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Porto Alegre, quarta-feira, 31 de outubro de 2018.
Dia das Bruxas.

Jornal do Comércio

Política

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Partidos

Edição impressa de 31/10/2018. Alterada em 30/10 às 23h34min

'Do jeito que está, PSDB deixou de existir', diz Yeda

Deputada 'nunca tinha visto' um confronto interno como o deste ano

Deputada 'nunca tinha visto' um confronto interno como o deste ano


GIORGE GIANNI/DIVULGAÇÃO/JC

Presidente do PSDB Mulher e integrante da executiva nacional do partido, a deputada federal gaúcha e ex-governadora Yeda Crusius criticou ontem escolhas tomadas pelos tucanos durante a campanha eleitoral e as disputas internas da legenda. Após fazer um discurso de despedida na tribuna da Câmara, a parlamentar declarou que, como está, "o PSDB deixou de existir". Ela criticou as brigas entre caciques em São Paulo e defendeu a possibilidade de fusão com outras legendas.

Yeda Crusius não foi reeleita para a Câmara dos Deputado, mas o correligionário Eduardo Leite foi eleito governador no Rio Grande do Sul. Ela diz que pode ser "consultora" do governo estadual, mas admitiu que é preciso estimular uma renovação na sigla. Yeda tem 74 anos e governou o Estado entre 2007 e 2010.

"É um partido que se transformou em um partido muito pequeno. Mas nós podemos sempre consertar o País", disse. A deputada avalia que é preciso resolver os problemas internos em São Paulo e que "nunca tinha visto" um confronto interno como o que ocorreu neste ano. O governador eleito naquele Estado, João Doria, sequer recebeu ligação de tucanos históricos após a vitória, como Geraldo Alckmin e Fernando Henrique Cardoso.

"Em São Paulo foi uma luta fraticida nestas eleições de 2018. Dizimou a bancada do estado. Quem tem que se resolver é São Paulo. Foi muito feio o debate interno. Houve uma contaminação do ambiente interno, como se nós fossemos inimigos entre si. O Doria é vitorioso. O Bruno (Covas, prefeito de São Paulo) é vitorioso e o Bolsonaro precisa se acertar com os estados", declarou em seu discurso.

A ex-governadora apontou como uma das soluções para os tucanos a fusão com outros partidos. Entre os que demonstram afinidade, ela cita o PPS. "Se juntar partidos, fazendo com que cada um seja respeitado, como numa federação, não há o problema. O PSDB sempre teve várias correntes internas que pensam de forma diferente", pondera. Na Câmara, o PSDB, que teve a terceira maior bancada eleita em 2014, caiu para nono lugar: de 54 para 29 deputados.

A eleição do tucano João Doria ao governo de São Paulo e a derrota de peessedebistas históricos nesta eleição, como Geraldo Alckmin e Antônio Anastasia, em Minas Gerais, criou um clima de incerteza dentro do partido sobre quem dará as cartas.

No domingo do segundo turno, Fernando Henrique e José Serra não se manifestaram sobre a eleição do colega tucano. Pelo contrário, durante a campanha no segundo turno, eles incentivaram aliados a trabalharem pelo adversário, Márcio França (PSB), que saiu derrotado das eleições. O ex-governador de São Paulo fez uma postagem parabenizando, de forma genérica, os candidatos do PSDB eleitos aos governos estaduais.

Lucas Redecker quer autocrítica e refundação da legenda

Carlos Villela

As críticas à crise interna do PSDB feitas pela deputada federal Yeda Crusius não são uma posição isolada. De acordo com o deputado estadual Lucas Redecker (PSDB), eleito para a Câmara dos Deputados como o mais votado do partido no Rio Grande do Sul, "o PSDB colheu o que plantou de uns anos pra cá no cenário nacional".

Para o tucano, o partido cometeu erros estruturais em relação à participação no governo de Michel Temer (MDB) e por não se posicionar de forma rápida e forte em relação a membros do PSDB envolvidos em denúncias de corrupção. "Isso fez com que o partido viesse se desgastando", disse.

Semelhante ao posicionamento de Yeda, o deputado acredita que tanto os partidos tradicionais quanto quem faz política tradicional encararam dificuldades no pleito, e que por isso o PSDB deve se posicionar de forma mais clara e transparente. "O partido tem que primeiro fazer uma autocrítica. Posterior a isso, tem que passar por um processo de refundação e reavaliação interna, e isto passa pela sigla rever seus conceitos, suas posições. Não digo nem do estatuto, digo dos seus membros", afirmou.

Contudo, Redecker acredita que os resultados das eleições mostraram que o PSDB gaúcho "caminha de forma diferente do PSDB nacional". Além de eleger Eduardo Leite para o Piratini, o partido manteve a bancada de quatro parlamentares na Assembleia Legislativa e passou de um deputado federal para dois. Agora, ele espera que Leite, o qual considera "um líder exponencial dentro do cenário gaúcho e do partido nacional", tenha suas opiniões e sugestões ouvidas para ajudar nesse processo.

"Eduardo é essa figura de conciliação e de buscar novo rumo pro partido, que tem que ser escutada e dar suas sugestões para o futuro do PSDB", conclui.

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