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Porto Alegre, sexta-feira, 07 de janeiro de 2022.
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Opinião

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ARTIGOS

- Publicada em 20h03min, 06/01/2022.

Antes tarde do que nunca?

Sérgio Amantea
Foi com grande satisfação que a Sociedade de Pediatria do Rio Grande Sul assistiu à divulgação, por parte do Ministério da Saúde, de que as crianças com faixa etária entre 5 e 11 anos seriam incorporadas à estratégia nacional de vacinação para a Covid-19. Em um futuro, que nos parece bem próximo, estaremos nos associando a um grupo, já não tão seleto, de cerca de 30 países que possuem programas de vacinação ativo para a faixa etária em questão.
Foi com grande satisfação que a Sociedade de Pediatria do Rio Grande Sul assistiu à divulgação, por parte do Ministério da Saúde, de que as crianças com faixa etária entre 5 e 11 anos seriam incorporadas à estratégia nacional de vacinação para a Covid-19. Em um futuro, que nos parece bem próximo, estaremos nos associando a um grupo, já não tão seleto, de cerca de 30 países que possuem programas de vacinação ativo para a faixa etária em questão.
Muito tem se discutido sobre a importância da vacinação para Covid-19. Os argumentos que foram utilizados como contraponto para implementação do exitoso programa de vacinação da população (adultos e adolescentes) em escala mundial são os mesmos que voltam a ser reapresentados pelos adeptos dos movimentos antivacinas.
Se existiam dúvidas, caíram por terra. Não estamos mais falando de hipóteses. Estamos numa fase de vigilância farmacológica. Cerca de 10 milhões de crianças em idade pediátrica já se vacinaram ao longo do mundo com o mesmo imunizante que será aplicado em nossa população. Como era de se esperar, gerando resposta imunológica e com baixa ocorrência de efeitos adversos.
Neste pequeno período de discussão vimos os argumentos dos movimentos antivacinas se esvaziarem. Dados científicos robustos de eficácia e segurança começaram a ser publicados, e o número crescente de crianças vacinadas em vários países ajudou a estabelecer um posicionamento quase que consensual do mérito vacinal.
As sociedades científicas de nosso País contribuíram para tirar do cenário político uma decisão que tem que ser técnica. Estamos no tempo certo. Temos as evidências que precisávamos, o envolvimento das sociedades científicas e o convencimento da população.
No mais, devemos reforçar a importância das orientações relativas a um ato vacinal. Para qualquer dúvida relativa ao processo vacinal procure seu pediatra. Ele é a pessoa mais adequada para lhe orientar quanto aos aspectos relativos à saúde do seu filho. Seu filho é o seu bem mais precioso e merece uma atenção individualizada.
A obrigatoriedade de indicação do ato vacinal em receituário médico, numa atitude muito sensata, deixou de existir. Entretanto, é importante que, nesta faixa etária, a criança seja conduzida ao posto de vacinação pelos seus pais ou responsáveis legais.
Presidente da Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS)

2021, solidariedade máxima, estado mínimo

Sofia Cavedon
Mais um ano em que a solidariedade e a empatia mobilizaram as pessoas. A indignação com o veto do presidente à lei que previa a disponibilização de absorventes higiênicos para meninas e mulheres sem condições é exemplar dessa nova sensibilidade social. Esse veto e outras tantas medidas revelaram o contraste entre as políticas dos governos e a disponibilidade, coragem e capacidade de solidariedade do povo.
Diante da pandemia, desemprego e fome, governantes reduziram os orçamentos nas áreas sociais e seguiram impondo rupturas com o pacto social iniciado na Constituição de 1988, tanto no Brasil quanto no Rio Grande do Sul, diminuindo o Estado e sua capacidade de entregar à população serviços que a socorram. Qual o argumento? A crise econômica.
Ora, se as pessoas enfrentam a crise econômica com mais esforço, com mais partilha, com mais presença no coletivo, os gestores do Estado, ao contrário, vendem a ideia e praticam a tese de que este pode ser mínimo.
Combina isso? Pode o Estado ser mínimo quando a educação foi tão prejudicada que precisa adicionar tempo escolar, tecnologia, suporte econômico? Quando o/a agricultor/a não produz pela seca e o/a pequeno/a empresário/a precisa de apoio para recomeçar?
A desculpa da crise econômica não esconde, para um olhar mais atento, o projeto dos governantes de entrega dos negócios públicos ao lucro privado. Mostra, na verdade, que sua incompetência para encontrar soluções em que se atendam os interesses públicos é porque sua "competência" está voltada à desestatização e à terceirização dos serviços.
A tal ponto vai o compromisso com esse projeto que, mesmo a palavra dada, de acordo com a ocasião, é relativizada ou mudada. Nem mesmo o alto custo da energia elétrica, da gasolina, do gás de cozinha e da água, num momento de tanta insegurança econômica e social, sensibilizam seus representantes, que impõem aumentos a esses bens estratégicos para a vida, ao incorporar os lucros privados.
É assim que 2021 terminou no Rio Grande do Sul, com uma nova mudança de palavra: "a privatização do Banrisul é inevitável", anuncia o governador. Inventa um sujeito dessa ação que não seria ele. Mas é. Está sendo assim com a Corsan. Foi assim com o magistério: mudou de ideia, não honrou o compromisso. Triste ano em que os governantes não estiveram à altura de seu povo. "Se um só traidor tem mais poder que o povo, que esse povo não esqueça facilmente", diz a canção.
Deputada estadual (PT)
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