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Porto Alegre, quarta-feira, 31 de outubro de 2018.
Dia das Bruxas.

Jornal do Comércio

Política

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IMPRENSA

Edição impressa de 31/10/2018. Alterada em 31/10 às 01h00min

Declaração de presidente eleito sobre jornal preocupa associações do setor

Associações de jornalistas profissionais manifestaram repúdio às declarações que o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) disse em entrevista ao Jornal Nacional contra a Folha de S.Paulo na segunda-feira.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que "no que depender de mim, imprensa que se comportar de maneira indigna não terá recursos do governo federal". O presidente eleito, depois, completou: "Por si só esse jornal se acabou".

Para as organizações, o presidente eleito não deveria ter a intenção de manejar verbas oficiais a fim de retaliar jornais, suas declarações alimentam um clima de confronto que é contraproducente e seu discurso demonstra que Jair Bolsonaro não sabe receber críticas.

Marcelo Rech, presidente Associação Nacional de Jornais (ANJ) e vice-presidente do Fórum Mundial de Editores, disse que é preocupante que o presidente eleito tenha reiterado a intenção de usar o corte de verbas publicitárias oficiais como forma de punição quando discorda de um jornal. "Os investimentos do governo em publicidade, como qualquer outra verba pública, devem seguir sempre critérios técnicos, e não políticos ou partidários", disse.

Emmanuel Colombié, diretor do escritório da América Latina da Repórteres Sem Fronteiras, disse em nota que "as declarações agressivas contra a imprensa de Jair Bolsonaro são um mau presságio para esta nova era que se inaugura no Brasil". Colombié declarou que o clima de confronto com jornais é contraproducente e que, para preservar a democracia, Bolsonaro deve entender o papel da imprensa livre, crítica e independente.

Para Maria José Braga, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), na entrevista ao Jornal Nacional, Bolsonaro demonstrou despreparo para exercer um cargo em que receberá críticas constantes. "Ele tem perfil autoritário, que não aceita qualquer questionamento, ignorando o papel dos jornalistas, que é exatamente o de buscar e divulgar informações de interesse público. Bolsonaro, mais uma vez, ameaça quem lhe desagrada. A Fenaj repudia a declaração do presidente eleito e solidariza-se com os jornalistas que trabalham na Folha."

Em 2018, o Brasil ocupa o 102º lugar no ranking mundial de liberdade de imprensa elaborado pela Repórteres Sem Fronteiras. O Brasil também é o 10º país do mundo com o pior índice de impunidade em crimes contra jornalistas.

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