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Porto Alegre, terça-feira, 15 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Política

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Câmara de Porto Alegre

Edição impressa de 14/01/2019. Alterada em 15/01 às 15h27min

Câmara de Vereadores inicia 2019 com nova configuração

Novos ocupantes serão Karen Santos, Pastor Sossmeier, Tessaro, Rafão Oliveira e Camassetto

Novos ocupantes serão Karen Santos, Pastor Sossmeier, Tessaro, Rafão Oliveira e Camassetto


ARTE/MONTAGEM/JC
Diego Nuñez
Em recesso parlamentar, os vereadores de Porto Alegre só retomam as atividades no dia 4 de fevereiro. Alguns deles, contudo, não retornarão à casa legislativa situada na avenida Loureiro da Silva. Alguns migrarão do Legislativo para a Assembleia do Estado, ou mesmo para a Câmara dos Deputados, em Brasília. Ainda há uma vereadora já empossada no Executivo municipal. A Câmara iniciará 2019 com uma composição 20% diferente da qual começou 2018.
Dos 36 vereadores da Capital no início do ano passado, sete não farão parte do quadro parlamentar este ano. A maior parte deles em decorrência do pleito eleitoral de 2018. Foram cinco políticos com mandatos na Capital eleitos na votação. 
Dos 20 vereadores que concorreram, apenas uma conseguiu chegar à Câmara dos Deputados, em Brasília. Fernanda Melchionna (PSOL) foi a oitava deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, com 114.302 eleitores. Em seu lugar, caberá à Karen Santos (PSOL) a responsabilidade de substituir a vereadora mais votada na Capital em 2016.
Karen já havia assumido interinamente um mandato em abril de 2017. Na época, se apresentou "destacando que não estou falando aqui enquanto Karen, mas falo enquanto um grupo de pessoas, um coletivo". Ela falava do Alicerce, uma das correntes do PSOL. Mulher, preta e professora da Rede Pública Estadual, Karen é militante no movimento negro, na luta feminista pela igualdade de gênero e defende o ensino público. Ela exercerá seu primeiro mandato na política institucional.
Os outros quatro vereadores que participaram das eleições de 2018 e obtiveram sucesso migraram de Legislativo para a Assembleia do Estado. Dentre eles, o eleito com maior votação foi Elizandro Sabino (PTB), com 36.033 votos. O primeiro suplente do PTB é Luciano Marcantônio, que deve ser mantido como o titular da Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade no governo Nelson Marchezan Júnior (PSDB).
Quem entra, então, é Rafão Oliveira (PTB). Policial civil, assumiu mandato pela primeira em maio de 2017, e lembrou que, no exercício de sua profissão, sempre trabalhou pela vida humana e pela segurança: "Nada tem sentido se a vida não for garantida". Rafão atuará na bancada que é um dos pilares do governo Marchezan na Câmara, em um ano determinante para a aprovação de projetos do Executivo.
Após dois anos afastado, depois de ocupar por 12 anos uma cadeira na Câmara, Engenheiro Carlos Comassetto (PT) retorna ao Legislativo. Ele entra no lugar de Sofia Cavedon (PT), eleita com 32.969 votos. Comassetto é formado em Agronomia, foi secretário municipal de Produção, Indústria e Comércio (1989-1995) e vereador por três mandatos, até 2016. Voltou temporariamente à Casa em julho de 2017. Na ocasião, seis meses afastado do Legislativo, disse "perceber que o Parlamento está com a imagem péssima", e disse que "o Parlamento não é para destilar ódio, o Parlamento não é para suprimir os direitos democráticos".
Outro que não é novidade na política do município é Nelcir Tessaro (DEM), que assumirá a cadeira vaga de Thiago Duarte (DEM), eleito com 27.907 votos. Tessaro foi presidente da Câmara em 2010, na época, com mandato pelo PTB, chegou a assumir interinamente a prefeitura de Porto Alegre em cinco oportunidades, num total de 32 dias. Graduado em Administração e em Ciências Jurídicas, foi diretor do Departamento do Trabalho da Secretaria do Trabalho, e coordenador do Sistema Nacional de Empregos (Sine), tendo sido vereador de 2009 a 2012.
Talvez o maior contraste entre substituto e substituído seja a de Pastor Hamilton Sossmeier (PSC) com Rodrigo Maroni (Podemos), eleito deputado estadual com 26.449 votos. Maroni entrou para a Câmara pelo PR, e migrou para o Podemos em setembro de 2017. Coligado com o PR durante as eleições de 2016, o PSC tem como primeiro suplente o Pastor Hamilton, natural de Passo Fundo e morador de Porto Alegre há 11 anos.
Bispo da Igreja do Evangelho Quadrangular (IEQ), administra 22 igrejas na cidade. É também membro do conselho estadual da IEQ, que conta com 965 igrejas no Estado. Maroni pertencia à base do governo Marchezan, e mesmo que a questão não tenha sido fechada internamente no PSC, Hamilton disse que "a tendência é que também participe da base".

Dois vereadores já assumiram mandatos no final do ano passado

A primeira ausência no Parlamento ocorreu por um falecimento. Na madrugada de 5 de dezembro, o vereador e ex-jogador do Grêmio Tarciso Flecha-Negra (PSD) morreu, aos 67 anos, vítima de um câncer ósseo. No lugar de Tarciso, assumiu Cláudio Conceição (DEM). Inspetor da Polícia Civil, Conceição já havia assumido um mandato temporariamente em 2014, e afirmou atuar "no combate à drogadição e na luta por mais segurança para os taxistas". Durante o ano de 2019, fará parte da Comissão de Defesa do Consumidor, Direitos Humanos e Segurança Urbana (Cedecondh).
A segunda vereadora que deixou a Câmara no fim de 2018 foi a Comandante Nádia (MDB), chamada para ser secretária municipal do Desenvolvimento Social e Esporte no governo Nelson Marchezan Júnior (PSDB). Para o lugar de Nádia, Lourdes Sprenger (MDB) participará da maior bancada do Parlamento. Contadora e auditora, fez carreira na estatal Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). Empossada em 8 de janeiro, se descreve como ativista e defensora da causa animal. Eleita em 2012 para a Câmara, se diz "a primeira parlamentar a divulgar a causa animal em uma campanha política partidária" e aprovou, em 2010, a criação da Lei de Criação da Secretaria Especial dos Direitos Animais.

DEM cresce e se aproxima do governo

Quem assumiu a cadeira deixada por Tarciso Flecha Negra (PSD) na Câmara foi Cláudio Conceição (DEM), por causa da coligação das siglas na eleição municipal de 2016. Assim, os Democratas ganham mais uma cadeira no legislativo, chegando a três. Dos 13 projetos enviado pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) para a apreciação de plenário depois que Conceição assumiu, o parlamentar votou favoravelmente em todos.

Quem também chega na bancada é Nelcir Tessaro, agora no DEM já tendo sido presidente da casa pelo PTB e presidente municipal da sigla em 2000 e 2001. O PTB, desde o início da gestão, é fiel aliado do prefeito. Isso somado à ida de Thiago Duarte (DEM) para a Assembleia - enquanto vereador, Duarte fez dura oposição a projetos tido como essenciais para Marchezan, que faziam alterações na carreira e na Previdência dos municipários. O DEM fica muito próximo da base.

Pela segunda vez, governista comanda a Mesa Diretora

Oficialmente, é a segunda vez que a Câmara será presidida por um componente da base do governo Nelson Marchezan Júnior (PSDB), com Mônica Leal (PP). Isso apenas porque apenas no final do ano passado que o MDB oficializou a adesão ao governo - partido do presidente em 2018, Valter Nagelstein. Em 2017, coube a Cassio Trogildo (PTB) o comando do Parlamento. Naquele ano, a presidência da Câmara esteve bem mais próxima do Executivo do que uma simples relação entre Poderes.

Oposição perde força na casa

Com a mudança de esfera de Sofia Cavedon (PT), líder da oposição na maior parte de 2018, e de Fernanda Melchionna, líder em 2017 e vereadora com maior votação em 2016, a oposição ao governo perde dois quadros importantes.

Soma-se isso à saída de Thiago Duarte (DEM), que, mesmo não pertencendo ao bloco oposicionista, fazia confronto aos principais projetos do Executivo. Pode-se dizer que a dobradinha PT-PSOL perde um pouco de força.

Sofia afirmou que "a oposição poderá sentir um pouquinho no início. Esse conhecimento que se construiu com o conjunto dos partidos, dos vereadores, não é uma coisa automática", mas avaliou que as substituições estão à altura do enfrentamento que ambas vinham realizando.

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