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Opinião

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- Publicada em 15h25min, 18/10/2021.

A espetacularização

Fernando de Oliveira Souza
Palestrantes ou conferencistas de fundamento, aqueles que “hipnotizam” o ouvinte , que esquece o mundo ao seu redor ficando praticamente imóvel no seu assento, são cada vez mais raros e pior, parece uma classe em extinção. Sua fala era mágica envolvendo o imaginário das pessoas e prescindindo de qualquer outro recurso a não ser sua voz e seu talento.
Palestrantes ou conferencistas de fundamento, aqueles que “hipnotizam” o ouvinte , que esquece o mundo ao seu redor ficando praticamente imóvel no seu assento, são cada vez mais raros e pior, parece uma classe em extinção. Sua fala era mágica envolvendo o imaginário das pessoas e prescindindo de qualquer outro recurso a não ser sua voz e seu talento.
Tive oportunidade de vivenciar isso no Concurso para Livre Docência da Faculdade de Medicina da UFRGS realizado no HCPA ao assistir duas defesas em sequência, a primeira de um cirurgião plástico que contratou, para sua apresentação, a Zaniratti Filmes que, usando todos seus recursos midiáticos, transformou-a em um verdadeiro clipe produzido pelo Hans Donner, em que as pessoas ficavam embasbacadas pela tecnologia, mal ouvindo as falas do candidato, um verdadeiro espetáculo de luz e som. O candidato a seguir subiu ao palco com dois pedaços de giz na mão e, dirigindo-se ao quadro negro, durante uma hora paralisou a plateia onde não se ouvia um ruído. Cito seu nome porque foi um dos meus exemplos - professor Dr. Mario Rigatto.
Está certo que era uma dádiva pessoal, era um talento nato, mas isto também pode ser desenvolvido nas pessoas, isto é, ensinar a usar seu cérebro, dar asas à imaginação. Parece, entretanto, que cada vez mais nos afastamos desta meta desejável, muito em função da tecnologia.
Explico com outro exemplo: minha esposa me solicitou que lesse estórias para nossa neta dormir, como nossas mães faziam conosco. Escolhi então um livro apropriado e entrei no seu quarto para cumprir minha missão. Ao entrar, encontrei-a na cama manuseando um Ipad. Falei então que o vovô ia lhe contar a estória do “João e o Pé de Feijão” o que a fez imediatamente abrir o Youtube onde mostrava toda essa estória em movimento. Não tendo como competir, me retirei então pensando naquela situação.
O “contar” estimula a imaginação que viaja abrindo incontáveis circuitos cerebrais, o “assistir” não faz isso, está tudo pronto.
Então, extrapolando para o todo, cada vez assistimos mais a tecnologia fazer por nós, nos transformando em dependentes sem função, haja visto o recente episódio de queda das redes sociais, que quase levou pessoas ao desespero, mostrando uma tendência “sem volta” do jeito que vamos indo.
Encontrar tudo pronto, sem exercitar nosso cérebro, nos transformará em robôs das máquinas, por incrível que isto possa parecer. Já existem estudos mostrando diminuição do quociente de inteligência QI, em novas gerações.
Quer deixar bem claro que não sou contra a tecnologia, ela é produto da inteligência humana e veio para nos facilitar a vida, mas não em demasia porque desta forma, a criatura vai devorar o criador.
Médico
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