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Porto Alegre, sexta-feira, 26 de outubro de 2018.
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Jornal do Comércio

Política

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eleições 2018

Edição impressa de 26/10/2018. Alterada em 26/10 às 00h17min

Acusação de fake news na disputa ao Piratini marca debate em rádio

Propaganda veiculada no intervalo suscitou discussão entre candidatos

Propaganda veiculada no intervalo suscitou discussão entre candidatos


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Bruna Suptitz
Um debate de uma hora e meia entre os candidatos ao governo do Estado Eduardo Leite (PSDB) e José Ivo Sartori (MDB) na manhã desta quinta-feira foi marcado por troca de acusações sobre o uso de notícias falsas - fake news -, especialmente nos dias finais da campanha. O episódio foi protagonizado pelos postulantes ao Palácio Piratini durante o confronto na Rádio Bandeirantes, em Porto Alegre.
Dividido em quatro blocos, o debate teve dois momentos para a resposta de perguntas feitas por jornalistas e por eleitores, e outros dois com tema de discussão livre e embate direto - com controle somente do tempo: um minuto e meio para cada candidato, alternados em seis manifestações cada um.
No primeiro intervalo do debate, uma inserção de propaganda da campanha de Sartori fala que Eduardo Leite nunca teve carteira assinada e que não trabalha há dois anos. O material sugere incompatibilidade entre a declaração da bens feita pelo candidato à Justiça Eleitoral e o fato de o tucano ter morado e estudado no exterior. "Sartori trabalha desde menino. Começou ajudando o pai na roça", continua a propaganda. "Seu salário de governador é público. Todos sabem como Sartori se sustenta", conclui o material. Quase cinco minutos depois, quando o debate voltou ao ar para um bloco discussão livre entre os candidatos, o tema foi prontamente abordado por Leite.
Sartori, que fez a primeira manifestação, escolheu o tema segurança, já citado anteriormente, e apresentou ações, como as recentes contratações para a Brigada Militar e redução dos índices de criminalidade no Estado. O tucano contestou os dados apresentados pelo atual governador, mas logo mudou o rumo da discussão.
"O maior problema é que um governo e um governador que não sabem lidar com as verdades inventam mentiras sobre os adversários", atacou. Direcionando a fala ao mediador, Oziris Marins, Leite se disse "estupefato com a quantidade de fake news nessa eleição".
Referindo-se à propaganda, o tucano disse a Sartori que, caso o adversário tenha alguma denúncia a fazer, não é na propaganda, é na Receita Federal. "Mas o senhor não faz porque sabe que não tem nada para denunciar a meu respeito, e aí inventa mentiras", completou.
Ao retomar a palavra, o governador disse que foi alvo de fake news durante todo seu mandato "e tive maturidade suficiente para manter o equilíbrio e saber lidar com as críticas". Alegando que o adversário é "agressivo" e se "vitimiza", usou uma estratégia já empregada em outros encontros com o tucano, de tentar associar a imagem dele ao PT.
"O senhor assume um discurso que é igual ao do (Miguel) Rossetto (PT)", disparou, ponderando que nunca foi pessoalmente agredido pelo petista - que ficou em terceiro lugar no primeiro turno da disputa. "É preciso maturidade e deixar essa agressividade de lado", insistiu o governador.
A insinuação suscitou a manifestação seguinte de Leite. "É preconceituosa sua atitude em relação à juventude, tentando fazer crer que há imaturidade. Sempre respeitei o senhor e nunca fiz nenhum ataque pessoal", disse, sustentando que as críticas são ao governo - e exemplificou com a falta de repasses do Estado para a saúde. "O governo está deixando as prefeituras na mão", completou.
"Nunca desrespeitei a juventude. O senhor não vai me atirar um preconceito dessa natureza" iniciou Sartori na sua fala seguinte. "Não é por ter ou não idade que alguém é melhor que os outros. É pelas atitudes que toma, e não se vitimizar ou achar que é a melhor coisa que Deus fez", retomou o emedebista, reutilizando o termo anterior.
Na última rodada deste bloco, Sartori refutou que acusações de fake news recaiam sobre ele e sua equipe e disse a Leite que, caso se sinta atingido, "trate de entrar na justiça". Como resposta, ouviu do tucano que "já entramos na justiça e tiramos várias dessas fake news que são compartilhadas por gente que tem altos salários dentro do seu governo".
O debate ainda foi marcado por ponderação do candidato do PSDB sobre o porte de armas no campo - segundo ele um tema pertinente e que deve ser levado ao Congresso Nacional. Em outro momento, o postulante pelo MDB voltou a falar sobre a privatização de estatais do setor energético e sustentou que a recuperação das finanças do Estado passa pela adesão ao Regime de Recuperação Fiscal proposto pela União.
O tema das fake news extrapolou o debate. A coligação de Leite entrou nesta quinta-feira com pedido ao Ministério Público Eleitoral para investigar a origem da divulgação das informações para "atingir a imagem do candidato". A coligação liderada pelo emedebista, por sua vez, entrou com pedido de liminar para suspensão, com urgência e multa, da veiculação de postagem nas redes sociais que acusam Sartori de manipulação de imagens "de baixo nível e preconceituosas".
 
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