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Porto Alegre, terça-feira, 18 de dezembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Política

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Partidos

Edição impressa de 18/12/2018. Alterada em 17/12 às 21h50min

MDB vai integrar governo de Eduardo Leite

Diretório decidiu entrar na gestão tucana com 47 votos favoráveis, nove contrários e dois nulos

Diretório decidiu entrar na gestão tucana com 47 votos favoráveis, nove contrários e dois nulos


LUIZA PRADO/JC
Marcus Meneghetti

"A votação teve 47 votos favoráveis à entrada na gestão do governador eleito, Eduardo Leite (PSDB); nove contrários; e dois nulos", anunciou o presidente do MDB gaúcho, Alceu Moreira, diante do auditório ocupado pelos membros do diretório estadual. Os convencionais se reuniram ontem de manhã, na sede estadual da legenda, em Porto Alegre, para dar uma resposta ao convite do tucano para que os emedebistas participassem do futuro governo. As maiores lideranças do partido estavam presentes, como a o ex-governador e ex-senador Pedro Simon, que era contra o ingresso na gestão tucana.

A decisão aumenta as chances de aprovação do projeto que prorroga por dois anos o aumento do Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), que vai ao plenário hoje à tarde, na Assembleia Legislativa. Na atual legislatura, Leite conta com uma base de 21 parlamentares. Com o reforço do MDB, passa a contar com 29 aliados no Parlamento gaúcho. 

O projeto precisa de 28 votos para ser aprovado. Mas a base de Leite deve ter dissidências de parlamentares que votarão contra o aumento da carga tributária. O líder do governo José Ivo Sartori (MDB) na Assembleia, Gabriel Souza (MDB), estima que dois dos oito deputados emedebistas votarão contra a prorrogação das alíquotas majoradas. O senador eleito Luis Carlos Heinze (PP) projeta que a bancada de sete parlamentares do seu partido vai ter um voto contrário à medida.

Depois da reunião, o presidente estadual da sigla, Alceu Moreira (MDB) - que se manifestou contrário à adesão ao governo Leite -, avaliou o espaço que o MDB deve ocupar na futura gestão. "Junto com a bancada e alguns membros do partido, vamos discutir qual vai ser a participação no governo. É possível fazer uma discussão madura para falar do tamanho e da história do nosso partido no Rio Grande do Sul. A participação no governo deve ser equânime à relevância do MDB gaúcho", projetou Alceu.

Até o resultado da votação que culminou na adesão ao governo Leite, dezenas de convencionais discursaram ao microfone, ao longo de três horas, no auditório da sede. Tanto quem era favorável quanto quem era contrário à entrada na futura administração concordava que o programa de governo do tucano é semelhante ao de Sartori. 

A maioria avaliou que essa proximidade programática era motivo suficiente para entrar na gestão, superando os atritos do segundo turno da eleição, quando Leite e Sartori se enfrentaram trocando acusações entre si. Souza citou alguns objetivos comuns dos dois, como a adesão ao Regime de Recuperação Fiscal (RRF) e a privatização das companhias Estadual de Energia Elétrica (CEEE), de Gás do Rio Grande do Sul (Sulgás) e Riograndense de Mineração (CRM). 

"O governador eleito, Eduardo Leite, tem os mesmos projetos que o governador Sartori realizou ou tentou realizar. Quero participar da gestão que é continuação da nossa, quero sentar com o secretariado e influenciar nas decisões, para que o governo não fuja do que planejamos para o Estado", disse o líder do governo Sartori, durante o seu pronunciamento aos colegas de partido.

Junto com a adesão, os emedebistas decidiram formular uma carta de compromissos para ser entregue ao governador eleito, esclarecendo o que consideram imprescindível para a próxima administração. O documento pede que o tucano se comprometa com a política de responsabilidade fiscal de Sartori; adesão ao RRF; manutenção de políticas de segurança pública, como a isenção fiscal para empresas que fizerem doações para as forças de segurança; e manutenção de programas sociais, como o Centro de Referências da Juventude.

Presidente da sigla admite constrangimento com aliança

Durante a reunião de ontem do diretório estadual do MDB, lideranças de peso se manifestaram contra a entrada do MDB na gestão do governador eleito, Eduardo Leite (PSDB). Entre elas, o ex-governador e ex-senador Pedro Simon;  o presidente estadual da sigla, Alceu Moreira; o deputado estadual eleito Sebastião Melo; e o deputado reeleito Tiago Simon. Na avaliação deles, não é necessário entrar na base para apoiar as pautas convergentes, como adesão ao RRF e a redução da máquina pública.

Depois da decisão, Alceu Moreira admitiu que causa constrangimento aos filiados e a ele próprio aderir ao governo Leite - menos de dois meses depois que o tucano derrotou o governador José Ivo Sartori (MDB) no segundo turno das eleições, em uma campanha acirrada, em que os dois defenderam a tese de que eram diferentes do seu adversário. "Imagino que o militante que fez campanha, que muitas vezes exacerbou o debate, tenha constrangimento. Aliás, como presidente do partido, tenho constrangimento, sim. Mas, diante da votação do diretório, que decidiu pela entrada por massacradora maioria, esses sentimentos pessoais são irrelevantes", avaliou o presidente.

Sebastião Melo disse que seria possível defender as pautas convergentes sem entrar no governo tucano. "Dou acordo para votar a favor das pautas que Sartori apresentou e Leite pretende levar adiante. Mas poderíamos votar todas essas matérias sem entrar no governo. Seria uma maneira de o MDB se reencontrar com as suas bases, respeitando a decisão do eleitor que quis que outro fosse para o governo".

Ao lado do pai, Tiago Simon fez um dos discursos mais fortes. Começou questionando os correligionários: "Será que o melhor para o partido é virar um puxadinho do governo Leite? Será que isso não diminui o tamanho do MDB?" E concluiu: "Infelizmente, o MDB tem a marca do fisiologismo, principalmente no âmbito nacional. Temos uma oportunidade ímpar de mostrar que somos austeros, independentes".

Diretório municipal decide amanhã se entra na gestão Marchezan

O MDB da Capital convocou o diretório municipal para uma reunião amanhã, às 18h, na qual será decidido se a sigla vai aceitar o convite feito pelo prefeito Nelson Marchezan Júnior (PSDB) aos vereadores emedebistas para ingressarem na sua base aliada. A exemplo do que aconteceu no diretório estadual - que deliberou pela entrada na gestão do governador eleito, Eduardo Leite (PSDB) -, a tendência é que os emedebistas de Porto Alegre optem por participar da administração Marchezan. 

O deputado estadual eleito Sebastião Melo (MDB) - que foi derrotado pelo tucano no segundo turno das eleições municipais de 2016 - é contra o ingresso no atual governo municipal, assim como foi contra a entrada no futuro governo estadual. A campanha para a prefeitura de Porto Alegre foi bastante tensa na segunda etapa do pleito, com episódios de tiros disparados contra o comitê eleitoral de Marchezan e a morte do coordenador do plano de governo de Melo, Plínio Zaleswki.

"Existe uma diferença entre as duas decisões. Não sabemos o que esperar do Eduardo Leite, porque ele nem assumiu ainda. Mas, no caso do Marchezan, já se passaram dois anos de gestão. O grande problema do MDB municipal é que tomaram a decisão (de entrar) antes de convocar o diretório. As conversações ocorreram (entre os vereadores e o paço municipal) e a decisão foi tomada. Convocaram o diretório para dar legitimidade. Acho totalmente ilegítimo isso", criticou Melo.

Petistas devem votar favoravelmente ao projeto do ICMS

O apoio da bancada do PT na Assembleia à manutenção do aumento das alíquotas do ICMS deve ser formalizado hoje em uma reunião dos deputados da sigla, antes da sessão plenária, confirmou o deputado estadual Edegar Pretto (PT). Na noite de ontem, o vice-governador eleito, Delegado Ranolfo (PTB), e o futuro chefe da Casa Civil, Otomar Vivian (PP), entregaram um documento de Eduardo Leite (PSDB) respondendo às demandas do PT, que inclui a normalização do pagamento dos servidores e do repasse aos hospitais, redução das tarifas para gás de cozinha e eletricidade. "Ter um governador disposto a dialogar é importante, e por duas vezes ele se sentou com a bancada para conversar", pontuou Pretto.

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