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Porto Alegre, terça-feira, 27 de novembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Política

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operação lava jato

Edição impressa de 27/11/2018. Alterada em 27/11 às 01h00min

Com Dilma, país tem três dos cinco ex-presidentes da República réus

A Operação Lava Jato e seus desdobramentos colocaram três dos cinco ex-presidentes vivos do Brasil na condição de réus perante à Justiça. Também estão denunciados um outro ex e o atual ocupante do Palácio do Planalto.
O caso mais recente envolve a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Ela se tornou ré na sexta-feira, ao lado do seu antecessor e padrinho político Luiz Inácio Lula da Silva (PT), acusada de integrar organização criminosa.
Segundo denúncia apresentada em setembro de 2017 pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e acolhida na Justiça Federal do Distrito Federal na última sexta, Dilma e Lula tiveram participação em um esquema montado para coletar propinas de R$ 1,48 bilhão entre 2002 e 2016. As vantagens teriam sido pagas em contratos da Petrobras, do Bndes e do Ministério do Planejamento. A acusação partiu de delações firmadas na Lava Jato envolvendo empreiteiras e ex-diretores da Petrobras.
Lula, além de réu na ação ao lado de Dilma, está preso desde abril no caso do triplex do Guarujá (SP), no qual é acusado de ter recebido propina da construtora OAS, e também responde a outras duas ações na Justiça Federal do Paraná, ambas em estado avançado, e mais três no Distrito Federal.
Outro ex-presidente réu na Justiça é o atual senador Fernando Collor (PTC-AL), acusado na Lava Jato pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro, relacionados à BR Distribuidora. A denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) foi acolhida em agosto de 2017 por unanimidade pela Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Collor é também investigado em outros inquéritos decorrentes da Lava Jato no Supremo.
Presidente de 1985 a 1990, José Sarney (MDB) foi denunciado pela PGR em 2017, ao lado de senadores do MDB, acusado de receber recursos desviados de contratos da Transpetro, subsidiária da Petrobras. O caso aguarda análise no Supremo.
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) chegou a ser alvo em uma petição, encaminhada à Justiça Federal de São Paulo, derivada da delação da Odebrecht, em 2017, que tratava de um depoimento do empreiteiro Emílio Odebrecht. O empresário havia citado em depoimento o "pagamento de vantagens indevidas" para a campanha do tucano à presidência, nos anos 1990. No entanto, a Justiça arquivou a petição meses depois, considerando que eventuais irregularidades prescreveram.
O grupo dos ex-presidentes que viraram réus pode crescer em 2019. O atual presidente, Michel Temer (MDB), foi denunciado como destinatário de propinas da Odebrecht e do grupo JBS -  esta última gerou duas denúncias, ambas barradas pela base aliada do emedebista na Câmara dos Deputados no ano passado.
Os dois casos estão congelados e só voltam a tramitar em 2019, após o fim do mandato de Temer. Ele também é investigado em outro inquérito, que apura se ele beneficiou empresas ligadas ao porto de Santos.
 
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