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Porto Alegre, quarta-feira, 17 de outubro de 2018.

Jornal do Comércio

Política

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Eleições 2018

Alterada em 17/10 às 16h27min

Após críticas ao PT, Cid Gomes grava vídeo em apoio a Haddad

Estadão Conteúdo
Dois dias depois de criticar publicamente o PT em ato de campanha do partido e cobrar mea culpa da sigla, o ex-governador do Ceará e senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) divulgou um vídeo anunciando que vai votar em Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições 2018.
As críticas de Cid, que disse que o PT deveria assumir que "fez besteira" e "ter humildade", chegaram a ser usadas no programa eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) divulgado na terça-feira. Com isso, ficou mais afastada a possibilidade de uma frente democrática entre as forças de esquerda no segundo turno.
"Com tudo o que penso e diante de tudo que falei, não é correto o que fez o outro candidato usando imagens minhas editadas sem minha autorização. Que não fique nenhuma dúvida: neste segundo turno, Haddad é o melhor para o Brasil. Votarei no Haddad no dia 28".
Na terça-feira, Cid disse em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, que parte do PT "já dava por perdida" a disputa presidencial e estaria "se lixando" para Haddad. "Eles (petistas) querem ser hegemônicos inclusive na oposição. Boa parte da companheirada aí já deu por perdido (o segundo turno) e está pensando em ser hegemônico na oposição. Estão se lixando para o Haddad. São incapazes de um gesto de grandeza, mesmo que isso seja permitir uma oportunidade para o jovem, talentoso, inteligente, preparado que é o Fernando Haddad. Eu acho que isso (gesto de autocrítica) tem que partir de quem está no comando do PT", afirmou.
Até o momento a campanha de Haddad vive um isolamento no campo ideológico e conquistou adesões protocolares entre siglas de esquerda (PCB, PSB, PSOL) que não estavam coligadas com o PT no primeiro turno. O PDT, principal cobiça, porém, anunciou apenas um "apoio crítico". O presidenciável derrotado Ciro Gomes viajou para a Europa e não tem participado da campanha petista.
"Somos muito mais um voto contra ele (Bolsonaro), contra o risco que ele representa à democracia, aos direitos humanos, ao respeito às liberdades individuais do que um apoio ao Haddad", disse Carlos Lupi, presidente do partido, na semana passada.
Após o primeiro turno, o PT esperava formar o que chegou a ser chamado de "frente democrática" contra Bolsonaro. Ao atrair apoio de outros partidos e de parte da sociedade civil, a campanha buscava criar um caráter suprapartidário para defender a eleição de Haddad.
Não houve avanço também na aproximação do partido com integrantes do PSDB, com quem o PT polarizou a disputa eleitoral nos últimos anos. Em entrevista ao Estado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que não aceitava "coação moral" dos que agora buscam seu apoio.
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