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Porto Alegre, terça-feira, 27 de novembro de 2018.
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Jornal do Comércio

Política

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Operação Lava Jato

Edição impressa de 27/11/2018. Alterada em 27/11 às 01h00min

Ex-presidente Lula é denunciado por suposta lavagem de R$ 1 milhão

A força-tarefa da Lava Jato em São Paulo denunciou ontem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, ele teria recebido R$ 1 milhão, na forma de doação para o Instituto Lula, ao influenciar decisões do presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang, que beneficiaram o grupo brasileiro ARG. O controlador do grupo ARG, Rodolfo Giannetti Geo, foi denunciado pelos crimes de tráfico de influência em transação comercial internacional e lavagem de dinheiro.

Segundo os procuradores, o empresário procurou Lula entre setembro e outubro de 2011 e solicitou que o ex-presidente interviesse junto a Obiang, para que o governo daquele país continuasse contratando o Grupo ARG para construção de rodovias.

Os procuradores afirmam que as provas foram colhidas nos e-mails do Instituto Lula, apreendidos em busca e apreensão realizada no Instituto Lula em março de 2016 e foram encaminhadas a São Paulo pelo então juiz Sérgio Moro.

Em um e-mail datado de 5 de outubro de 2011, o ex-ministro do Desenvolvimento do governo Lula, Miguel Jorge, endereçado a Clara Ant, diretora do Instituto Lula, afirma que o ex-presidente havia dito a ele que gostaria de falar com Rodolfo Giannetti Geo sobre o trabalho da empresa na Guiné Equatorial. No mesmo e-mail, Miguel Jorge afirma que a empresa estava disposta a fazer uma contribuição financeira "bastante importante" ao Instituto Lula.

Em maio de 2012, o empresário enviou a Clara Ant uma carta digitalizada de Teodoro Obiang para Lula e pediu que fosse agendado um encontro com o ex-presidente para a entrega da carta original. Ele diz que viajaria para a Guiné Equatorial no dia 20 de maio e que gostaria de levar a resposta de Lula a Obiang. Na carta, o presidente da Guiné Equatorial pediu que Lula intercedesse junto à presidente Dilma Rousseff (PT) para que o país ingressasse na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

No dia 21 de maio, Lula escreveu uma carta para Obiang, mencionando uma conversa entre ambos por telefone, no qual afirma que acreditava que o país poderia ingressar, futuramente, na comunidade. A carta foi entregue ao presidente da Guiné Equatorial pelo empresário. Na carta, Lula cita o empresário e diz que ele dirige a ARG "empresa que, desde 2007, se familiarizou com a Guiné Equatorial, destacando-se na construção de estradas".

A força-tarefa da Lava Jato identificou pagamento, via transferência bancária, de R$ 1 milhão pela ARG ao instituto em 18 de junho de 2016. A entidade emitiu recibo da doação.

Os procuradores dizem que "não se trata de doação, mas pagamento de vantagem a Lula em virtude do ex-presidente do Brasil ter influenciado o presidente de outro país no exercício de sua função". Como Lula tem mais de 70 anos, um suposto crime de tráfico de influência já prescreveu.

A defesa de Lula divulgou nota afirmando que a denúncia "subverte a lei e os fatos para fabricar uma acusação e dar continuidade a uma perseguição política sem precedentes pela via judicial" e que é mais um "golpe no Estado de Direito".

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