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Porto Alegre, sexta-feira, 10 de setembro de 2021.
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Opinião

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Artigo

- Publicada em 14h51min, 10/09/2021.

Supersafra e a fome

Samuel Santos
O Brasil, dentro do seu território, poderia ser considerado um continente. Clima, solo, água, espécies e variedades em abundância. Nossa agricultura reflete isso. Porém, de fato, há duas agriculturas bem definidas, mas ter uma supersafra não reflete ter alimento em quantidade e qualidade na mesa do brasileiro.
O Brasil, dentro do seu território, poderia ser considerado um continente. Clima, solo, água, espécies e variedades em abundância. Nossa agricultura reflete isso. Porém, de fato, há duas agriculturas bem definidas, mas ter uma supersafra não reflete ter alimento em quantidade e qualidade na mesa do brasileiro.
A agricultura empresarial, chamada de agronegócio, produz para exportação, os chamados comodities. Traduzindo para o bom português: produz dinheiro. Sua dinâmica está nas bolsas de valores do mundo. Pautada sempre pelo câmbio (valor do dólar), emprega alta tecnologia, em grandes escalas produtivas, com o aporte estatal muito presente, inclusive na isenção de impostos. Através da soja, especialmente, gera grandes divisas econômicas ao País, o que é importante, mas, de fato, não é esta que contribui para termos fartura na mesa dos brasileiros.
Quem contribui para termos alimento na mesa do brasileiro é a agricultura familiar e ecológica. Produz alimento em âmbitos locais, regionais e macrorregionais. É quem tem uma dinâmica de proximidade com o consumidor. Segundo dados do Censo do IBGE, produz entre 70% e 80% do alimento que vai para a mesa das pessoas: feijão, arroz, mandioca, hortaliças, carnes, etc. Mas os agricultores hoje sofrem com o alto custo dos insumos e diminuição do crédito, reflexo da diminuição do compromisso do estado.
Hoje, a política econômica do atual governo, sem controle cambial, faz com que as exportações em dólar sejam vantajosas economicamente. Bom para o agronegócio. Por outro lado, péssimo para agricultura familiar e para o consumidor brasileiro. Isso porque o custo de produção (diesel, insumos, sementes, embalagens), na maioria das vezes ligadas ao preço do dólar, deixa quase que inviável a vida na agricultura familiar.
Agregado a isso há o desemprego nas alturas, diminuição no poder aquisitivo e,  assim, do consumo, porém, a inflação vai continuar subindo, já que com o custo de produção nas altura, haverá menos produtos a ofertar.
É triste, mas agricultores/as e consumidores estarão perdendo. Quem perde também são os empreendedores locais, que vivem desta dinâmica e sofrem com o impacto do preço dos produtos nos açougues, mercearias, minimercados, fruteiras, etc.
É toda uma engrenagem local que depende do consumo, especialmente dos produtos agrícolas. O cenário é preocupante: recessão e fome.
 
Graduado em Desenvolvimento Rural pela Ufrgs e educador popular
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