto publicamente e a tratar o ex-ministro da Secretaria-Geral Gustavo Bebianno (PSL) como "página virada". A ordem, repassada em reunião ministerial na manhã de ontem, foi de que o foco de todo o governo neste momento deve ser a reforma previdenciária e o pacote anticrime, em uma estratégia para tentar ofuscar o episódio que teve como desfecho a primeira queda no primeiro escalão da nova gestão. Nas palavras de um assessor, o plano é minimizar o conteúdo das gravações divulgadas.

Comissão do Senado aprova convite a ex-secretário-geral da Presidência

A Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado aprovou, nesta terça-feira, por seis votos a cinco, um requerimento para convidar o ex-ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno (PSL) para prestar depoimento sobre as denúncias de uso de candidaturas laranjas para desvio de recursos eleitorais. O autor do requerimento foi o senador Randolfe Rodrigues (REDE-AP). A aprovação desse convite não significa, no entanto, que Bebianno precisará comparecer ao colegiado. Ele pode se recusar a prestar esclarecimentos no Senado. Integrantes da base desconfiam que o ex-ministro aceite o convite e resolva falar à comissão.

Presidente do PSL, Luciano Bivar vai a reunião no Planalto

Um dia após a demissão do ministro Gustavo Bebianno (PSL), da Secretaria-Geral da Presidência, o presidente da sigla, deputado federal Luciano Bivar, visitou o presidente Jair Bolsonaro (PSL) no Palácio do Planalto. Na saída, o parlamentar evitou falar com a imprensa e disse que foi um "almoço cordial". Nos corredores do Planalto, cresce o movimento para que Bivar deixe a presidência do partido de Bolsonaro. 

Fundador do PSL, Bivar se licenciou temporariamente no ano passado da presidência nacional da legenda, que foi assumida por Bebianno, então coordenador da campanha de Bolsonaro. Bivar, então, colocou seu advogado, Antônio de Rueda, no comando do partido em Pernambuco. O diretório estadual está envolvido em suspeitas de uso de candidaturas laranja para desvio de dinheiro do fundo eleitoral na última eleição.

O presidente não está satisfeito em ver seu governo se desgastando politicamente por conta dos problemas apresentados pelo partido na campanha. Além de Bebianno, o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), também entrou na linha de tiro das suspeitas de uso de candidaturas laranjas na campanha eleitoral.

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