Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, sexta-feira, 09 de novembro de 2018.
Dia do Hoteleiro.

Jornal do Comércio

Política

COMENTAR | CORRIGIR

operação lava jato

09/11/2018 - 08h19min. Alterada em 09/11 às 10h58min

PF prende Joesley Batista e vice-governador de Minas Gerais na Operação Capitu

Investigações aponta esquema de distribuição de suborno pela JBS para políticos do MDB

Investigações aponta esquema de distribuição de suborno pela JBS para políticos do MDB


MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC
Folhapress
O empresário da JBS Joesley Batista, o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), o ex-ministro Neri Geller (PP-MG) e o deputado estadual João Magalhães (MDB-MG) foram presos nesta sexta-feira (9), alvos da Operação Capitu, deflagrada pela Polícia Federal. A ação investiga suposto esquema de corrupção no Ministério da Agricultura entre 2014 e 2015, quando Andrade e Geller foram ministros, na gestão de Dilma Rousseff (PT).
Também é alvo da operação o empresário Ricardo Saud (ex-diretor da J&F, holding que controla a JBS), que estava em sua residência em São Paulo junto com oficiais da PF e seus advogados.
A PF cumpre 63 mandados de busca e apreensão e 19 de prisão temporária em cinco estados: Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Paraíba e Mato Grosso. Apenas em Belo Horizonte são cumpridos 26 mandados. Os mandados foram expedidos pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) e mobilizam 310 agentes da PF.
Segundo a PF, a operação é baseada na delação de Lúcio Funaro (apontado como operador financeiro do MDB), que disse que havia um esquema de distribuição de suborno pela JBS para políticos do MDB e servidores dentro do Ministério da Agricultura, na gestão de Antonio Andrade. Em troca do dinheiro, eram aprovadas medidas que beneficiariam os empresários. Segundo a investigação, entre as medidas, estavam licenciamentos e normas do ministério que, na prática, eliminaram a concorrência da empresa no mercado de carnes.
Segundo a delação de Funaro, a JBS também teria repassado cerca de R$ 7 milhões ao MDB na Câmara. Esta propina, de acordo com a PF, era negociada com o ex-deputado Eduardo Cunha (MDB) e entregue aos demais políticos e servidores da pasta por Funaro. Em troca, o ministério beneficiou a JBS com determinações como a regulamentação da exportação de despojos, a proibição do uso da ivermectina (remédio que combate verminoses e parasitas) de longa duração e a federalização das inspeções de frigoríficos. Pela primeira medida, foram pagos R$ 2 milhões e pela segunda, R$ 5 milhões.
O então deputado federal Manoel Junior (PSC-PB), atual vice-prefeito de João Pessoa, teria recebido, segundo a PF, R$ 50 mil pela tentativa de promover a federalização das inspeções sanitárias por meio de uma emenda em medida provisória de 2014 que tratava de assunto diverso, o licenciamento de farmácias.
O inquérito apurou ainda que a JBS financiou ilegalmente, com R$ 30 milhões, a campanha de Cunha para a presidência da Câmara. Metade da verba foi repassada a Andrade, que por sua vez redistribuiu parte dos recursos entre a bancada mineira.
O esquema de lavagem envolveu seis escritórios de advocacia, que intermediaram os pagamentos por meio de notas fiscais frias.
A rede BH Supermercados também participou da lavagem de dinheiro, repassando a verba em dinheiro vivo e doações oficiais de campanha, que chegaram a quase R$ 8,5 milhões nas eleições de 2014.
Os alvos da operação serão indiciados pelos crimes de constituição e participação em organização criminosa, obstrução de justiça, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, entre outros.
O nome da Operação Capitu é uma referência à personagem dissimulada do romance Dom Casmurro, de Machado de Assis. Isso porque empresários e funcionários da JBS que tinham fechado acordo de delação premiada tentaram desviar as investigações, cometendo obstrução de justiça.
Nas delação da JBS, o vice-governador Antônio Andrade é citado junto a Eduardo Cunha em planilhas que apontam aproximadamente R$ 8 milhões em repasses.
Os documentos foram entregues ao MPF (Ministério Público Federal) pelo lobista Ricardo Saud, executivo da empresa, e indicam que os valores foram transferidos em 2014, durante a campanha eleitoral, por meio de contratos com escritórios de advocacia.
Saud disse em delação que mais de 100 escritórios emitiram notas frias da JBS para repassar propinas a políticos. Agora, a PF fala que foram R$ 15 milhões em repasses, envolvendo seis escritórios.
Na mesma delação, Joesley Batista disse que, enquanto era ministro, Andrade foi responsável por apresentá-lo a Eduardo Cunha. Na ocasião, disse o dono da JBS, Cunha insinuou que o empresário fazia pedidos ao ministério muito difíceis de "faturar" em propina. O clima esquentou.
"Nesse dia o ministro Toninho teve até que apartar lá porque eu fiquei chateado com ele [Cunha]", disse Joesley. Depois, segundo a delação, Cunha e o empresário fizeram as pazes e acertaram propinas de R$ 7 milhões em troca de regulamentações feitas pelo ministério.
O dinheiro, conforme a delação, foi depositado na conta do operador Lúcio Bolonha Funaro, responsável pela delação que gerou a operação desta sexta.
Antônio Andrade também foi citado na delação da Odebrecht por ter recebido repasses de R$ 275 mil.
Segundo um dos advogados de defesa de Joesley Batista, Pierpaolo Bottini, a prisão do empresário não faz sentido, porque os crimes investigados fazem parte de sua delação e seu acordo de colaboração premiada continua válido. O advogado ressalta ainda que Joesley já prestou depoimento nesse inquérito.
"Todos esses fatos só são investigados porque Joesley entregou dados e documentos à Polícia Federal. A prisão merece ser reconsiderada", declarou. Segundo a defesa, Joesley e Saud prestaram três depoimentos cada um no inquérito sobre essas investigações, apresentando planilhas, documentos e relatos escritos.
Outro advogado da defesa, André Callegari, diz que Joesley Batista tem cumprido à risca a função de colaborador da Justiça, "portanto, causa estranheza o pedido de sua prisão no bojo de um inquérito em que ele já prestou mais de um depoimento na qualidade de colaborador e entregou inúmeros documentos de corroboração. A prisão é temporária e ele vai prestar todos os esclarecimentos necessários".
A procuradora geral da República, Raquel Dodge, pediu o fim do acordo de colaboração de Joesley e Saud, mas a defesa recorreu, alegando que só o STF (Supremo Tribunal Federal) pode anular o acordo. O caso aguarda julgamento do ministro Edson Fachin.
Joesley Batista já havia sido preso no ano passado em setembro, quando quebrou acordo de colaboração premiada com a PGR (Procuradoria Geral da República), ao omitir informações em sua delação. Ele também foi acusado de plantar informações privilegiadas no mercado para se beneficiar do escândalo. tinha deixado a prisão em março e até a manhã desta sexta usava tornozeleira em sua casa, em São Paulo.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia